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TERÇA FEIRA - 13 DE ABRIL DE 2010

Os Limites da Anistia no Brasil


Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA)
Reg. 2152711

Talvez   no   passado   tenham  existido  casos  tão  simples  como  este,  mas  nenhum   foi  mais   simples.  Nem  a  Lei  6683  nem  a  Lei  10559  dizem   uma  palavra,   implícita   ou  explícita,  que  contemple  a  anistia  dos   agentes  do estado  que  atuaram  na repressão, durante o regime de  exceção,  no  período  1964-1985.  Quem  defende o contrário, deve ter  coragem  para  dizer  “entre  a justiça  e  os interesses corporativos preferimos  estes”.  Qualquer  membro  do judiciário  de  qualquer  país  do planeta que facilite esta distorção  estará colocando  o  pragmatismo  político  acima  da justiça.  Este  seria  um  perigoso  caminho  para  a oficialização das ditaduras.

O  vocábulo  “anistia”  deriva  do  latim  vulgar  amnestia,  que  provém  do  grego “a+mnesis”  (sem memória).  Em alguns  calhamaços bacharelescos, ainda se diz que anistia  é  “o  esquecimento  de  certas  infrações  penais”. (Coitados de nós se nos guiássemos sempre pelas etimologias. Como a palavra “química” possivelmente deriva do persa kemé (ouro), acabaríamos fazendo exames laboratoriais com um joalheiro.)

Em  realidade,  há atualmente dois usos principais do termo “anistia”:Reparação de uma  injustiça. Por exemplo, por que muitos perseguidos políticos foram anistiados? Ou será que ter lutado contra a ditadura é uma infração penal?

As  organizações  de  DH  consideram  a  anistia  como  o  processo  de  reparar  e prevenir  as  injustiças,  não  apenas  por  meio  de compensação econômica, mas, especialmente,  pela  reivindicação  moral,  social,  e  psicológica,  e a satisfação de saber  que  novas  atrocidades  serão  inibidas.Como extinção de punibilidade, no caso que exista realmente um verdadeiro crime político.

Sendo  que  uma  anistia  é  estabelecida  por  uma lei,  as interpretações sobre sua aplicação  correspondem  ao  judiciário.  É por  isso que o STF, no dia 14/04, deverá julgar  uma  questão  crítica:  se  a  lei  de  anistia  no  Brasil  protege  ou  não torturadores e genocidas.

A Perspectiva do Direito Convencional

A Lei 6683

Lei  de  Anistia  a  que  se  refere  a OAB é a6.683 (28/08/1979), que prevê tanto   imunidade  para  os  que  cometeram  “crimes  políticos  ou  conexos”  como reparações em relação com empregos, pensões e direitos usurpados.

O artigo 1º apresenta uma contradição entre o §1 e o §2. O §1 diz:

Consideram-se  conexos,  para  efeito  deste  artigo,  os  crimes  de  qualquer natureza  relacionados  com  crimes  políticos  ou  praticados  por  motivação política.

Já o §2 estabelece uma restrição:

Excetuam-se  dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, seqüestro e atentado pessoal.

Cabe   pensar  que  aqueles  que redigiram esta lei, inspirados pelos militares, entendem  algo   como   o   seguinte: 

1. Que   “crimes   de   qualquer  natureza” significam  “crimes  de  qualquer   natureza cometidos por nós”. Se for assim, estaria  tudo  certo.

2.Que  não  existe   terrorismo,   assalto,   sequestro  nem  atentado  pessoal  praticados  com motivação  política.  O único que ficaria como crime político anistiável, então, seriam a participação em passeatas e a divulgação das opiniões contrárias à ditadura.

É  correta  a  objeção  da  OAB que a lei “estende a anistia a classes absolutamente indefinidas  de  crime”,  ou  seja, esta lei é muito mais vaga que a maioria dos textos jurídicos. Pelo visto acima, também é contraditória.

Aliás,   deve   observar-se   que   todas   as  referências  a  militares,  na lei de anistia, mencionam  unicamente àqueles que foram vítimas da ditadura, e não àqueles que foram parte da mesma.

A   Constituição  Federal,  no  artigo  5º,  XLIII, considera a prática da tortura, entre outros  crimes,  como  não  anistiável.  Dois  anos  após,  a lei 8072 de 25/07/1990  (
qualquer  natureza   relacionados   com   crimes   políticos   ou  praticados  por  motivação políticavide)  define  os  crimes  ditos  “hediondos”  e,  no  artigo  2º,  I,  os  declara insuscetíveis de anistia. Embora a definição de crime hediondo seja confusa, não cabe dúvida de que tortura, genocídio e aberrações similares estão fora da proteção da anistia, graça ou indulto.

A  OAB  qualifica  os  crimes  da ditadura não como políticos, mas como comuns. No entanto,  uma  visão  mais  moderna  as  incluiria  na  classe  de  crimes  de  lesa humanidade.  Os  crimes  comuns  não  estão revestidos do altruísmo atribuído aos crimes  políticos,  mas  nem  sempre  são  atrozes  como  os  de lesa humanidade, e podem,  portanto,  ser  anistiados ou indultados. Veja meu artigo sobre este assunto aqui.  Sessenta  e cinco anos após Nuremberg, crimes de lesa humanidade ainda são considerados uma curiosidade acadêmica, que os operadores de direito se recusam a levar a serio.

Aliás,  mesmo  que  a tortura não tivesse sido definida como crime em 1979, é muito claro  que  ela  constitui um caso de atentado pessoal, mencionado no art. 1º, §2. Novamente,  os  autores desta “lei” se amparam na ambigüidade, mas, mesmo assim, um atentado não é apenas um ataque a distância, com bomba ou arma de fogo.

O Problema da Retroatividade

A  proibição  de que a lei retroaja em prejuízo do réu é uma proposta tradicional para evitar  arbitrariedades.   Ninguém  pode  ser  multado  por  trafegar a mais de 80 K/h antes  que for promulgada uma lei que decida a velocidade máxima. Mas, esta é uma lei absolutamente convencional, que poderia ser totalmente diferente.

Entretanto,  ninguém  precisa de uma lei explícita para entender que torturar, mutilar e  praticar  genocídio  são  atos criminosos. Existe até uma maneira operacional de provar  isto.  Se  você  viaja  a  outro país,  e  aí  mata uma pessoa, não poderá livrar-se  da  justiça  dizendo  que  não  sabia  que nesse lugar o homicídio era crime.

Aliás,  o  conceito  de crime de lesa humanidade introduz uma diferença essencial nesse  conceito  de  retroação.  Se  formos  totalmente  coerentes de que nenhuma violação  ao direito natural pode ser julgada sem uma lei, deveríamos aceitar que era incorreto  julgar  os  criminosos  nazistas  em Nuremberg. É claro que os militares latino-americanos  não são,  em  média,  menos  atrozes  que  os  nazistas,  mas deveríamos ter a coragem de defender publicamente essa tese.

De  fato,  com  as  leis  que  existiam  em 1945,  nem  as  principais  cabeças  do Terceiro  Reich  (incluindo Hitler)  poderiam ter sido punidas. (Não posso deter-me  nisso,  mas  você  pode  consultar aqui. Possivelmente deverá ler boa parte dos documentos  para  tirar  suas  conclusões, mas vale à pena, pois é a melhor coleção sobre Nuremberg já produzida.)

A Lei 10.559

Ainda  mais  explícita é a lei 10559 de 13/11/2002, em cujo capítulo II se caracteriza a  condição  de  anistiado  político.  Ela  não  deixa  nenhum  espaço  à divagação. Incluindo as condições transitórias, o artigo 2º se compõe em total de 17 condições, todas as quais se referem a perseguidos, e nenhuma a perseguidores.

Não  existe  uma  cláusula que diga, por exemplo: “concede-se anistia também aos agentes  do estado que usaram métodos violentos na repressão de grupos civis”, ou algo parecido. Uma cláusula de teor semelhante seria indispensável para aduzir que a  lei pode ser aplicada também aos terroristas de estado. Pretender que este artigo inclua  os  algozes  entre  os  anistiados  seria um delírio absoluto, se não fosse uma gigantesca hipocrisia.

Se o leitor não tiver tempo para ler tudo, observe que cada inciso do art. 2º começa com  uma  palavra  que  se  refere  às  vítimas e nunca aos agentes repressores do estado:

1. Atingidos por atos institucionais…

2. Punidos com transferência…

3. Punidos  com  perda  de  comissões…

4. Compelidos ao afastamento da atividade profissional…

5. Impedidos de exercer, na vida civil…Punidos, demitidos ou compelidos ao afastamento…

É análogo para as Disposições Transitórias da Constituição Federal que aparecem no mesmo  artigo  da  lei  10559:  punidos,  demitidos, desligados, etc. Alguém pode explicar de que maneira isto inclui os agentes que atuaram na repressão?

Outros Aspectos Legais

O Brasil demorou a perceber que a tortura devia ser um crime, pois a lei 9.455/97 foi sancionada  em 1997. Um pouco antes tinha assinado a Convenção contra a Tortura das  Nações  Unidas  (vide)  adotada  pela Resolução 39/46 de 1984, mas a ratificou apenas  5  anos  depois.  Esta  demora  mostra  a f orça do aparato militar e o lobby policial  na  estrutura  do  estado,  que não tem diminuído até o dia de hoje, como o prova  o fato de que, salvo em raríssimos casos de juízes e promotores excepcionais (especialmente no Sul do país),  os  aplicadores  de  torturas  quase  nunca  são denunciados.

(Para  fazer  justiça  aos  nossos  políticos,  lembremos  que a Itália está ainda mais atrasada, pois é o único país da Europa onde a aplicação de tormentos não é crime.)

A  particular resistência em punir a tortura se percebe também na discrepância entre as  penas  previstas  pela  lei  9455, e as que se aplicam em casos de crime comum, como  os  cometidos  por  pessoas  que,  num  estado  de  loucura, assassinam uma pessoa  de  seu  círculo de relações. Com efeito, não é infreqüente que estas sejam condenadas a mais de 20 anos de prisão, enquanto o art. 1º §3 da lei prevê entre 8 e 16 anos para quem aplicou tortura com resultado mortal. A pena aumenta de 1/6 a 1/3 quando o torturador é agente público (§4). Como a tendência dos juízes é aplicar  a  condenação  mínima  quando  o réu é primário (e um torturador sempre é primário,  porque,  caso  seja  descoberto  será  protegido  por seus superiores), um policial ou militar torturador poderá receber uma pena média de 10 anos.

Essa pena é mais ou menos equivalente à prevista pelo Código Penal para um assalto a mão armada, mesmo que a vítima não tenha sido ferida!

A  lei  trata  um  torturador  profissional,  ou  seja,  uma  pessoa  quase  sempre irrecuperável,  que  atua  com  covardia e sadismo usando o poder do estado, e que está  possuída  de ódio contra a humanidade, da mesma maneira que trata um crime convencional!

Não cabe duvidar de que o estado brasileiro, como quase toda América Latina (salvo Costa  Rica,  que  na década de 40, extinguiu totalmente suas forças armadas), e os  outros países subdesenvolvidos, considera os Direitos Humanos não apenas como desprezíveis,  mas também como uma verdadeira trava para a manutenção do poder dos aparatos militares e policiais.A Perspectiva do Direito Humanitário

O  direito  natural  não  deixa  nenhuma  dúvida:  crimes  de  lesa  humanidade cometidos  por  grupos  que  exercem  um  poder  oficial  ou paralelo, não podem ser anistiados em nenhum sentido, e tampouco são suscetíveis de prescrição.

Entendida  como  reparação, a anistia introduzida pela Lei 6683 é um processo que libera  prisioneiros,  extingue  acusações  ilegítimas,  anula  banimentos e proibições, recoloca  as  pessoas  nos  empregos que perderam, e assim em diante. Neste caso, proteger  com  a  anistia  a  torturadores  e  genocidas  é,  além d e aberrante, sem sentido. Qual é o dano sofrido por um torturador?

Para  apreciar o sentido de anistia como renúncia à punição, devemos entender o que  significa  “punição” (um termo desagradável em direito humanitário, que deveria ser substituído por “restituição”).

O Castigo no Direito Humanitário

Punir alguém não indica, no contexto humanitário, fazer sofrer nem tomar vingança. Este é um sentido teológico onde se enaltece o sofrimento (o alheio), e se pretende destruir moral e fisicamente os que profanaram o sagrado. Com muito senso prático, governantes, nobres e militares, acreditassem ou não nessas mitologias, se apropriaram delas para satisfazer sua sede de vingança. Entendo que as interpretações do direito humanitário mostram que a restituição da harmonia que o infrator deve pagar à sociedade possui essencialmente três finalidades:

1.A própria recuperação do infrator.

2.A segurança dos outros humanos.

3.A educação da sociedade, à qual se ensina que esses crimes são contrários à vida civilizada.

Portanto, a restituição não deve visar o “castigo”, nem gerar sofrimento ou humilhação. Por isso, a pena de morte é assunto proibido na comunidade de DH. Ela, obviamente, viola a condição (1). Mortos não são recuperáveis. Tampouco é necessária para a condição (2). A segurança não precisa destruir o criminoso. Finalmente, é totalmente nociva para a condição (3). Ao propor que a sociedade se torne homicida, se está oferecendo aos cidadãos uma lição de sadismo e crueldade. Os que devam agir como carrascos o farão por revanchismo, por dinheiro ou por subserviência. Em todos os casos, estará sendo criada a aceitação natural de uma atividade desumana.

Impedir a pena de morte é proteger a sociedade de cair na barbárie. Também significa em muitos casos valorizar a vida do réu, mas nem sempre, pois nos casos de crimes de lesa humanidade é duvidoso que a vida dos executores valha alguma coisa. O caso da Argentina mostra isto com clareza.

As pesquisas feitas depois da ditadura não encontraram arrependidos entre militares e policiais que esquartejaram, estupraram, eletrificaram, queimaram e mutilaram pessoas de todos os estilos. Tampouco havia remorso entre os padres, juízes e médicos que acompanhavam os tormentos. Quase todos diziam que voltariam a fazer tudo do mesmo jeito, ou ainda com mais afinco. O especialista Emilio Marín disse em 2009: En un 99,99 por ciento (…) en los que fueron cuadros de la dictadura no hay hasta ahora ni una pizca [migalha] de arrepentimiento” (vide).

Apenas houve alguns soldados e policiais que assistiram, mas não participaram e, quando foi possível, desertaram e depois denunciaram seus superiores. Mas estes casos foram poucos (talvez não mais de 5).

A Necessidade da Restituição

Em geral, governos criminosos envenenam severamente o tecido social, privilegiando as condutas mais iníquas, como delação, tortura, violência e subserviência. Depois que um povo passa por estas experiências, aceitar os atos de maior sadismo pode tornar-se uma rotina, como se percebe hoje em vários países.

A omissão do castigo, no sentido restitutivo, terá como conseqüência o encorajamento de novos atos de barbárie. Algumas organizações políticas progressistas esquecem este aspecto e parecem pensar que as violações aos DH são coisa do passado. Na prática, é difícil avaliar a situação quantitativamente, mas é provável que as aplicações de tortura e atos de genocídio sejam ainda mais numerosas hoje que antes, embora suas vítimas tenham variado.

Atualmente não são comuns os ataques contra militantes de esquerda, pelo menos, não de maneira sistemática, mas há massacres generalizados de grupos étnicos, habitantes de favelas, bairros pobres, movimentos sociais e outros setores marginalizados.

Será que a punição dos agentes da ditadura não teria grande influencia na diminuição das torturas e homicídios sistemáticos aplicados atualmente pela polícia?  Disso não se tem certeza, mas o esquecimento e o “perdão” daqueles crimes se tornarão, com certeza, obstáculos para combater as novas atrocidades, no caso em que algum dia apareça um governo que deseje fazê-lo.

Um exemplo dos riscos da impunidade se percebeu recentemente na Argentina, onde mais uma vez (já houve outras), uma testemunha contra criminosos de lesa humanidade foi assassinada. Embora no país tenha sido retomado o julgamento dos algozes e cúmplices da ditadura, e já vários deles foram condenados a penas altas, a Argentina esteve entre 1987 e 2005 amordaçada por infames leis de impunidade, que permitiram que o aparelho policial-militar se reestruturasse. De fato, entre 1987 e 1990 houve outras cinco tentativas de golpe de estado, que não triunfaram apenas porque a política dos Estados Unidos naquele momento era favorável à manutenção de uma democracia formal.






Outro exemplo muito conhecido é Itália. Depois da guerra, o ministro Palmiro Togliatti, argumentado uma ilusória necessidade de “reconciliação”, anistiou mais de 15 fascistas. Uma vez anistiados, eles se infiltraram de novo nas dependências estatais, e tomaram conta da polícia e de parte do exército. Hoje, os fascistas são muito poderosos na Itália. O Ministro de Defesa, Ignázio La Russa, propôs uma homenagem aos militares que serviram a Mussolini, “porque eles defenderam a Pátria”.


Embora haja grupos neonazistas na Alemanha, nesse país não seria possível imaginar que  um  ministro  proponha  uma  homenagem  pública  aos  membros  da  SS  ou a Gestapo.  Por  que  essa  diferença?  Porque  a Alemanha  teve um Nuremberg, que, embora  fosse  insuficiente, c riou certo temor nos nazistas. E também porque houve intervenção  internacional.  Na  Itália,  os aliados  não puniram os fascistas e até os recrutaram para usá-los em seus próprios atos terroristas.Posições e Interesses

Os  ministros  brasileiros  estão  divididos  em  torno  da  lei  da  Anistia.  O  MJ  e  a Secretaria  de  DH  rejeitam  a  interpretação  de  que  as leis de anistia possam ser aplicadas  a  torturadores  e  genocidas.  É  uma  atitude  de coragem,  embora seja evidente,  pelo  que  foi  dito  acima,  que  essas  leis  não  se  referem  em nenhum momento a qualquer aspecto que inclua aos agentes de repressão.

O fato  concreto é que as leis não abrangem os repressores, e os esforços da AGU e da PG para garantir a anistia aos militares são apenas uma amostra de oportunismo e medo. O que se pode deduzir disso é que, para eles, a democracia e a justiça devem curvar-se à violência e a brutalidade.

Continuidade Ideológica

A direita civil costuma dizer que os militares atuais “não são mais aqueles terroristas de estado”.

É  verdade  que,  apesar  de  sua  rigidez  e irracionalidade, algumas forças armadas mudaram  seu  perfil  em alguns anos, como aconteceu na Alemanha após 1945. Mas os  próprios  militares  brasileiros  se  orgulham  do  passado  assassino  de  seus “camaradas de armas”. Este fato é reforçado por advogados fundamentalistas, geralmente do Opus Dei, que atuam como defensores dos genocidas. Em entrevistas por TV, conferências de imprensa, etc., tanto os militares como seus advogados reivindicam o caráter eterno e permanente de sua função, e exigem que seja reconhecida sua continuidade histórica.

Em 18/04/2008, a imprensa informou que um alto militar tinha ameaçado ao governo com “o maior movimento de solidariedade militar” se o presidente pretendesse fazer valer sua autoridade constitucional sobre os militares. (Veja fonte.)

Nelson Jobim (que morre de pânico de seus “subordinados”) sempre menciona a mudança democrática dos militares, mas sempre é desmentido por eles, que exigem o direito a identificar-se com a ditadura, pois as forças armadas são “eternas e imutáveis”.

O ministro não tem nem a modesta idéia de ficar em silêncio. Tem chegado ao extremo de acusar os defensores dos DH de revanchismo, apenas porque desejam que os agentes da ditadura devam enfrentar pelo menos uma Comissão de Verdade, algo que já possuem quase todos os países que sofreram regimes assassinos.

Os Subordinados

Os velhos patrocinadores da ditadura estão mortos ou passeiam tropegamente pela beira dos túmulos. Mas a tortura não foi aplicada por aqueles que a planejaram, mas especialmente por policiais e militares de todas as idades, alguns com menos de 60 anos atualmente. O envelhecimento deve ser tido em conta quando ele produz alterações na saúde, mas a idade não é pretexto para evitar a punição.

Um problema para punir esses subordinados que não tinham postos de comando é a famigerada teoria da obediência devida. Isto significa que os autores de atrocidades sob ordens superiores são privilegiados duas vezes: uma, porque suas atrocidades são esquecidas; outra, porque também se recompensa a falta de coragem, de consciência e de pensamento próprio. A obediência é uma “virtude” tradicional no ambiente eclesial/militar, adotada pelas elites da sociedade civil para aplicá-la à exploração econômica. Até Winston Churchill, tido como o paradigma mais típico do conservador, repudiou esta transformação do soldado em máquina. Ele fez famosa uma frase: “As piores atrocidades foram cometidas em nome do patriotismo”.Direitos Humanos e Educação

O Brasil tem uma vantagem em relação com Argentina e Chile, que são dois modelos típicos de barbárie militar. Essa vantagem é a dificuldade da direita para firmar-se ideologicamente na população.

No Brasil, como no resto dos países onde a estratificação social é selvagem, a vida social é dirigida pelos que detém o poder econômico, cujo braço executor é o aparato policial/militar. No entanto, os políticos mais reacionários e corruptos não conseguem seus votos por causa do convencimento da população, mas por fatores manipulados, como a propaganda, a coerção eleitoral e o clientelismo. O controle da direita é mais oportunista do que ideológico.

Essa diferença com Argentina e Chile é substancial. A opinião pública argentina está formada por uma grande maioria (algo como 80%) que reproduz os padrões culturais europeus do século 19 e se aproxima (em muitos casos de maneira inconsciente) a uma ideologia qualificada de “fascismo” por especialistas estrangeiros. No Chile, esses cidadãos formam uma massa que oscila entre 30 e 45%, o que se reflete nos resultados eleitorais desde a década de 1920.

No Brasil, o equivalente a esse “neofascismo” está restrito à população totalmente européia, de classe média ou alta, com forte identidade em relação a suas origens e com uma religiosidade estável e hereditária. Mas essa população é minoria. A maioria miscigenada não possui uma ideologia conservadora definida. Eventualmente, é mais inclinada à esquerda, ou se comporta de maneira aleatória. Esta grande massa poderia adquirir uma plena cidadania se as elites políticas tivessem algum interesse na educação.

Portanto, Brasil ainda tem uma possibilidade de formar uma sociedade onde os Direitos Humanos sejam valores prevalentes, e não apenas declarações rituais como a que aparece na Constituição.Conclusão

Não vivemos no melhor dos mundos, como acreditava Leibniz, mas tampouco vivemos no pior, como pensava Schopenhauer. Com todos os seus defeitos, existe um sistema jurídico internacional (Organização das Nações Unidas, Organização dos Estados Americanos, União Européia, etc.), e também um grupo pequeno de países civilizados (parte da Europa, Canadá, Austrália, etc.), e estamos melhor que há 70 anos quando o fascismo estava em pleno apogeu. Por esse motivo, governos autoritários, ou que aspiram ser, estão empenhados em implodir esse sistema.

Sabemos que nenhum país atingiu a perfeição. Até os mais pacíficos, como a Suécia, fabricam armas, possuem exércitos e mantém desigualdades sociais. Mas não podemos apostar em tudo ou nada. Entre esses países e o estado de barbárie que vivem as sociedades periféricas há um abismo.

Portanto, penso que os defensores de DH devem tratar de todos estes problemas que envolvem genocídio e tortura, como problemas internacionais, e procurar apóio em outros estados. Não é a solução perfeita, porque, enquanto exista a sociedade de classes, todo estado estará movido por interesses e não por princípios humanitários. Mas é uma ajuda. E é bom lembrar que o fascismo e o nazismo foram derrotados por ações internacionais e as grandes ditaduras foram derrotadas, em parte, com o reforço das pressões internacionais.

FONTE: CONSCIENCIA.NET

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TERÇA FEIRA - 23 DE MARÇO DE 2010

CONVITE

LANÇAMENTO DO LIVRO

LUTA, SUBSTANTIVO FEMININO

MULHERES TORTURADAS, DESPARECIDAS E MORTAS NA RESISTÊNCIA À DITADURA


Quinta-feira, 25 de março de 2010 Das 9h às 11h

Local:  PUC-SP,  Rua  Monte Alegre,  984 – Prédio Novo – Sala 239 – Perdizes – São  Paulo/SP  Este ato, organizado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres  conjuntamente com a Secretaria Especial de Direitos Humanos e da Editora Caros Amigos, contará com a presença das seguintes pessoas:

• Ministro Paulo Vannuchi

• Ministra Nilcéia Freire

• Prof. Dirceu de Mello - Reitor PUC

• Prof. Marcelo Figuereido - Diretor da Faculdade de Direito PUC

• Profa. Silvia Pimentel- Vice-presidente do Comitê da ONU para a eliminação de discriminação contra a mulher

• Profa. Flavia Piovesan

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SEGUNDA FEIRA -18 de Janeiro de 2010

OAB  vai  ao  STF  contra  regimes  diferenciados  na  anistia  de militares


 
O  Conselho  Federal  da  Ordem  dos  Advogados  do  Brasil (OAB) ajuizará junto ao Supremo  Tribunal  Federal  Argüição  de  Descumprimento  de Preceito Fundamental (ADPF)  para garantir que a Lei 10.559/02 seja interpretada conforme a Constituição Federal,  estabelecendo  a  inexistência  de  regimes  jurídicos  diferenciados para os anistiados  políticos,  independentemente  da  época  e  dos  fundamentos l egais da declaração  de  anistia.  A OAB, que ajuizará a referida ação a pedido da Associação Democrática  e Nacionalistas de Militares (Adnam), busca ainda, a garantia de oferta de  tratamento  isonômico  aos  membros de uma mesma carreira, tenham sido estes anistiados ou não, e o respeito ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito.

A  decisão  de  ajuizar a ADPF neste sentido foi tomada hoje (16) na sessão plenária da OAB, conduzida pelo presidente nacional da entidade, Cezar Britto, e tendo como relator  o  conselheiro  federal  da  OAB  pelo  Rio de Janeiro, Carlos Roberto Siqueira Castro.  Os  membros  da  Adnam entregaram à OAB relatos, documentos e decisões judiciais  que  demonstram  a dificuldade que ex-militares têm tido para fazer valer o seu  direito  à  obtenção  da  condição  de  anistiados.  Benefícios  assegurados aos militares  e  a  seus  dependentes  estariam sendo negados sob o argumento de que haveria  um  regime  jurídico próprio, e mais restrito, aplicável apenas aos anistiados políticos. Os militares que recorreram à OAB sustentam, ainda, que o próprio uso das respectivas  patentes  estaria  sendo vedado aos anistiados. Um dos subscritores da representação  feita  à OAB é o brigadeiro Rui Moreira Lima, ex-piloto de combate da Força  Aérea  Brasileira na Segunda Guerra Mundial e que, em combate, executou 94 missões.

Em  seu  voto,  o conselheiro Siqueira Castro afirma que a interpretação literal da Lei 10.559/02  tem  ensejado  a prolação de decisões incongruentes e altamente lesivas aos  anistiados  políticos  e  que,  no  caso  do  perseguido  político, que teve a sua carreira  profissional  interrompida  pelo  ato de exceção, o principal efeito da anistia deve ser a sua recondução ao status quo anterior.

"Não  se  pode  discriminá-lo,  portanto,  perante  outros  membros de sua categoria profissional",  afirmou  o  relator  da  matéria  na  OAB.  "Não  se compreende que se pretenda impor ao anistiado uma nova discriminação, impedindo-o de ser reintegrado à  sua  carreira  com  os  benefícios  correspondentes,  mas  conferindo-lhes apenas parcialmente,  e  não  integralmente,  alguns  benefícios  inerentes  ao  cargo  ou  a patente", acrescentou em seu voto. Atuou como revisor da matéria no pleno da OAB o conselheiro federal por Minas Gerais, Mauro Lúcio Quintão.

Com  base  nesses  entendimentos,  o voto  de Siqueira Castro foi seguido por ampla maioria no Pleno do Conselho Federal para requerer que os artigos 1º, 16 e 17 da Lei 10.559/02  sejam  interpretados  em  conformidade  com  o  texto  constitucional, obedecendo  as  seguintes  premissas:  que  o regime do anistiado político não pode servir  para legitimar discriminações entre os anistiados e demais servidores públicos, membros  da mesma carreira; que não existem diferentes regimes jurídicos aplicáveis a  classes  distintas  de anistiados; que o artigo 16 da referida Lei não impossibilita a concessão  de  benefícios  contidos  nesta  norma  a  todos  os  anistiados  políticos (independentemente  da lei vigente ao tempo em que lhe foi reconhecida a condição de anistiado);  e  que  o  artigo  17  da Lei 10.559/02 não permite a anulação de ato administrativo  anteriormente  praticado,  em  razão  de  mudança  superveniente de interpretação da norma.

Fonte: CF-OAB

Revista Jurídica Netlegis, 17 de Setembro de 2008


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SEXTA FEIRA - 11 DE DEZEMBRO DE 2009

Juízes lançam manifesto online contra anistia

Por Alessandro Cristo

Não parou na admissão como amicus curiae a participação da Associação dos Juízes para  a  Democracia  na  ação que questiona, no Supremo Tribunal Federal, a anistia concedida  pela  Lei  6.683/79.  Além  de  ter  entrado  como  “amiga  da  parte” na Arguição  de Descumprimento de Preceito Fundamental 153 ajuizada pela Ordem dos Advogados  do Brasil no ano passado, a entidade agora arregimenta os contrários ao perdão  de torturadores e militares que agiram em nome do Estado durante o período da ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985.

A  campanha  foi  lançada  nesta  terça-feira  (8/12),  Dia  da  Justiça.  No  site  da associação,  um  apelo  destinado ao presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes vai  assinado  pelo  Comitê  Contra a Anistia aos Torturadores e, até agora, por mais 1.399  nomes —  alguns  repetidos —  que  pedem  punição  aos  responsáveis  por torturas  e  assassinatos  de  militantes.  No  manifesto  online  é possível encontrar assinaturas de figuras ilustres como Antonio Candido, Helio Bicudo, Chico Buarque de Holanda,  José  Celso  Martinez  Correa,  Aloysio Nunes Ferreira, Frei Betto, Marilena Chauí,  Luiz  Fernando  de  Camargo  de  Barros  Vidal,  Sergio  Mazina, Alberto Silva Franco, Sergio Salomão Scheccaira e Airton Mozart Valadares Pires.

Além  de esticar a lista do abaixo-assinado eletrônico, no formulário online é possível também  deixar  um  comentário  sobre  o  assunto,  como fez o reverendo Frederick Morris,  que  postou  o  seu  da Nicarágua.  “Como  vítima  de  tortura  por parte do Exército   Brasileiro   em  1974,  já  ‘anistiado’  pelo  Ministério  da  Justiça, continuo indignado  pela  impunidade  para  os  torturadores  e  assassinos  daquela  época. Basta!”, afirma.

Na ADPF, a OAB contesta o primeiro artigo da Lei 6.683/79, que anistia os crimes de qualquer natureza praticados por motivação política no período de 2 de setembro de 1961  a 15 de agosto de 1979. Os advogados pedem ao Supremo uma interpretação mais  clara  desse  trecho  da lei,  de forma que a anistia não se estenda aos crimes comuns  praticados  por  agentes  públicos acusados de homicídio, desaparecimento forçado, abuso de autoridade, lesões corporais e estupro.

Para  a  AJD,  tortura,  assassinato  e  desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade e, portanto, não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia do Estado. O  processo  está  nas mãos do procurador-geral da República desde de fevereiro e, assim que devolvido,  deve  ser  colocado na pauta do Plenário pelo ministro relator, Eros Grau.

ADPF 153

Leia o manifesto da Associação dos Juízes para a Democracia.

APELO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO ANISTIE OS TORTURADORES!

Exmo. Sr. Dr. Presidente do
Supremo Tribunal Federal
Ministro Gilmar Mendes

Eminentes  Ministros  do  STF:  está  nas  mãos  dos  senhores  um  julgamento  de importância  histórica  para  o  futuro  do Brasil como Estado Democrático de Direito, tendo  em  vista  o  julgamento  da  ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos  Advogados  do Brasil, que requer que a Corte Suprema interprete o artigo 1º da Lei  da  Anistia  e  declare que ela não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes  da  repressão  contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, pois eles não cometeram crimes políticos e nem conexos.

Tortura,  assassinato  e  desaparecimento  forçado  são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia.

O  Brasil  é  o  único  país  da  América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos  da  ditadura  militar  e  é  de  rigor  que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país.

A  banalização  da  tortura  é  uma  triste  herança  da ditadura civil militar que tem incidência direta na sociedade brasileira atual.

Estudos científicos e nossa observação demonstram que a impunidade desses crimes de  ontem  favorece  a  continuidade  da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra as populações pobres.

Afastando  a incidência da anistia aos torturadores, o Supremo Tribunal Federal fará cessar  a  degradação social, de parte considerável da população brasileira, que não tem  acesso  aos direitos essenciais da democracia e, nesta medida, o Brasil deixará de  ser  o país da América  Latina que ainda aceita que a prática dos atos inumanos durante a ditadura militar possa ser beneficiada por anistia política.

Estamos certos que o Supremo Tribunal Federal dará a interpretação que fortalecerá a democracia no Brasil, pois Verdade e Justiça são imperativos éticos com os quais o Brasil tem compromissos, na ordem interna, regional e internacional.

Os  Ministros  do  STF  têm  a  nobre  missão  de  fortalecer a democracia e dar aos familiares,  vítimas  e  ao povo brasileiro a resposta necessária para a construção da paz.

Não  à  anistia  para  os torturadores, sequestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar.

Comitê Contra a Anistia aos Torturadores


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SEXTA FEIRA - 27 DE NOVEMBRO DE 2009

Comunicado da Comissão de Anistia


Considerando  a  mudança  do  local  do  arquivo  da  Comissão  de Anistia, a fim de garantir  a  segurança  e  funcionalidade  dos  dados  históricos  que  o  integram, e considerando, ainda, que a tramitação processual impossibilita a referida mudança; a Comissão de Anistia resolve:

1-Suspender,  no  período  de  30/11/2009  a  12/02/2010,  os  pedidos  de vista de processos que se encontram no setor de arquivo;

2-Suspender,  no  mesmo  período,  a  tramitação  de  processos  entre  o  setor de arquivo e os demais setores da Comissão.        


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Sábado Resistente

  

8 de agosto de 2009, das 14h às 17h30

Memorial da Resistência de São Paulo – Largo General Osório, 66 – Luz 

         40 ANOS DA CRIAÇÃO DA OPERACÃO BANDEIRANTE 

   A REPRESSAO CLANDESTINA TRANSFORMADA EM  ROTINA 

Um  dos  órgãos  de  repressão  mais  violentos  da  Ditadura  Militar  no  Brasil foi a chamada  Operação  Bandeirante  (OBAN),  criada  pelo II Exército em São Paulo, no mês  de  julho  de  1969.  Foi um centro integrador das forças que reprimiram os que resistiam  ao  regime  ilegal  e  ilegítimo  dos  militares  que  deram o Golpe em 1964, instalado na Rua Tutóia, onde atualmente funciona o 36° Distrito Policial da cidade. 

Para  debater  sobre  esta sinistra organização, sua história e influência durante “os anos  de  chumbo”,  o  Núcleo  de Preservação  da  Memória  Política  do  Fórum Permanente  de  Ex-Presos  e  Perseguidos  Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência de São Paulo convidam para as palestras de três eminentes estudiosos sobre o legado da OBAN nos dias de hoje. 

 
Programa:

14h – 14h15: Apresentação/Coordenação:

Marcelo Mattos Araújo – Memorial da Resistência de São Paulo

Ivan Seixas –  Jornalista,  ex-preso  político  – Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política e do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo

 
14h15 –15h45: Palestras

Moderador: Maurice Politi

Presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política e Diretor do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Ex-preso político.

 
Debatedores

Dr. José Henrique Rodrigues Torres

Juiz  de  Direito  da  Vara  do  Júri de Campinas e professor de Direito Penal da PUC-Campinas.
Secretário-Executivo da AJD (Associação dos Juízes para a Democracia).  

 
Profa. Dra. Mariana Joffily

Mestre  em  História  pela Sorbonne (Paris IV), doutora em História Social pela USP e pós-doutoranda  em  História pela UFSC. Autora da Tese "No centro da engrenagem: os interrogatórios da Operação Bandeirante e do DOI-CODI de São Paulo (1969-1975)" 

 
Dr. Marlon Weichert

Procurador Regional da República, Mestre em Direito Constitucional (PUC) e Professor de Direito Constitucional, Tributário e Sanitário. Autor, conjuntamente com a Dra. Eugenia  Favero,  da Ação Civil Pública que pede a responsabilização civil dos comandantes do DOI-CODI por tortura e mortes ocorridas durante o regime militar. 
 

15h45 –16h40: debate 
 

16h45 –17h30: visita ao Memorial da Resistência de São Paulo 
 

Sobre a OBAN 

Inicialmente, foi um centro clandestino de detenção e tortura que reuniu integrantes das  três  forças  armadas,  assim  como  um pequeno contingente “selecionado” de soldados  da  Força  Pública  e  da  Policia  Civil do Estado de  São Paulo. A partir de meados de 1970, a Operação Bandeirante tornou-se uma estrutura oficial das forças do  Exército,  passando  a  ter o nome de DOI-CODI (Destacamento de Operações e Informações  ligado  ao  Centro de Operações de Defesa Interna). Na década de 80, os DOI foram renomeados SOP – Setor de Operações. 

Calcula-se  que  passaram  pela  OBAN  mais  de  10.000  prisioneiros.  Os  seus comandantes,  hoje  processados  pelo  Ministério  Público  Federal,  foram   os responsáveis  por   inúmeras  mortes  de combatentes sob torturas e execuções nas dependências deste organismo ou em vias públicas. 

O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da  Resistência  de  São  Paulo.  É  o  espaço  de  discussão entre companheiros combatentes de ontem  e de hoje, pesquisadores, estudantes e interessados para o debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa  preocupação  é  estimular  a  discussão  e  o  aprofundamento  dos conceitos  de  Liberdade,  Igualdade  e  Democracia,  fundamentais  ao  Ser Humano  em  busca  de  sua  libertação. 





QUINTA - 14 de maio de 2009

Comissão de Anistia julga hoje processos de 32 cidadãos do Triângulo Mineiro    Ex-membros do MR-21 serão homenageados

Em  30  de  julho  de  1967, um perigoso grupo terrorista, formado, entre outros, por mais  de  duas  dezenas  de  cidadãos  de  Uberlândia,  foi desmontado pelo Exército brasileiro.  Liderados  pelo  dentista  Guaracy  Raniero —  que pretendia realizar uma grande  ação  no  dia  24 de agosto daquele ano, com atentados a prédios públicos, fuzilamentos  de  civis  e  a  participação  de 200 homens armados —, os terroristas foram  presos  e  levados  para  Brasília.  O líder  ficou  detido por 33 dias na capital federal e foi levado para a cidade de Juiz de Fora, onde passou dois anos preso.

Essa  foi  a  versão  da história sobre a prisão do dentista Guaracy Raniero divulgada em  toda  a  cidade  pelos  militares,  após  aquele 30 de julho. Fundado no início de 1966,  o  Movimento  Revolucionário 21 de Abril não pegou em armas, nem tampouco organizou  ações  violentas  contra  o  regime  militar.  De  seu s urgimento  até  o desbarateamento  pelo  Exército,  o  grupo  realizou  muitas  discussões  e reuniões, apoiadas pelo Partido Comunista do Brasil e por seguidores do ex-governador do Rio Grande  do  Sul,  Leonel  Brizola.  Segundo  Guaracy  Raniero,  hoje com 85 anos, as ligações  com  o “partidão”  e  os  brizolistas  garantiram  ao  MR-21  a  suspeita  de comunista e, por isso, foram presos pelos militares.

Na  manhã  de hoje,  Guaracy  e  seus  companheiros  de MR-21  (Irto  Marques dos Santos,  Elias  Parreira  Barbosa,  Romário  Ribeiro  Júnior,  Edmo de Souza e Antônio Jerônimo de Freitas) serão homenageados pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que participa  da  sessão solene em memória aos perseguidos políticos do Triângulo. Dom Estevão  Avellar,  bispo  da  região  do  Araguaia  na  época  de  atuação do MR-21, também será homenageado.

O  evento,  que  acontece  no campus Santa Mônica da UFU, abre o segundo dia da programação  da  22ª  Caravana  da  Anistia,  projeto  da  Comissão  de  Anistia  do Ministério  da  Justiça,  seguido  pela  sessão  de  julgamento  de  32  processos  de perseguidos  políticos  com pedidos de indenização. Os trabalhos serão dirigidos pelo presidente da Comissão, Paulo Abrão Pires Júnior.

Um  dos  casos  que  serão  julgados  hoje envolve cinco integrantes de uma mesma família  —  o  pai  Sebastião  Vieira,  a  mãe Maria Rodrigues Vieira, e os filhos Euler, Joana D’Arc e Marina Vieira (já anistiada pelo governo federal).

Exílio

Após a prisão em Juiz de Fora, o dentista Guaracy Raniero decidiu pelo autoexílio em Montevidéu,  Uruguai. Lá, ficou 33 meses, até retornar a Uberlândia, onde tinha uma sólida  carreira  profissional,  esposa  e  filhos.  “A  história  do  MR-21  foi  feita por cidadãos  que,  munidos  de  um  sentimento  de brasilidade, contestaram o governo militar, que havia destituído o presidente eleito constitucionalmente, e que implantou um regime ditatorial durante 20 anos”, afirmou Raniero.

Caravana estimula debate no meio acadêmico

Para  o  professor  do  Instituto  de  Geografia da UFU, Élisson César, a presença da Caravana  da  Anistia  em Uberlândia vai estimular a discussão sobre este período da história  nacional no ambiente acadêmico. “A importância desses três dias de evento é  que ele inaugura o debate sobre o tema dentro da universidade, abordando todas as  suas  implicações  jurídicas  e  sociais.  Os  universitários passam, então, a ver a questão da anistia não só como uma reparação econômica do Estado, mas, também, como uma revisão da história nacional”, disse o professor.

Hugo  Mendes,  estudante  do 5º período de História da UFU, acredita que “pensar a anistia  política  é  abrir  espaço  para  debater os fatos que envolvem a memória do período militar, analisando-o através de vários olhares e documentos”. Para o 1º ano de j ornalismo Francklin Tannús, a realidade dos tempos de ditadura está distante do cotidiano  dos atuais universitários. “Mas isso não tira o mérito daqueles que lutaram pela redemocratização do país”, disse.

A  conselheira  da Comissão de Anistia, Roberta Camineiro Baggio, participou, ontem, no  primeiro  dia  da  caravana, da mesa-redonda “Justiça de Transição”. Ela afirmou que  “tratar  da  anistia  é  tratar  da  redemocratização  do  País  e r efletir sobre a violência  inadmissível  que  foi  praticada  pelo próprio Estado contra os brasileiros”. “Temos  que  partir  dos  trabalhos  da  comissão  para podermos olhar o futuro com esperança  de construir uma liberdade pública que valorize todos os brasileiros como seres humanos”, disse.

Programação da Caravana 
 
Hoje

9h30 -  Sessão solene de memória e homenagem a dom  Estevão Cardoso de Avellar e Guaracy Raniero, com presença do ministro da Justiça, Tarso Genro

11h – Abertura da Exposição Fotográfica “A Ditadura no Brasil: 1964-1985”

14h30 –  Sessão  de  julgamento  da  Comissão de Anistia (anfiteatro e sala 209 do bloco 3Q da UFU

20h– Show musical do cantor Calvino, no Mercado Municipal
 
Amanhã

10h – Mesa-redonda “Tortura e Reparação: o alcance da Lei de Anistia”

Debatedores

Afonso Lana  – professor assistente do Departamento de Artes Visuais da UFU, ex-preso político e anistiado

Heládio José de Campos Leme  – professor  aposentado da UFU, ex-preso político e anistiado

Paulo Abrão Pires Jr. – Presidente da Comissão de Anistia

Mediador: Leonardo Barbosa e Silva – professor do Departamento de Ciências Sociais da UFU

14h – Solenidade de encerramento

Carlos Tibúrcio – jornalista, coautor do livro “Dos filhos deste solo”

Jô Moraes – Deputada federal

Correio de Uberlandia





Quarta - 13 de maio de 2009

Pedidos de anistia serão julgados a partir desta quinta-feira em Uberlândia

 • A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça chega hoje (13) a Uberlândia (MG), onde,  a  partir  de  amanhã  (14), começará a julgar os requerimentos de reparação feito por ex-perseguidos políticos da região do Triângulo Mineiro. A sessão especial é um  reconhecimento  ao fato de que a resistência à ditadura militar (1964/1985) não se  restringiu  apenas  às capitais, tendo a região mineira desempenhado importante papel na construção da democracia.

Durante  a  cerimônia,  dois  mineiros  serão  homenageados  por  terem resistido ao regime  militar. Um deles é o atual bispo emérito de Uberlândia, Dom Estevão Avellar. No  início  da década  de  70,  Avellar era bispo da região onde se deu a Guerrilha do Araguaia.  O  outro,  Guaracy  Raniero, foi um dos principais dirigentes do Movimento Revolucionário 21 de Abril, braço da esquerda nacionalista vinculada a Leonel Brizola, desmantelado  em  1967  com  a  prisão de 22 integrantes. Raniero cumpriu pena de dois anos em Juiz de Fora (MG).

Cinco  dos processos que serão julgados nesta quinta-feira envolvem ex-integrantes do  Movimento  21 de Abril: Irto Marques dos Santos, Elias Parreira Barbosa, Romário Ribeiro Júnior, Edmo de Souza e Antonio Jerônimo de Freitas.

Também  será apreciado o processo do atual secretário de Educação do município, o médico  Afrânio de Freitas Azevedo. Ex-militante comunista, Azevedo foi responsável pela  cirurgia  plástica que transformou o rosto de Carlos Lamarca, um dos principais guerrilheiros do país. A conseqüência foi sua prisão, por 73 dias, no Rio de Janeiro.

Ainda  segundo  a  nota  do ministério, outro caso emblemático será o julgamento de quatro integrantes da mesma família: Sebastião Vieira e Maria Rodrigues Vieira foram perseguidos  em  razão  da  militância  exercida  por  seus  filhos Euler, Joana DArc e Marina (esta já anistiada).

Serão  realizadas  duas  mesas-redondas  com  a  participação de especialistas para discutir  os temas Justiça de Transição e A Natureza do Regime. Na quinta, a sessão de  julgamentos  será aberta pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Também estarão presentes  o  presidente  da comissão, Paulo Abrão, o reitor da Universidade Federal de  Uberlândia  (UFU),  Alfredo  Julio  Fernandes  Neto, e o bispo de Uberlândia, Dom Paulo Francisco Machado.

Na  sexta-feira,  o  evento  será  encerrado  com um debate sobre o tema Tortura e Reparação: o Alcance da Lei de Anistia.

Desde  sua  criação,  em  2002,  a  Comissão  de  Anistia  recebeu  mais  de  64  mil requerimentos  de anistia política. Destes, cerca de 45 mil já foram julgados. Vinte e nove  mil  pessoas  foram  anistiadas,  das  quais aproximadamente 12 mil receberam reparação econômica por terem sofrido comprovados danos materiais. Segundo nota divulgada pelo ministério, a comissão quer zerar a pauta de julgamentos até o fim de 2010.

Agência Brasil





Sexta - 09 de maio de 2009
  

Lei da Anistia é tema de Seminário

Na  próxima  semana  (11 a 15/5),  o  Arquivo  Público  do  Estado  de  São Paulo, a Pinacoteca  do  Estado  e  a  Associação de Amigos do Arquivo realizam o Seminário Internacional “A Luta pela Anistia: 30 anos”.

O  evento  que  acontecerá  na  Pinacoteca  do Estado tem como objetivo discutir a punição  aos  torturadores,  as  reparações  aos  anistiados políticos, a abertura dos arquivos da repressão e o acesso às suas informações, que atualmente esbarram em leis de sigilo e classificação de documentos.

Também  irá  abordar  temas menos explorados no debate público como a história da campanha  da  anistia,  a  experiência dos países latino-americanos e a participação das  mulheres  no processo de democratização. A proposta do evento é discutir a lei da  Anistia  e  refletir  o  legado  que  os  anos  da  ditadura  militar  e suas práticas deixaram para o presente. 

O  seminário  contará  com  a  presença  de  pessoas,  como Aloysio Nunes Ferreira, Secretário  da  Casa Civil do Governo de São Paulo,  Luis Antonio Marrey, Secretário da Justiça de São Paulo, Paulo Vannuchi, Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência  da  República,  Paulo  Abrão,  Presidente  da  Comissão  de  Anistia  do Ministério da Justiça e representantes do poder público, militantes políticos, ativistas e pesquisadores.

A  conferência  de  abertura  será  proferida  por  Pedro  Nikken,  ex-presidente  da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Os interessados devem se inscrever pelo site www.arquivoestado.sp.gov.br/30_anistia.php

Serviço
Pinacoteca do Estado
Largo General Osório, 66, Luz
Tel.: (11) 2221-4785 ramal 2023





Quinta- 09 de abril de 2009



                                        Sábado Resistente  

                                                               Data: 18 de abril de 2009

                                                              Horário: das 14h às 17h30

                                 Local: Memorial da Resistência - Largo General Osório, 66 – Luz

 
                       O PAPEL DA MÍDIA NA DEMOCRACIA

                          E DURANTE A DITADURA MILITAR

O  recente  debate levantado pelo jornal Folha de São Paulo, que tentava relativizar a  importância  da  Ditadura  Militar  ao  dizer que no Brasil  houve  uma  Ditabranda, reacendeu  a  antiga  questão  sobre  o  papel  da  mídia  na  derrubada do Governo Constitucional  de  João Goulart  e  a  sua  colaboração  na  destruição do processo democrático  de  então. O apoio ao Golpe de 1964 acabou por defender o regime de Terrorismo  de  Estado  e  alguns órgãos de comunicação passaram a ser coniventes com as torturas e os assassinatos.  

 

Com  que  direito  a  mídia  pode  ajudar  na  derrubada  de  governos?  Quais  seus interesses?  Quais  os meios para conter esse poder devastador da mídia? Qual deve ser a relação da Sociedade Civil com a mídia?

 

Núcleo  de  Preservação  da  Memória  Política  do  Fórum  de  Ex-Presos  e Perseguidos  Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência convidam para um debate sério sobre este importante assunto.

 

Coordenação:

Alípio Freire

Jornalista,  ex-preso  político  e  membro  do  Núcleo de Preservação da Memória Política

 

Debatedores: 

Rodrigo Vianna

Jornalista e editor do site O Escrivinhador

Trabalhou  na  Rede  Globo  e  rompeu publicamente com a empresa por discordar da cobertura  tendenciosa  das  últimas  eleições  presidenciais.  Hoje trabalha na Rede Record.

 

Beatriz Kushnir

Historiadora  e  autora  do  livro  Os Cães  de Guarda, que tem como foco central o papel do Grupo Folha durante a ditadura e sua colaboração com a repressão política, principalmente com o DOI/CODI-SP.

 

Na ocasião, haverá o re-lançamento dos livros: No corpo e na alma (autobiográfico) de autoria de Derlei De Lucca, ex presa política catarinense, e Os Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir.
   
 

O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da  Resistência.  É o  espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, amigos, estudiosos, estudantes e visitantes do Memorial da Resistência  para  o debate  de temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964.

 

Nossa  preocupação  é  estimular  a  discussão  e  o  aprofundamento  dos conceitos  de  Liberdade,  Igualdade  e  Democracia,  fundamentais  ao  Ser Humano em busca de sua libertação.





Sexta- 06 de março de 2009

Por  ocasião  das  comemorações  do  Dia  Internacional  da  Mulher,  a Comissão de Anistia,  em  parceria  com o PRONASCI, estará realizando nesta 6ª feira (06/03) a 9ª Anistia Cultural sob  o tema: “Memórias do Feminino: vivências, resistência e protagonismo  das  mulheres  nas lutas  por democracia”,  a ser  debatido pelas convidadas Jessie Jane, Moema Viezzer e Margarida Genevois. 

Após,  será  realizada  Sessão  Especial  de  Julgamento de requerimentos de anistia política de mulheres que atuaram na resistência à ditadura militar.






                                   Evento marca 40 anos da expulsão

                                  de UNIVERSITÁRIOS NA DITADURA

Brasília, 26/02/2009

Era  26  de  fevereiro  de  1969  quando o decreto-lei 477 sufocou o que restava de liberdade  no  movimento estudantil. O texto, assinado pelo presidente Costa e Silva cassou  o  direito  de  centenas  de  universitários  de  freqüentar as aulas e proibiu professores de ensinar. Quarenta anos depois, o decreto será lembrado na 8ª Anistia Cultural, marcada  para o dia 27, às 10h, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro.

O evento é promovido pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em parceria com  a  OAB-RJ  e  a  União  Nacional  dos  Estudantes (UNE). Será realizado um ato público, com “sessão de memória” em homenagem aos perseguidos pela ditadura. Em seguida,  a  Comissão  julgará  cerca  de  15 processos de pessoas que declaram ter sido atingidas pela norma de 1969.

Criado  à  sombra  do  Ato  Institucional  nº  5,  de  dezembro  de  1968,  o  477  se caracterizava  pelo  rito  sumário.  O  decreto  definia  toda suspeita de “subversão” como  infração disciplinar sujeita a punição. Professores e servidores eram demitidos e  impedidos  de  trabalhar  em  qualquer  outro estabelecimento de ensino por cinco anos.

Para  os  alunos,  a  pena era a expulsão e a proibição de estudar pelo prazo de três anos.  Os  bolsistas  perdiam  os  benefícios e os estrangeiros eram extraditados. "O capital  humano  brasileiro  foi  afetado  e é evidente que o prejuízo histórico e atual para  o campo intelectual e para a potencialidade científica brasileira é imensurável", afirma o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

Resgate da memória -    em  todas  as  regiões  do  país  estudantes  estiveram proibidos de  entrar  no  campus  e milhares de carreiras foram abortadas. Entidades representativas,  como  a  UNE,  passaram  à  ilegalidade.  Houve  tentativas  de resistência,  como na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP),  onde os alunos chegaram a organizar uma greve.

A situação,  porém,  perdurou  até  1979, quando o decreto foi revogado pela Lei da Anistia.  “Era  um  sentimento  de  morte civil. Uma situação muito desmoralizadora”, recorda  o  professor  carioca José  Geraldo,  hoje  reitor  da Universidade de Brasília (UnB).

Em  1969  José  Geraldo  era  estudante  secundarista  em  São Paulo.  Presenciou a expulsão  de  muitos universitários que nunca mais retornariam ao estudo. Anos mais tarde, atuou como advogado de alguns deles para exigir a reintegração. “No caso da UnB,  o  decreto  477 foi transcrito no próprio estatuto da universidade, que vigorou até a redemocratização”, conta.

Para  o  professor,  que  participará da 8ª Anistia Cultural, relembrar acontecimentos marcantes  como  esse  é  resgatar  a  memória  e  a  verdade.  “Serve  para  que mantenhamos  a  disposição  de  evitar  que  essas coisas voltem a ocorre”, afirma.
A  frase  tem  a  mesma  conotação  das palavras  que  o ministro da Justiça, Tarso Genro,  tem  dito:   “Temos  o  dever  da  preservação  da  memória  histórica  e da reparação aos perseguidos politicamente".

Reitores de universidades federais e estaduais de todo o país foram convidados para o  evento.  Participam  também  o  secretário  especial  de  Direitos Humanos, Paulo Vanucchi,  e os presidentes da OAB-RJ, Wadih Nemer Filho, e da UNE, Lúcia Stumpf.

Anistia Cultural

O  projeto  Anistia  Cultural  pretende  dar  visibilidade  a  fatos  históricos ocorridos durante  o  regime  militar,  colocando  o  assunto  na  pauta  social.  O  propósito é democratizar  o  acesso  às  informações,  contribuindo  para  a  formação  cultural, humana  e  política  dos  jovens.  Eventualmente,  promove  também  sessões  de julgamento.

A  próxima  edição  do  projeto  está marcada para o dia 6 de março, em Brasília, em homenagem  ao  Dia  Internacional  da Mulher.  O tema será: “Memórias do feminino: vivência, resistência e protagonismo nas lutas por democracia”.

Fonte: ACS-MJ



                               12 de fevereiro de 2009





                            27 de janeiro de 2009

                           Governo debate temas sociais no Fórum Mundial

Começa   nesta  terça-feira  (27),  em Belém,  no Pará, a 8ª edição do Fórum Social Mundial.  O  evento,  que  se  estende  até  1º  de  fevereiro,  é uma  expressão da democracia  participativa  em  nível internacional, onde são discutidos temas com os quais  o  governo  brasileiro se identifica, como a igualdade de gênero, o combate às discriminações, inclusão social, distribuição de renda e desenvolvimento sustentável, entre outros.
  
A  Secretaria-Geral  da  Presidência da República é responsável pela participação do governo  federal  no  Fórum, tendo em vista sua atribuição de coordenar as relações com os diferentes segmentos da sociedade civil e dos movimentos sociais.  Mediante convênios  com  os  ministérios  da  Justiça,  Saúde,  Turismo   e  Educação   foram repassados R$ 77 milhões ao governo do Pará para ações relacionadas a essas áreas que,  além de melhorar a estrutura local para receber os mais de 80 mil visitantes do Brasil e do mundo, vão trazer melhorias permanentes para os habitantes da capital.
  
Na  quinta-feira  (29),  o  presidente  Luiz  Inácio  Lula  da Silva,  ao lado  de outros quatro  presidentes sul-americanos Evo Morales (Bolívia), Hugo Chavez (Venezuela), Rafael  Correa  (Equador)  e Fernando Lugo (Paraguai), se encontra com integrantes do  Fórum  Social  Mundial  em um  grande evento organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT),  Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e Instituto  Paulo  Freire  (IPS).  Oito  mil  pessoas  devem  participar  do encontro no Centro  de Convenções do Hangar. Na sexta-feira (30), o presidente se reúne com o Comitê  Internacional  do  Fórum.  O  Comitê  é  integrado  por  165 organizações da sociedade civil.
  
Ministros brasileiros – Doze ministros brasileiros, além de secretários e técnicos de suas  respectivas  pastas,  participarão  de  diversas mesas temáticas a convite dos movimentos  sociais. O governo federal, em parceria com o do Pará, terá um espaço físico  para  apresentar as ações políticas públicas relacionadas aos principais temas discutidos no evento.  Levantamento dos organizadores aponta um público estimado em cem mil pessoas.
 
 “Temos  afinidades  com os  assuntos que serão tratados no Fórum. São temas que nos  preocupam  e  que  enriquecem  o  nosso  trabalho,  como as  políticas públicas elaboradas   pelas   Organizações   Não-Governamentais”,   afirmou  o  ministro  da Secretaria-Geral,  Luiz Dulci.  No  dia  30,  o  ministro integra a mesa “Governo Lula: realizações  e  perspectivas”,  a convite da Fundação Perseu Abramo e da Fundação Maurício Grabois.   No mesmo dia,  a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as  Mulheres,  Nilcéa  Freire,  lança  a  campanha  “Mulheres, donas da própria vida – Viver sem violência”;  o ministro da Justiça, Tarso Genro, realiza a Abertura da 18ª Caravana da Anistia, com o julgamento de dez processos de perseguidos políticos do Pará  e  região; e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, participa de uma conferência sobre as perspectivas dos programas de renda básica na América Latina.
   
Saúde –  O  ministro  da  Saúde,  Jos Gomes Temporão, participou, nesta segunda-feira (26),  da  abertura  do  III  Fórum  Mundial  Social da Saúde, em Belém (PA). A atividade está inserida na 9ª edição do Fórum Social Mundial. O evento é um espaço de debate para o desenvolvimento e fortalecimento de sistemas universais de saúde e  seguridade social.   No  local,  está  exposta  a  mostra  Política  Nacional  de Humanização.  Há também um estande com testagem rápida anti-HIV disponível aos visitantes.
   
Edições anteriores  –  Já  foram  realizadas  sete  edições  do  Fórum Social: Porto Alegre  ( 2001, 2002, 2003 e 2005 ),  Mumbai/Índia  (2004),  Bamako/Mali,  Caracas Venezuela  e  Karachi/Paquistão (2006), Nairóbi/Quênia (2007). Em 2008, não houve um evento centralizado, mas uma semana de mobilização e ação global.





24 de janeiro de 2009 - sábado


Discurso de Ivan Seixas na inauguração do Memorial da Resistência:

Este  Memorial  destaca o papel da Resistência na defesa dos valores democráticos. Por  isso  foi reformado  e  devolvido  ao  povo brasileiro.  Só quem tem sensibilidade política e histórica pode dar ouvidos ao reclamo das pessoas que por aqui passaram. Esta reforma resgatou o importante documento histórico que é este prédio.

Podemos  bradar  bem  alto  que  nosso esforço de reconstruir a história é vitorioso, como vitoriosas são as  pessoas que lutaram por Democracia e Liberdade. Outra vez vencemos. Mais uma vez as forças da escuridão, que tentaram apagar as pistas dos crimes cometidos contra o povo brasileiro, foram derrotadas. A abertura deste monumento histórico mostra isso.

É sempre bom lembrar que desde o primeiro momento, quando as luzes se apagaram, as vozes  da resistência começaram a gritar contra a ditadura mais sanguinária  que o país conheceu.   Alguns  foram  gritos  de  indignação,  outros  foram  gritos organizados.  Nunca  foram calados.  Mesmo quando alguns foram transformados em gritos  de  torturados,  ainda  assim  denunciavam  a ditadura e lutavam por Justiça, Liberdade e Democracia.

Há  quarenta  anos   atrás,   neste   mesmo   dia  24  de  janeiro,  a  ditadura  foi desmascarada  por  um militar.  Neste  dia,  o  Capitão  Carlos  Lamarca denunciou a ilegalidade  do  regime d e  terror e os crimes de seus colegas de farda e se juntou à luta  das  Organizações  revolucionárias  clandestinas.  Os golpistas  e  torturadores nunca  o  perdoaram  por  esse  ato,  do  mesmo  modo  que nunca perdoaram o ex-deputado  Rubens  Paiva  que  denunciou  o  IPES  como um antro de golpistas, que havia  criado  um  serviço  secreto  particular  para  perseguir  as  pessoas  fiéis  à Democracia e contrárias ao golpe. Ambos foram perseguidos e assassinados pelos carrascos da ditadura em 1971.

   A  atitude  de  resgatar  este  velho prédio  e transformá-lo num símbolo de resistência  é a manifestação de quem luta  pela   Democracia   e   não  quer esconder nossa história. E nem apagar as  pistas  de  sangue  deixadas  por carrascos impunes até os dias de hoje.

   Não  há  como negar que o Memorial da  Resistência   é   mérito   das  lutas insistentes  do  Fórum dos  ex-Presos e Perseguidos Políticos e das várias entidades, que  rejeitaram   o  estranho  Memorial  da  Liberdade  e  defenderam  o conceito de Memorial da Resistência. Mais lógico e mais sensato.

Por  justiça,  fazemos  questão  de salientar que o atual Governo do Estado mostrou seu  compromisso democrático e a determinação de revelar esse prédio como centro de torturas e assassinatos, sem esconder a verdade e sem mascarar a realidade. Nisso  o  secretário  João Sayad  e  o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, tiveram papel  decisivo  e  fundamental.  Para  cumprir  seu  pape l histórico  e  didático,  no entanto,  o  Memorial  da  Resistência  deve  ter  um  destino  militante.  Projetos  e programações  a  devem  sensibilizar  a  sociedade  sobre a importância da luta pela Anistia,  a Justiça  de T ransição e os Direitos Humanos para a Democracia. Para nós do  Fórum  dos  ex-Presos  e  Perseguidos  Políticos,  o objetivo maior é completar a transição democrática, consolidar e aprofundar a Democracia.

Devemos  usar  os  danos causados pela ditadura como instrumentos para fortalecer nossas  instituições.  Que  eles  ajudem  o  Estado Brasileiro a ter vontade política e ações  na  defesa do direito à Memória,  Verdade, Justiça e Reparação. E que sirvam de  base  para a  construção de uma verdadeira Democracia, que garanta os direitos fundamen tais e uma vida digna ao povo de nosso país.

No  ano  de  2008 houve a união de entidades, personalidades e autoridades na luta comum  pelos  Direito s Humanos  em defesa da Democracia. Fizemos nossa parte ao criar  uma  articulação nacional das entidades dos atingidos, em defesa da transição completa  para  a  democracia.  A  CBA-Brasil,  Coordenação  Brasileira  pela Anistia, reúne entidades dos atingidos e de defesa dos direitos humanos de todo o país, com a  preocupação  de  participar  do  grande  debate  que  se  trava  sobre os Direitos Humanos.  Queremos  também  fazer frente à investida da direita mais retrógrada de nosso país,  que não dorme e não se cansa de procurar as trevas como cenário para seus atos.   Mais  que  isso,  apoiamos  as iniciativas  em  defesa  do  povo  e  da democracia.

Vemos  com  preocupação  o  presidente  d Supremo Tribunal Federal se transformar no  porta-voz  das  forças  do atraso  e  da  defesa dos torturadores dos tempos da ditadura.  Por  outro  lado,  aplaudimos  a  ação  dos  Procuradores  Federais Marlon Weichert  e  Eugênia  Fávero   na  luta  incansável  pela  responsabilização  dos torturadores.

Do  mesmo modo, apoiamos os ministros Paulo Vannuchi e Tarso Genro que iniciaram o  debate  sobre  a  punição  aos  torturadores.   Este  último  deu  ainda  uma demonstração  de grandeza  e soberania nacional ao dar asilo político a um militante de esquerda ameaçado de retaliação pelos neofascistas italianos.

O  ano  de  2009  é  rico  em  simbolismos para a recuperação de nossa História. Em agosto,  comemoraremos  os  30  ano s da  Lei de Anistia, que não foi ampla, geral e irrestrita  como  queríamos  e o país necessitava, mas foi uma importante derrota do regime  de  terror,  que  tev e  de ce der os anéis para não perder os dedos.  Temos muito o que comemorar nessa data.

No  entanto,  lembraremos  os  45  ano s do golpe  de 64  contra a democracia e os quarenta anos da criação da famigerada e infame Operação Bandeirante. Lembraremos  que  há  quarenta  anos  João  Cândido,  o Almirante negro, morria na miséria  e  a  ditadura  assassinava  Carlos Marighella.   E  que  a  repressão política executou o operário Santo Dias da Silva há 30 anos. Nunca esqueceremos disso.

Nosso compromisso de não esquecer e cobrar  punição  para  os  torturadores dos tempos da ditadura tem um motivo muito  claro.  A  impunidade  desses agentes do  Estado  é  um  incentivo a prática  de  torturas  e  assassinatos pelos  agentes  atuais.  A  tortura  em órgãos policiais e instituições militares, o  assassinato  e  a  violência  contra pessoas pobres, principalmente jovens, são uma triste realidade da atualidade.

A  sociedade  brasileira,  as instituições democráticas e o Estado brasileiro, precisam sinalizar com clareza que não aceitam esses crimes de lesa-humanidade, apurando a Verdade  histórica,  única  garantia da consolidação da Democracia e de construção de um futuro melhor.

Temos como tarefa a realização, neste ano, de nosso Congresso Nacional dos Atingidos para que os perseguidos falem por suas próprias vozes. Será um encontro para mostrar todos os crimes da ditadura, os traumas, as seqüelas sociais e denunciar as práticas autoritárias que perduram até hoje.

Acreditamos que o governo estadual e o governo federal se juntarão para dar apoio e suporte a essa nossa iniciativa, pois esse assunto está acima de disputas partidárias. A ditadura atingiu a todos nós brasileiros e democratas. A transição democrática incompleta exige o esforço de todos comprometidos com a Democracia e os Direitos Humanos. Não há partidos nessa luta. Não há argumento ou desculpa para quem se coloca contra ou sabota essa luta.

Nunca é demais lembrar que acreditamos na democracia e no futuro de nosso país. E nossa aposta é na juventude. Ela, que foi muito maltratada pela ditadura, que perdeu sua liberdade de participação, organização e manifestação, ainda é maltratada hoje. O flagelo das drogas, a violência contra crianças e jovens, a despolitização da vida brasileira, o ensino precário e alienante completam o serviço iniciado pela ditadura anti-nacional e anti-povo.

O compromisso dos atuais governos e governantes com o projeto democrático deve ser o resgate da força da juventude e o incentivo do pleno direito de organização, participação e manifestação dos jovens. 

O Fórum faz sua parte. Em 2008, realizamos várias palestras e visitas guiadas pelas celas e corredores deste prédio, com estudantes de todos os níveis. Em todas essas ocasiões, incentivamos a reflexão sobre os fatos e a conclusão de que é possível a construção de um mundo melhor. Queremos fazer dessa experiência um sucesso e uma referência nacional, com a participação de mais adolescentes, jovens secundaristas e universitários, da capital e do interior do estado.

Convidamos as autoridades do Estado e da União a formarmos uma frente em defesa de uma juventude lúcida, consciente e pronta para o exercício da cidadania. Precisamos que as duas esferas de governo deixem claro seu apoio e participem de nosso Projeto para os jovens no Memorial da Resistência. Para que muitas outras palestras, debates e atos em defesa da vida aconteçam neste espaço ora inaugurado.

Queremos também o apoio e suporte de todos os presentes e de todas as esferas de governo para a realização de nosso Congresso Nacional dos Atingidos pela ditadura.

Por último, queremos expressar nosso agradecimento ao pessoal que se empenhou na realização e execução das obras de reforma desse espaço, criando um centro de referência sem igual no país. Nossas amigas professoras Maria Luiza Tucci Carneiro e Cristina Bruno, a museóloga Katia Filipini, a historiadora Caroline Grassi, os muitos operários dedicados ao projeto e o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, que acompanhou todos os passos da reforma de perto e pessoalmente.

Nós, lutadores da liberdade, temos um compromisso com a História, um compromisso que não se finda. Nossa preocupação com os pobres de nossa terra, com a soberania nacional e com nossa juventude nos fez enfrentar o dissabor de voltar a este espaço, onde sofremos torturas de toda ordem, para cumprirmos nossa obrigação com o país, com a história e com o futuro. Estamos todos de parabéns. Cumprimos nossa tarefa revolucionária e nosso papel solidário.

Para que nunca mais aconteçam as ditaduras e que o futuro seja melhor para nosso sofrido povo.

PELO FIM DAS TORTURAS!

DITADURA NUNCA MAIS!

VIVA A DEMOCRACIA!





               23 de janeiro de 2009 - sexta feira

          INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL DA RESISTÊNCIA




No próximo dia 24 de janeiro será inaugurado o Memorial da Resistência, objeto de muita luta e insistência dos ex-presos políticos de São Paulo.   Não será uma simples reinauguração do mesmo espaço, mas a instalação pública de  um projeto museólogo criativo e marcante do período de ditaduras em nosso país.  O velho prédio do Largo General  Osório, que foi s ede de estação ferroviária  e  do antigo DEOPS/SP, passou por uma cruel descaracterização.  Foram  destruídas duas celas e o Fundão (antigas celas  fortes  solitárias),  todo  o  espaço  recebeu  pinturas  modernosas, f oram destruídos  os  infectos  banheiros  e  rasparam as paredes onde estavam inscrições feitas  por gerações de presos políticos das várias ditaduras e períodos de repressão do  movimento  operário  e  popular  do  Brasil.   Com  um  toque  de  ironia,  o lugar maquiado  recebeu  o  nome  de  Memorial  da  Liberdade como forma de apagar a Resistência  e a determinação de milhares de combatentes, que nunca aceitaram a opressão  das  classes  dominantes e seus instrumentos ditatoriais. Vários ex-presos políticos  e  pessoas  sensíveis  à  História  lutaram pela reconstituição daquele lugar como  marco  de  lutas  contra  as  ditaduras e começaram por exigir  a mudança de nome  para  Memorial  da  Resistência,  pois  ali  havia  Resistência   e  nenhuma Liberdade

O  atual  governo  estadual  aceitou  a visão dos militantes do Fórum Permanente dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo e fez a mudança do  nome  e uma significativa  reforma para devolver um aspecto semelhante ao que era  originalmente. Foram instalados vários equipamentos audio-visuais que permitem ao  visitante saber o que foi aquele lugar e as tantas barbaridades cometidas contra nosso povo e seus mais destacados militantes.  Uma das celas foi reconstituída para mostrar  as  condições  de  vida  dos  presos  e,  para  não  esconder  as torturas e assassinatos  cometidos pelos carrascos, os equipamentos mostram depoimentos de pessoas  que  por  lá passaram.   Desde  o  ano  passado o Fórum dos ex-Presos Políticos  realiza  no  auditório  daquele  prédio  palestras  e  debates para jovens e todas as pessoas  interessadas. São os Sábados Resistentes, que reuniu uma média de 70 pessoas por evento.  

A inauguração  do  novo  Memorial  da  Resistência,  marca  o  início  de  várias atividades  que, ao longo do ano o Fórum vai desenvolver para marcar, entre outras datas:- Os 30 anos da Lei da Anistia;

- Os 40 anos sem Marighella;

- Os 30 anos sem Santo Dias da Silva;

- Os 40 anos da morte do Almirante Negro, João Candido;

- Os 45 anos do Golpe de 1964;

- Os 40 anos da criação da infame OBAN.

Durante o ano todo vamos continuar lutando pela Memória, Justiça e Verdade, para que nunca mais se repitam os horrores da ditadura.

Ajude a divulgar esta mensagem e vamos todos nos encontrar para continuar nossa luta pela Verdade e relembrar que somos Pela Vida, Pela Paz: Tortura, Nunca Mais!


Data: dia 24 de janeiro de 2009

Hora: 11 horas

Local: Memorial da Resistência (Estação Pinacoteca - Largo General Osório, 66)

Estacionamento no local

O novo Memorial da Resistência quer mostrar que a Humanidade foi mais forte, derrotou a opressão, a tortura e a barbárie. Mais importante que tudo é passar para as novas gerações a certeza de que vale a pena lutar por Liberdade, Justiça e por uma Sociedade Justa e Igualitária. 

Contamos com sua presença e participação!


Raphael Martinelli,        Maurice Politi     e      Ivan Seixas

Fórum Permanente dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo





Quinta-Feira, 06 de Novembro de 2008

Entrevista com o Dr. Paulo Abrão - Presidente da Comissão de Anistia

ESTADO DE SAO PAULO,   Versão Impressa

''Militantes exerceram direito legítimo''

Ele contesta a tese de que integrantes da esquerda que praticaram terrorismo podem ser processados se Lei de Anistia for revisada

Felipe Recondo

Presidente  da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão  contesta a tese  de  que  militantes  de  esquerda  que  praticaram ato de terrorismo durante a ditadura  militar possam ser processados caso o Judiciário revise o alcance da Lei de Anistia,  punindo  igualmente  torturadores e terroristas. Na terça-feira, o presidente do  Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, lembrou que terrorismo, assim como tortura, é crime imprescritível de acordo com a Constituição.

Integrantes do governo se  irritaram com a  declaração de Mendes e a interpretaram como  uma  resposta à  ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, militante de um grupo armado que lutou contra a ditadura militar, que dias antes havia dito ser favorável à punição dos torturadores.  "O uso da palavra ?terrorista? era típica da linguagem do regime  autoritário  para justificar  os  atos  de tortura.  É uma expressão eivada de ideologia", afirma Abrão.

O sr.  entende  que militares  e militantes de esquerda que cometeram algum crime à época da ditadura devem ser processados?

Não. Os militantes exerceram o direito legítimo de resistência e insurgência básico no liberalismo moderno.  Vigorava  uma ditadura  que os perseguia, torturava e matava. Já  foram  processados em  IPMs  (inquéritos policiais militares)  e muitos  cumpriram penas  duras,  sem direito  a  contraditório  e  ampla  defesa.  Seus  atos  foram efetivamente políticos  e, estes sim,  anistiados explicitamente pela Lei de Anistia de 1979.  Os  torturadores  eram  os  perseguidores  e usaram a máquina administrativa para  cometer  crimes  de lesa-humanidade  e  não  políticos.  Até hoje no Brasil não foram sequer  processados, estão impunes.  Há uma diferença ética e moral entre as condutas que não pode ser ignorada.

O  ministro  Gilmar  Mendes  diz  que  o  crime  de  terrorismo é imprescritível. Portanto,  a  Lei  de  Anistia, se não beneficiou torturadores, não teria livrado também terroristas.

Há  um  avanço.  O  ministro  disse  que  "os  crimes  de  terrorismo  também  são imprescritíveis".  Se  ele disse "também", revelou seu entendimento de que os crimes de  tortura  são  imprescritíveis.  Isso  é  o mais importante para a luta em favor dos direitos  humanos  e  contra  a  impunidade.  Depois,  tenho  certeza  de  que, juridicamente,  será  demonstrado  o  contexto  e  a  diferença  ética  entre atos de resistência  e  de  repressão,  entre  crimes  de  natureza  política  e crimes comuns contra  a  humanidade. O guardião da Constituição não pode querer perdoar um erro pelo outro,  em gesto  político contra o direito que estabelece a imprescritibilidade.

Como  o  sr. analisa a afirmação do ministro de que os militantes de esquerda praticaram terrorismo?

Respeito,  mas,  como  cidadão,  não  creio  adequado  que  a autoridade máxima da nossa  Justiça  emita  pré-juízo sobre um processo em que ele terá de se manifestar oficialmente, na ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Espero que ele  se declare impedido por razões éticas. O uso da palavra "terrorista" era típica da linguagem  do  regime  autoritário  para  justificar  atos de tortura. É uma expressão eivada de ideologia. Os direitos humanos não podem ser ideologizados.

A interpretação da Lei de Anistia não virou questão de governo?

A  questão  da  tortura  não  é  umaquestão de governo, é uma questão de princípio para  o  Estado,  para  o  futuro  de  nossa  democracia.  O  que  está  efetiva  e suprapartidariamente  em  discussão  é  se a nação brasileira se funda no repúdio às práticas  de  tortura  ocorridas,  seja  contra pessoas de esquerda ou de direita, em ditaduras de esquerda  ou de direita, no passado, no presente  ou no futuro.  Ou se, por questão ideológica, somos e seremos contemplativos com acordos  políticos para livrar criminosos em qualquer tempo da história.

Essa questão não deveria exclusivamente ser solucionada pelo Judiciário?

O  movimento  contra  a impunidade é da sociedade civil e dos familiares. Se tivesse sido  instituída  uma  ditadura  do  proletariado  que  tivesse  torturado  e  matado, defenderíamos  hoje  peremptoriamente  a  responsabilização desses  criminosos torturadores  do  mesmo  modo.  É uma  questão  de  fundo  sobre  a  afirmação  da democracia e das liberdades públicas.

Diante  dessas  manifestações do presidente do STF, o sr. acha possível rever a anistia para militantes de esquerda?

Existe  uma  leitura  política  equivocada  e  somente  agora  os  tribunais brasileiros deverão  decidir  qual  a  interpretação juridicamente válida. É a hora de o Judiciário brasileiro cumprir seu papel e sinalizar para o futuro.

O sr. acha possível o STF dar esse entendimento à Lei de Anistia?

Se  o STF levar em conta os tratados internacionais de que o Brasil já era signatário desde  a ditadura  e  que caracterizavam os crimes de tortura como imprescritíveis e de  lesa-humanidade  e  analisarem  corretamente  a  ação  da  OAB  à luz da nossa Constituição,  teremos  um marco  histórico,  o  mais  forte  e  definitivo  passo  de consolidação institucional de nossa democracia dos últimos tempos.

O Brasil pode vir a ser condenado por organismos internacionais?

O  Brasil a dmite  que  qualquer  cidadão  que  se sentir lesado pode acionar a Corte Interamericana  de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Já  houve  uma  citação  por  audiência.  A  Corte  pode  determinar  ao  Brasil  o cumprimento  de suas sentenças. E sua jurisprudência já aponta que, em matéria de anistia,  a  competência  da  Corte  retroage  a  antes  mesmo da  ratificação  da convenção  e  mesmo  a  fatos  anteriores  à  existência  da  própria  Corte.  A pior condenação,  porém, é moral, a de figurarmos ao lado de outros países violadores de direitos humanos.

Quem é: Paulo Abrão

Mestre e doutorando em Direito pela PUC do Rio. Tem 33 anos

Foi assessor jurídico da Secretaria de Educação de Porto Alegre. Assumiu a Comissão de Anistia em abril de 2007





OUTUBRO DE 2008

Seminário latino-americano discute justiça de transição

Brasília, (MJ) 23/10/2008

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em parceria com o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o Laboratório de Políticas Públicas da instituição, promove, nos dias 17, 18 e 19 de novembro, o Seminário Latino-Americano de Justiça de Transição - Conferência com as Comissões de Reparação e Verdade da América Latina. O evento acontece no Teatro Noel Rosa, na UERJ, e no Salão Nobre do Arquivo Nacional, também no Rio.

O objetivo é fomentar o debate sobre os quatro pilares que sustentam o processo de transição democrática e de consolidação do Estado Democrático de Direito, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Estes pilares são: o direito à justiça, à memória, à reparação e à promoção de reformas institucionais.

O evento será aberto ao público. A inscrição é gratuita e pode ser feita pelo e-mail anistia@lpp-uerj.net ou pelos telefones: 21-2234-1896/21-2587-7963 e 21-61-34299402.   Organizado em conferências, mesas temáticas e sessão de vídeo-debate, o evento abordará diversas dimensões do conceito de justiça de transição, a partir da perspectiva jurídica, política, antropológica, filosófica e sociológica.

Através dessa iniciativa, o Estado brasileiro, por meio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pretende potencializar o diálogo com organizações e militantes de direitos humanos, anistiados e anistiandos políticos, acadêmicos e pesquisadores, entre outros, para favorecer a construção de estratégias comuns de respeito e garantia dos direitos humanos e da democracia.

Veja página com a programação completa aqui






OUTUBRO DE 2008

Adesivo da UNAA que será usado em Brasília durante o 2º SEMINÁRIO LATINO AMERICANO DE ANISTIA E DIREITOS HUMANOS






SETEMBRO DE 2008

2º SEMINÁRIO LATINO-AMERICANO DE ANISTIA E DIREITOS HUMANOS


14, 15 e 16 de Outubro de 2008

Auditório Nereu Ramos – Câmara dos Deputados

Em outubro próximo a Comissão de Direitos  Humanos e Minorias - CDHM em parceria com diversas entidades  e  associações  de  anistiados de todo o país, estará dando continuidade aos debates do 1º Seminário de Anistia e Direitos Humanos ocorrido em agosto do ano passado.

O  2º  Seminário,  que  acontecerá  entre  os  dias  14  a  16 de outubro próximo no auditório  Nereu  Ramos  da  Câmara  dos  Deputados,  buscará  o  intercâmbio  de experiências  sobre  anistia  com  países latinos, bem como o resgate da história dos povos dessas nações.

O  dia  14  será  destinado  aos debates  de teses entre anistiados e anistiandos e a elaboração  de  um  documento  oficial  do  encontro  que  será  encaminhado  às autoridades  federais  e  a  organismos  internacionais.  No  período  matutino  os interessados se distribuirão, conforme seu interesse, entre as seguintes oficinas:

1.      Exército;

2.    Marinha;

3.     Aeronáutica;

4.      A Comissão da Paz e a interpretação dos instrumentos normativos que regulamentam a anistia;

5.      O Tribunal de Contas da União e a anistia;

6.      O Ministério do Planejamento e a anistia;

7.     Sindicalismo: o papel dos diversos movimentos de trabalhadores urbanos e campesinos no processo de resistência e redemocratização do Brasil;

8.     Arsenal de Marinha (Civis).

Nos   dias  15  e  16  de  outubro  expositores  nacionais  e  internacionais  estarão debatendo  diversos  temas  relativos  à anistia.  Entre outros, j á confirmaram suas participações os seguintes expositores:

Dr. Giancarlo Capaldo –  Procurador  da Justiça  de Roma/ Itália; (Um dos autores do  Pedido  de Extradição de Oficiais Brasileiros envolvidos nos desaparecimentos  de ítalos-brasileiros durante a Operação Condor);

Dra. Mirtha Guianze -  Presidenta  de  la  Asociación  de magistrados del Ministerio Público del Uruguay  (autora de ações que culminaram na prisão de vários Oficiais e agentes  Públicos  responsabilizados  pela  prática  de  crimes  de  lesa -humanidade durante a Ditadura no Uruguai);

Dra. Eugênia Augusta Gonzaga Fávero –  Procuradora da República em São Paulo (autora  da Ação Civil Pública contra o Cel. Carlos Alberto Ulstra e contra o Ten.Cel. Audir Santos Maciel);

Dr. Marlon Alberto Weichert –   Procurador  Regional  da  República da 3ª Região – (Um dos  autores da ação acolhida pela Justiça Federal que impede que torturadores do Regime Militar ocupem cargos públicos);

Dr. Paulo Abrão Pires Júnior – Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça;

Caravanas  de  todo  o  país  já  estão se organizando para vir a Brasília e participar ativamente  deste  evento. Os interessados em participar do evento e que quiserem integrar  as  caravanas  devem  procurar  as  associações  de  anistiados  em  seus estados  ou fazer sua inscrição no primeiro dia do evento, no auditório Nereu Ramos. O evento é gratuito e aberto à participação de toda a sociedade.

Nos  próximos dias a CDHM estará divulgando mais informações do seminário através de  seu  sítio   www.camara.gov.br/cdh  bem  como  na  página  da  Câmara  dos Deputados: www.camara.gov.br.

Brasília, 23 de setembro de 2008.

Mariza Helena Ferreira

Assessora Técnica -CDHM






MANIFESTO EM FAVOR DO DEBATE E CONTRA A IMPUNIDADE E A TENTATIVA DE IMPOSIÇÃO DO ESQUECIMENTO
 

Brasília, 25 de agosto de 2008.
 
Recentemente  pudemos  ver  a  comunidade  jurídica brasileira manifestar-se contra aqueles  que querem impor o silêncio e uma falsa memória, forçando o esquecimento e  pregando  a  impunidade  dos  bárbaros  crimes  que  alguns  membros das forças armadas perpetraram durante a ditadura militar.

É  hora  da  sociedade  civil  manifestar-se,  mostrando que não apenas aos juristas interessa  esse  debate,  mas  sim  a  todos  os  brasileiros  que  prezam  o  Estado Democrático de Direito.

É  neste  sentido  que  a União Nacional dos Estudantes, a Ordem dos Advogados do Brasil  e a Associação Brasileira de Imprensa formulam e assinam o manifesto abaixo, rogando  a  TODOS  que  somem  sua assinatura, agregando força a este movimento contra a impunidade e o esquecimento.

Referido  manifesto  será  lançado  publicamente  em  conjunto com o Manifesto dos Juristas,  em ato a ser realizado no dia 28 de agosto (aniversário da Lei de Anistia), as 11h30, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo.

Convidamos a todos para que assinem, remetendo seu nome, estado de residência e organização em que trabalham/militam para o e-mail manifestodasociedadecivil@hotmail.com, até o dia 27/08.

                       A presença de todos no ato do dia 28 é fundamental! 

                                                   ÍNTEGRA DO MANIFESTO

            TORTURA NÃO É CRIME POLÍTICO: PELA VERDADE E RECONCILIAÇÃO! 

- Manifesto em favor do debate e contra a impunidade e a tentativa de imposição do esquecimento -

 

Um  debate  fundamental  para  a  democracia  brasileira, há muito tempo sufocado, finalmente se estabelece de forma republicana junto à opinião pública: a questão da responsabilização  jurídica  dos  agentes  torturadores  durante  a  ditadura militar.

 
Causa  espécie  e  estranhamento  o fato de que, em plena democracia, tal assunto provoque  reações  contrárias  que  rejeitam  até mesmo o próprio debate público do assunto.  Sob  os  argumentos  de  que  o  tema  é  inoportuno, intempestivo, e até mesmo  que significa  “um desfavor para a democracia” ou que “não mais interessa a sociedade’,  percebe-se  explicitamente  um movimento,  certamente  motivado  por interesses  específicos  mas  nem  sempre  explícitos,  que  procura abafar as vozes daqueles que há mais de três décadas clamam e esperam por justiça.
 

O fato concreto é que existem no Brasil mais de  100 associações de ex-perseguidos políticos  e  familiares  de mortos e desaparecidos políticos. Mais de 62 mil brasileiros ingressaram  com  pedidos  de reparação  na  Comissão  de Anistia  nos últimos sete anos,  restando  quase  25 mil por apreciar. A União apreciou mais de 500 processos movidos  por f amílias  que  tiveram  familiares  mortos  ou  desaparecidos durante a ditadura  militar.  Diversos particulares têm ingressado com ações no Poder Judiciário pedindo  a responsabilização jurídica de quem os torturou ou levou à morte dos seus familiares.  O  Ministério Público  Federal  promove,  atualmente,  Ação  Civil  Pública contra  agentes  públicos  que  chefiaram  o  DOI-CODI  de  São Paulo.  Milhares  de brasileiros aguardam reparação, centenas aguardam o direito de enterrar seus entes próximos  ou  de  conhecer  a  verdade histórica sobre seus paradeiros. Não se pode falar  em  reabrir  feridas que nunca se estancaram. Estudos internacionais recentes revelam  que  a  impunidade  aos  crimes  (ressalta-se  sempre,  atos  praticados na ilegalidade  do  próprio  regime  ditatorial) é fator de piora dos índices de violência e de  abuso  aos  direitos   humanos,  servindo  como  uma  forma  de  legitimação  da violência  praticada  hoje  no Brasil. Não há de se falar, portanto, de que se trata de um assunto do passado. É mais do que presente. 

 
O  debate  que  está posto não é a alteração ou revisão da lei de anistia, mas sim o cumprimento  da mesma.  O debate  que  está posto não significa afronta às Forças Armadas enquanto instituição nacional, mas sim o prestígio de sua corporação frente àqueles  que  não  respeitaram  nem  ao menos as regras do próprio regime ditatorial que  proibia a prática da tortura e comprometeram a sua imagem. A questão jurídica central é:  se  a  lei de anistia abrangeu ou não os crimes de tortura enquanto como crimes  políticos.  O  certo  é  que  não  há manifestação do Poder Judiciário sobre a questão  e,  por isso, a importância  do debate público. Enquanto este momento não ocorrer o debate permanecerá em pauta junto à sociedade civil.

 
Questões  fundamentais ainda não foram respondidas: Se a anistia foi ampla, geral e irrestrita,  porque a anistia a Carlos Lamarca foi questionada por setores militares da reserva na Justiça?  Existe correlação moral e ética entre aqueles que usurparam da estrutura estatal do monopólio da violência para torturar com aqueles brasileiros que exerceram a resistência contra uma ordem injusta que os perseguia?

Que democracia é essa, incapaz de enfrentar o seu passado?  A quem interessa que o debate  não  seja realizado e os fatos não sejam revelados?  Os perseguidos foram processados  e  julgados  e  hoje  são  anistiados  à luz  da  Lei  n.º  10.559/02,  os torturadores  nem  ao  menos  reconheceram seus atos. Como anistiar em abstratos crimes que não foram elucidados e julgados?

 
As  organizações  da sociedade civil abaixo assinadas vêm por meio desta mensagem apoiar  e  somar-se  às  iniciativas  do  Ministério  da Justiça  e do Ministério Público Federal  em  discutir  a  validade  e alcance da Lei de Anistia de 1979 e os caminhos jurídicos  para  que,  sem  alteração  das l eis que permitiram a redemocratização do Brasil,  a  questão  seja  apropriadamente  tratada  no  Poder  Judiciário. É dever do Estado,  no mínimo,  promover  o  debate  sobre as garantias fundamentais dos seus cidadãos, entre elas o direito à verdade, à memória e à justiça. 

 
Cremos,  em  consonância  com  diversos  tribunais  internacionais,  e  com diversas cortes superiores  da  América  Latina,  que os  crimes contra a humanidade não são prescritíveis,  portanto,  não  passíveis de anistia, e que aqueles que os cometeram, fora da própria legalidade do regime de exceção, devem ser julgados e responsabilizados.

 
Apenas  com  o  devido  processamento  e  esclarecimento  de  todos  os fatos  que envolveram   esses  crimes   é   que  será  efetivamente  possível  falar  em  anistia, permitindo  que  a  reconciliação  nacional  se  consolide,  desbancando  a  tese degenerativa  da  democracia  de  que  a  única  solução  possível para lidar com as abomináveis  violações  de  direitos  humanos  perpetradas por agentes públicos é a impunidade e a imposição do esquecimento.

Assinam este manifesto:


fonte:ABAP




Agosto de 2008

Jobim rebate Tarso e diz que Lei da Anistia não vai mudar

FÁBIO GUIBU da Agência Folha, em Recife
GRACILIANO ROCHA da Agência Folha, em Porto Alegre

O ministro Nelson Jobim (Defesa) se opôs ontem  frontalmente  à idéia defendida por seu  colega  de  ministério  Tarso Genro (Justiça)  de modificar a  Lei da Anistia para permitir a punição de torturadores e assassinos da ditadura militar.

"Não haverá  mudança na Lei da Anistia", declarou Jobim à Folha, após participar da cerimônia  de  troca de comando no CMNE (Comando Militar do Nordeste), em Recife (PE).

"A  Lei  da  Anistia  já  esgotou os seus efeitos", disse ele. "Já foram anistiados, não existe hipótese de você rever uma situação passada", afirmou.

A  idéia  de  criar  uma  alternativa  jurídica  para  que  a lei, de 1979, não impeça a punição  de  agentes  públicos  envolvidos  em  tortura  e  morte durante a ditadura militar  (1964-1985)  foi  discutida  anteontem,  durante  audiência patrocinada pelo Ministério da Justiça.

No  evento,  em  Brasília,  Tarso  defendeu  a  tese  de que não há delito político na tortura  e  que  quem  agiu  assim  no regime militar pode ser comparado "a qualquer outro torturador que a humanidade conhece".

Para  Jobim,  porém,  a  Lei  da  Anistia "foi auto-suficiente" e "já satisfez a situação que tinha para satisfazer".  "Você não tem que mudar mais nada", declarou, para em seguida pedir: "Vamos olhar para o futuro".

Questionado  sobre  a  possibilidade  de  existir uma alternativa jurídica para punir os torturadores,  Jobim  disse que "isso é um problema que tem que ser examinado pelo Poder Judiciário, e não pelo Executivo".

Na  solenidade  no  CMNE, o ministro ficou ao lado do comandante do Exército, Enzo Martins  Peri.  Também  questionado  pela  Folha  sobre  o assunto, Peri se negou a falar. "Nenhum comentário, nada de novo a comentar", afirmou.

Questionado  então sobre o que achava da declaração de Jobim, de que não haveria mudanças  na  Lei da Anistia, o comandante sorriu e disse: "Se o ministro falou, está falado".

Posição pessoal

Em  Porto  Alegre  (RS),  ainda  sem  saber  das  declarações de Jobim, Tarso Genro afirmou  que,  ao defender  a  responsabilização  cível  e criminal de torturadores do regime militar, expressou uma posição pessoal, e não de governo.

"A  posição  que  manifestei  ontem  [anteontem]  é  uma  posição minha e do Paulo Vanucchi [secretário especial de Direitos Humanos], abordando juridicamente o tema à  luz do  direito  constitucional e das normas legais da anistia. Não se trata de uma posição de governo", disse.

Tarso  reafirmou  que os torturadores  não devem ser beneficiados pela Anistia. Para ele,  agentes  públicos  envolvidos com tortura realizaram "atos que não são aceitos nem pelo próprio regime de exceção".

Segundo  o ministro, a discussão sobre o tema "é um debate do Estado democrático de Direito". "Não se trata de avaliação das Forças Armadas, nós estamos tratando uma questão concreta", declarou.

Tarso  também  defendeu  cautela  em relação à principal demanda apresentada por ativistas  de  direitos humanos:  a abertura dos arquivos do governo brasileiro --das Forças  Armadas  e  do Itamaraty-- sobre o período militar. "O governo não quer que qualquer  tipo de investigação histórica pareça impugnação de alguma instituição da República", disse.



Julho de 2008

SEGUNDO SEMINÁRIO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS COMEÇA A SER DISCUTIDO EM BRASÍLIA


O  segundo  Seminário  Nacional  de  Direitos  Humanos começa a ser trabalhado em Brasília.

Segundo  o Sr.  José  Wilson  da  Silva  interlocutor  dos  anistiados  do  Exército, o Seminário  deverá  ocorrer  depois  das eleições de 2008 e será mais amplo que o do ano passado.

Além  de  discutir  Direitos  Humanos,  à igualdade,  à  saúde,  à  moradia, etc., será abordado o não cumprimento das leis de anistia pelos governos.

NOTA:  O  Capitão  Wilson é Presidente da Associação de Defesa dos Direitos e Pró- Anistia  “AMPLA”  dos  Atingidos  por  Atos  Institucionais.  Dedicado e incansável batalhador  em  prol  da  Anistia  Política  no  Brasil.  É  nosso  amigo  e  importante colaborador  em Brasília. Defensor dos interesses, não só dos anistiados do Exército, mas também dos aeronautas anistiados da UNAA.

                                       

 ESTADO BRASILEIRO: PERSECUTÓRIO
                                                                        O  Estado  brasileiro por ser propriedade da  elite  econômico / política  é essencialmente persecutório  sobre  as camadas  subordinadas, senão vejamos:-  Na  década de 1930 houve um entusiasmo  contagiante  no povo brasileiro com aspirações  nítidas  de usufruto de suas riquezas e independência nacional dos grilhões dos impérios dominantes.

         Embora a esquerda tenha dado motivos para  uma  razzia  sobre  as  camadas  socialmente   inferiores,  os  donos  do  poder aproveitaram a oportunidade e liquidaram com as vaidades e sonhos populares. Foi implantada uma ditadura.

         A  década  de  1940  deu  oportunidade  para alguns  avanços democráticos porque  a  direita  no  mundo  estava  extrapolando  e o Estado precisava de apoio popular. Mas, mal entrada a década  de 1950  e vieram os conservadores com toda força contra os  sonhos populares  e nacionalistas,  culminando com o massacre do ideário popular/ getulista/ nacionalista para satisfazer os grupos internacionais. Não conseguiram,  graças  ao  golpe/suicídio de Getúlio,  contudo  aprofundaram-se nos trabalhos de alijamento do povo nas decisões de seu destino. A década de 1960 foi de muito trabalho na  construção da servil  alienação nacional, junto com a entrega do  país  aos  que hoje  são  donos  do  mundo e seus sócios. Tudo começou com a tentativa de golpe de setembro de 1961.

         O ano de 1964  foi o marco  da desonra  nacional, que serviu de incentivo ao aplastamento de toda a América Latina, usando o Brasil como modelo. Matéria muito bem  explicada  e  louvada no  Apêndice da Revista Seleções Digest de setembro de 1964.  Tudo contra  o demônio  “comunista” que ameaçava o mundo “democrático e cristão”.   Aí participaram  entusiasticamente  o  Estado  manipulado  pela força,  as organizações  de  caráter econômico e as religiosas. Prender  e torturar “comunista” foi  esporte  acobertado  e incentivado por  boa parte da sociedade e incitado pelos donos do poder, sob todas as formas imagináveis e inimagináveis.

         Fecharam  Congresso,  Assembléias,  castraram  representações  políticas  e sociais,  judiciário,  destruíram  carreiras  profissionais,  famílias,  humilharam,  num verdadeiro  pandemônio  de  destruição  institucional  e  legal.  Constituição  e  leis deixaram  de existir,  salvo se em benefício  dos déspotas, qual ‘Átilas’ tupiniquins a serviço dos poderosos e em vergonha de nossas instituições armadas e administrativas.

         A mentira tem pernas curtas e a sociedade acordou, faltou sustentabilidade e o  discricionarismo  absolutista  caiu  no  descrédito,  mas nem tanto: ainda hoje há quem tenha saudade dos crimes sem responsabilidade, dos ditames do despotismo e da tirania, e sempre há quem manifeste de alguma forma o ideário daqueles ‘anos de chumbo’.  Embora  seus  protagonistas hoje fujam de apresentar a cara em público e ao  debate  democrático.  Felizmente  eles  têm consciência de que pisaram na bola, contra a história, prestando um serviço vil e sujo aos interesses escusos.

         O  Congresso Nacional,  como  representação  popular,  embora  com  maioria elitista,  acertou  com a  ditadura uma ANISTIA, perneta, viciada, calhorda, mas que abriu a porta para a reorganização do Estado brasileiro.  Nas  circunstâncias daquele momento, acertou que os criminosos se retirariam de cena sem punição – criminosos sim,  porque  o  representante do  Estado que  rasga as instituições, que prende um cidadão,  respeitável  ou  não,  leva  clandestinamente  para um porão,  totalmente dominado, completamente impossibilitado de reação ou defesa, e serve-se dele para torturar  e matar é um  criminoso covarde, age com plena capacidade de meios e na escuridão  do anonimato. Aquela ANISTIA,  dita bi-lateral indevidamente, poderia ter restabelecido  o estado  de  direito  e  a  reestruturação  da sociedade, porém como ainda permaneciam  nos escaninhos da Administração os criminosos da ditadura, até para se preservarem de possíveis chamamentos aos atos praticados, cumpriram a lei 6683/79 da pior e mais danosa maneira possível, restringida, castrada, punitiva ainda.

         Mas o  Congresso  avançou  e em  1985 mandou reparar boa parte dos danos dos  desvarios  ditatoriais,  editando,  entre  outros,  o  art. 4°  da  EC/26  (Emenda Constitucional).  O Estado,  ainda,  por sua Administração Pública, mal cumpriu parte dos mandamentos constitucionais.

“Quem  apanha  não esquece, mas quem dá o tapa facilmente se esquece e procura esconder”,  foi  o  que  aconteceu. Salvo os que haviam apanhado, os prejudicados, humilhados,  os  que  perderam  bens,  carreiras  e  parentes,  os  outros  não viram nada??!!!  Ninguém  viu  que a  EC/26 não foi cumprida, segundo o que determinou o Congresso. Políticos beneficiados se acomodaram, oficiais das Forças Armadas foram igualados  aos  colegas  de academias,  juízes retomaram sua posição hierárquica no quadro, e todos ficaram satisfeitos.

         Mas  não  houve  uma  grita  de  que  a EC estava sendo cumprida ‘às meias’, satisfazendo apenas uma parte dos perseguidos.

         A  outra  parte, a maior e mais prejudicada, teve que voltar ao Congresso aos berros. Muitos dos assistentes/concordantes com as punições, por ignorância ou por discordarem da anistia, perguntavam: mas a anistia já não foi dada??? O que querem estes aproveitadores???

         Pergunta-se:- Quem do Ministério Público ou do Judiciário ou das organizações  nacionais da sociedade questionou por que a Constituição não estava sendo cumprida, segundo os ditames emanados pelo Congresso em 1985??? Ninguém viu, ninguém questionou!!! Afinal, o andar de cima estava reparado!!!

         Felizmente  o  Brasil  tem  um  Congresso que, embora tenha lá suas lacunas, representa os anseios da Nação. Os perseguidos voltaram à Casa do Povo e lá foram ouvidos:  em 1988, na Constituição, ficou gravado o artigo 8° dos ADCT, que aquele Congresso mandava reintegrar (respeitar os regimes jurídicos) os perseguidos nas carreiras e conquistas que haviam conseguido até a data da perseguição política.

         Por incrível que pareça, continuaram os ouvidos moucos, as leituras tergiversantes,  os rodeios  da  Administração  Pública,  do  Judiciário e do Ministério Público  e, talvez, o  ideário  da  manutenção  da punição  perpétua dos perseguidos políticos. Afinal, agora só reclamavam as da base inferior da pirâmide social.

         Mas  o  Congresso  Brasileiro  não é tão surdo como querem fazer crer os que dele costumam fazer uso:-  Se  fez  ouvir  e  editou  uma lei  REGULAMENTADORA  e enriquecedora  do  artigo 8° dos ADCT/CF/88. Bem entendido que treze anos após a Constituinte,  mas justamente  pela  resistência da Administração em não cumprir os dois textos constitucionais.

         Ave, ó Congresso Brasileiro!!!

         Que  por unanimidade, isto é, sem nenhum voto ou discurso contra, mediante acerto  aprovou  a Lei 10.559/02. Lei detalhista, minuciosa, que criou uma Comissão Especial  somente  para  julgar os requerimentos dos pretendentes aos benefícios. O Estado brasileiro está sendo obrigado pelo Congresso a reparar os danos que em seu nome foram criminosamente perpetrados quarenta e tantos anos depois.

         A  primeira  lei  é  de 1979,  logo  fará trinta anos, a segunda é de 1985, está fazendo  vinte  e  três anos  e a  terceira e mais completa é de 1988, portanto está aniversariando VINTE ANOS. Na melhor das hipóteses o estado está atrasado VINTE ANOS na aplicação da anistia e reparação.

         Até agora NUNCA SE OUVIU O MINISTÉRIO PÚBLICO OU O JUDICIÁRIO OU AS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS reclamarem que O ESTADO NÃO ESTAVA APLICANDO ESTAS LEIS.

         É  certo  que  hoje  temos  as honrosas e esperançosas iniciativas do MPF de São Paulo tomando atitude e começando um trabalho na busca da justiça.

         Mas chegou a hora:- A sociedade é vivificante e dinâmica. O Congresso é um órgão vivo.   A lei  tem  que  ser cumprida,  em  que  pese o trabalho impudente das viúvas  da  ditadura,  o  serviço  dos esbirros  servis das castas dominantes, o setor midiático  que  se  lambuzou  e  se  empanturrou  com  as  benesses da ditadura. Há sempre  alguém  de  plantão  para  criticar  o  reconhecimento  das  concessões  da Comissão  de  Anistia  que,  baseando-se  em  possíveis erros pontuais, condenam o todo,  como  se  as  chamadas  reparações  vultosos  de atrasados sejam culpa dos perseguidos. Aos eternos apadrinhadores da ditadura não reclamam que O ESTADO É DEVEDOR  HÁ  VINTE ANOS!!!!  E  SE  NÃO PAGAR AGORA E O FIZER DAQUI HÁ MAIS VINTE ANOS A DÍVIDA SERÁ DOBRADA!! Não dizem que as somas são altas porque o Estado é devedor por não cumprir a lei há, pelo menos, VINTE ANOS.

         Não  assumem,  esses  eternos  vigilantes  da  manutenção  da  punição  sem processo,  que  o  que querem é a manutenção da perseguição ao punido e a toda a família,  filhos  e netos.  Não  apresentam  as falhas, que as há, apedrejam a lei e as reparações.

         Um  jornalista  em fim de  carreira que tem uma mensalidade de 4.300,00 para receber  há  20 anos  quanto soma??? Há maldade em tudo isso!!! Parabéns ao Chile que  está  punindo  os  jornalistas  que  se  amancebaram  com Pinochet.  À Justiça chilena, argentina e uruguaia que está chamando os “terroristas” de estado e lesa-humanidade  aos  tribunais.  E  aqui  quando  vão  fazer  o mesmo? Não o fazem por medo, covardia, cumplicidade, “jeitinho brasileiro” de abafar o crime??? Ó, MPF/SP!!

         Estranhamente,  muito  estranhamente,  vemos nosso  respeitável Ministro da Justiça,  integrante  do  então   setor  perseguido,  numa  ótima  entrevista, embora eivada  de  reticências,  afirmar  que  a anistia não acoberta os crimes individuais de tortura e morte, mas as leis de anistia produziram DEFORMAÇÕES e INJUSTIÇAS. 

         Quer maior deformação que o atraso por vinte anos sem pagar um salário de um cidadão humilhado e proibido de trabalhar?? (ou não conhecem o Dec. 314/67 e outros?!)

         Senhor   Ministro,  enfoque  o  atraso  e  o  retardamento  continuado  no cumprimento  das leis de reparações,  não desvie o assunto com medo de conhecida MÍDIA  comprometida  com a ditadura  e não dê a matéria que os áulicos da ditadura tanto querem.  

         Posso  afirmar  a  Vossa Excelência que TODOS os perseguidos sonhavam em ser  anistiados  e  voltar  para   suas   organizações,   concluírem   seus  tempos de serviço e irem para casa cuidar dos netos.  

            NINGUÉM, JAMAIS SONHOU   em  ser  colocado num  GUETO de anistiados, discriminados,  antes  perseguidos igual aos judeus com os nazistas, e agora olhados como assaltantes do tesouro nacional, segundo tentam fazer crer aos que ignoram o assunto.   

          O GUETO  criado  com  o  uso  do PERDÃO político com nome de anistia está possibilitando a discussão do quanto cada anistiado ganha, quanto o Tesouro gasta, além   de  continuarmos,  44 anos depois,   a   sermos olhados   e   até   tratados  como  cidadãos  anormais  nos respectivos setores sociais.

          Os militares  são militares anormais.  Os  civis, aeronautas, são considerados privilegiados  pelo  simples  fato  de  terem  seus processos analisados e julgados na perfeita  transparência da Lei. E o montante referente aos retroativos cresce a cada ano  de  calote  expondo  a  todos  na  mídia como usurpadores dos cofres públicos. Dinheiro que ninguém viu!

           Como assim?   Dívida  reconhecida,  portaria  publicada,  termo  de  adesão assinado  pelos  aeronautas  ao  acordo  proposto  pelo  governo  dos  pagamentos referentes  aos  retroativos,  sem  incidências  de  juros  e correção, que parcela os valores retroativos constantes das portarias, e o TCU obstou o cumprimento.

            A Comissão  de Anistia,  através  de seu presidente à época, respondeu ao TCU que todos os processos referentes aos aeronautas anistiados foram concedidos rigorosamente dentro  do que determina a lei, sem procurar pelo em ovo, como faz o atual Presidente da Comissão de Anistia. Nem assim o governo pagou!!! 

             Diga  ao  vosso  Assessor  Especial,  Dr. Paulo Abrão, que deixe de inventar interpretações  alternativas  para satisfazer aos críticos, espezinhando os anteriores presidentes  e  conselheiros  da  Comissão  de Anistia, que deveriam ser respeitados pelo  serviço que prestaram. Dizer que “Infelizmente, esta é a lei que temos que cumprir”  é a  maior  manifestação  de  desagrado com a lei. Por que não dizer que esta  lei  só  foi  necessária  porque  o  Estado  nunca  cumpriu as anteriores leis de anistia?   E  que  está  sendo  cumprida  com  20 anos de atraso,  portanto  ela  é totalmente  injusta  na  medida  que  o  Congresso  não foi  obedecido!!!    (ISTOÉ-23.04.08).   Quanto  aos  prazos  para  entrada  de  requerimentos:  por  acaso  os matadores  já  começaram  a  responder  por  seus  crimes?   Começa que derrubar governo também é crime!!

         Foram  protocolados  cerca  de 60  mil requerimentos, muitos deles sem nexo: há  época  da  anistia  era  tida como certa a cifra de 500 mil processados/denunciados/presos no Brasil.   Será  que   não  tem  muita  gente prejudicada que não quer reparação?? Ditadura sai caro!!!

         NÓS,  PERSEGUIDOS POLÍTICOS, fizemos muita força para que se criasse uma Comissão  de JULGAMENTO  DE REQUERIMENTOS E APLICAÇÃO DA LEI, mas não uma comissão para julgar a lei tardia por puro medo das viúvas da ditadura.

         O  setor  comprometido  da mídia deveria buscar os responsáveis pelos danos que a ditadura civil com o uso dos militares causou a sociedade e  cobrar os danos e possíveis enriquecimentos indevidos, pois à época nada era publicado como hoje.

         (Esta lembrança vale para a jornalista Maria Lima)

         CONCLUINDO:-  O Estado foi usado com o emprego da força, reconhece o erro, deve, não  paga, manobra para retardar e cria condições de críticas, e quando paga com décadas de atraso diz que é caro.

         Quando  vão encerrar os trabalhos de apreciação dos requerimentos por todos os motivos demais demorados?

 

José Wilson da Silva

Presidente da AMPLA

 
Tarciso Tavares - Tato

Presidente da UNAA






Maio de 2008

ARAGUAIA - SEGUNDA SESSÃO

Após 2ª sessão, Comissão prepara julgamento do Araguaia

A Comissão de Anistia já está trabalhando naquele que deverá ser um dos seus mais importantes julgamentos: o dos camponeses perseguidos pela ditadura militar na região do Araguaia durante o cerco aos guerrilheiros do PCdoB que ali atuavam entre o final dos anos 60 até 1974. Neste final de semana, a Comissão fez a sua segunda audiência em São Domingos do Araguaia (PA), com o objetivo de buscar mais elementos que possibilitem um julgamento justo – previsto para acontecer entre final de junho e começo de julho – dos processos remetidos ao órgão do Ministério da Justiça. 

Por Priscila Lobregatte*

Ao todo, existem 240 requerimentos na Comissão ligados às perseguições, mortes e torturas. Destes, 46 estão prontos para serem julgados. Foram ouvidas em dois dias 120 pessoas que já tinham processos em andamento. Na próxima semana, o órgão deverá elaborar um relatório de avaliação da oitiva ocorrida dias 25 e 26, num das cidades-símbolo da guerrilha no sul do Pará, a 540 quilômetros de Belém. As indenizações a serem pagar serão de no máximo R$ 100 mil. O presidente da Comissão, Paulo Abrão Pires Júnior, no entanto, adianta que a avaliação é positiva. “Os depoimentos colhidos desta vez, somados aos 131 colhidos no ano passado, são muito ricos e reveladores de todas as repercussões e traumas na vida pessoal de cada um ao longo do tempo e na própria vida da comunidade”, explicou. “São fatos inimagináveis e que não estão descritos nos livros de história com a riqueza de detalhes que ouvimos”.

Um desses fatos é o medo que ainda paira sobre os moradores. Eles receiam falar por conta da influência do ex-capitão do Exército, Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, na região. Infiltrado entre os camponeses estava um de seus supostos capangas, José Maria Alves da Silva, conhecido como Catingueiro. Ao repórter da Folha de S. Paulo enviado ao local, Sérgio Torres, ele disse apenas que também buscava sua indenização. Curiosamente, Catingueiro usava uma camiseta da administração Curió à frente da cidade que leva seu nome, Curionópolis.

De acordo com Abrão, “trata-se de requerimentos de anistia que são muito peculiares por duas razões. Primeiro porque não estão disponíveis os documentos oficiais guardados que registram cada ação das Forças Armadas nas diferentes operações de combate à guerrilha. Isso causa enormes dificuldades para fins de instrução dos processos”.

Além disso, o presidente da Comissão disse que os requerentes “são pessoas que vivem em situação econômica muito baixa, sem muita noção de seus direitos, sem advogado e que não possuem condições econômicas de irem à Brasília para acompanhar seus processos”. Por isso, salientou, “resolvemos que era preciso que o Ministério da Justiça fosse ao encontro destes cidadãos; era preciso sair dos nossos gabinetes em Brasília e colhermos os fatos na fonte original e primária”.

Para dar conta de todos os depoentes presentes no pequeno sítio em São Domingos, onde aconteceu a sessão, a Comissão se dividiu em quatro grupos. Um deles reuniu os casos de mateiros e guias de estradas usados pelo exército para localizar os guerrilheiros. A reunião destes casos justifica-se pelos diversos tipos de mateiros que os conselheiros identificaram, o que influencia a concessão ou não da indenização. Muitos deles foram obrigados a servir os militares e sofreram torturas e prisões arbitrárias pelo fato de conhecerem os guerrilheiros.

Outros foram beneficiados, recebendo terras do Incra ou dinheiro; e há aqueles que continuaram servindo aos militares mesmo depois da guerrilha, vigiando a vida dos moradores. O problema é que a maioria deles, por medo ou por conveniência, acaba escondendo informações preciosas até mesmo para a elucidação do paradeiro dos corpos até hoje desaparecidos.

Jesus viu a morte de Grabois


Testemunha-chave daqueles tempos é Abel Honorato de Jesus, 64 anos, um dos poucos que não teme falar. O lavrador residia na região da Palestina e ganhava 10 cruzeiros por missão. Ele disse que às vezes ganhava comida e recebeu também um lote de terra de 114 hectares. Naquela época, trabalhava no garimpo.

Porém, apesar de ter sido beneficiado, disse que também apanhou muito e foi obrigado a fazer o trabalho. Jesus era peça importante na ação dos militares. Disse que conhecia os guerrilheiros que identificava como sendo Osvaldão, Fogoió, Maurício (Grabois), Aparício, Pedro, Ari e Aragão. “Foi um vizinho que me entregou dizendo que eu os ajudava”, lembra.

Em 1971 foi preso. “Não me disseram porque, mas me chamaram de terrorista e me levaram para um entroncamento na Palestina”, recorda. E completa: “atiravam perto dos meus pés só para me assustar. Depois, me bateram”. À noite, uma viatura com militares que ele chama de tenente Ivan e capitão Lima levou-o para Marabá, onde ficou detido por quatro meses. Depois disso, passou a ser usado como guia.

Jesus conta que em 25 de dezembro de 1972 viu Maurício Grabois ser morto. “Teve um tiroteio e Amaury, Velho (Maurício), Pedro e Paulo foram mortos”. Segundo ele, os corpos foram carregados de helicóptero. Há versões diferentes para a morte de Grabois. Segundo o jornalista Elio Gaspari, em relato reproduzido no livro “Direito à memória e à justiça” – da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos –, ele poderia ter sido morto sentado numa trilha ou estaria comendo.

O mesmo livro também cita que o jornal O Estado de S. Paulo, em outubro de 1982, relatou que Grabois morreu “com um tiro de FAL na cabeça, que lhe arrancou o cérebro, e outro, na perna, que provocou fratura exposta”. Ele disse também ter visto de longe Sônia e Joaquim serem mortos no lugar chamado Chega com Jeito. Para ele, seis guerrilheiros podem estar enterrados perto da base da Bacaba. Ele acha, inclusive, que a ossada de Osvaldão está lá.

O camponês relatou também que era bastante próximo de Curió e que trabalhou com ele até 1986, como informante, espionando sindicalistas, líderes políticos e moradores. “Fiz isso como trabalho, mas nunca entreguei ninguém. Apenas contava o que acontecia. Dizia o milagre, mas não o santo”, defende-se.


Lições de Cristina


Juarez da Luz é filho de seu José da Luz e foi em seu nome que entrou com processo na Comissão de Anistia. “A única coisa que aprendi a escrever na vida foi meu nome e quem me ensinou foi Cristina”, disse, lembrando com carinho de uma das guerrilheiras mortas no Araguaia. Ele recorda que os soldados muitas vezes ficavam entocados nas moitas ao redor das casas. Um dia, um deles levou seu pai, a quem acusavam de ajudar os “paulistas”. “Ele não foi guia não e foi muito torturado”, esclarece.

Luz recordou ainda que os presos – entre eles seu pai – eram obrigados a se levantar cada vez que Curió entrava na cela. “Meu pai não quis, disse que não devia nada para ele e que não ia se levantar coisa nenhuma. Apanhou muito por isso”, lamenta.

Já dona Antônia Santos Pereira tem 14 filhos e 71 anos. É viúva de João Pereira Martins, o João “Pipoca”. Por isso, é também conhecida como Antônia “Pipoca”. Segundo ela, numa noite soldados levaram seu marido, que ficou preso por um mês. Mais tarde, foram buscá-lo novamente, agora para ajudá-los a encontrar “o povo da mata”. Seu marido teria indicado aos militares a casa de Pedro, João e Raimundo, que não estavam mais no local. “Ele foi preso de novo por mais quatro meses. Voltou todo rebentado”, disse. Depois disso, o marido foi obrigado a ir à base da Bacaba a cada três meses. “Eles prometeram terra, mas nunca nos deram nada”, ressaltou.

Roubado da mãe


Pouco mais de 30 anos separaram Juracy Bezerra Costa, 43 anos, de sua mãe, Maria Bezerra de Oliveira, 78 anos. Ele tinha sete quando, em 1972, foi levado de sua casa por militares armados. Na primeira sessão de Anistia feita na região, Dona Maria contou sua história, sem a companhia do filho, que reencontrou em 2006.

Desta vez, Costa esteve na audiência para também fazer o seu relato e contou ao Vermelho que, quando criança, encantou-se com a boa vida prometida pelos militares. “Aí, acabei indo com eles”. Aos poucos, o menino pobre se tornou o xodó dos soldados. “Um dia, fiquei muito doente e fui levado para Fortaleza, para ser tratado”.

Acabou sendo criado pelos pais do então tenente Antônio Hercílio de Azevedo Costa, que o tirou de Dona Maria. “Sentia muita falta de minha mãe, mas não me deixavam sair de lá”, lembra. A vontade de saber de sua família foi crescendo. “Mas quando eu perguntava para eles sobre minha mãe, diziam que ela devia estar morta”.

Em 1984, o “pai adotivo” morreu e a vida piorou. “Passei a ser maltratado”, conta. Dois anos depois, resolveu sair de casa e procurar a mãe. Foi tentar a vida em Xambioá e, por coincidência, teve contato com uma família que a conhecia. Há dois anos, pôde finalmente rever Dona Maria. Hoje, os dois vivem em São Geraldo. “Fiz calos em meus joelhos rezando para achar meus filhos”, disse a mãe. Miracy, o irmão mais novo – que tinha um ano quando foi levado – ainda não foi achado.

* enviada a São Domingos do Araguaia


ARAGUAIA - PRIMEIRA SESSÃO

Araguaia: 33 ANOS DEPOIS, CAMPONESES RELATAM ATROCIDADES


Frederico foi pendurado pelos testículos. Maria teve dois filhos levados por militares. Cícero presenciou a morte de Jaime Petit com seis tiros de fuzil. Ângelo viu o corpo de Osvaldão separado de sua cabeça. Estes foram alguns dos relatos colhidos pela Comissão de Anistia em audiência pública feita em São Domingos do Araguaia. Para eles, não há dúvida: os moradores da região foram perseguidos pela ditadura militar. E muitos foram barbaramente torturados.

Por Priscila Lobregatte*

Eram 9 horas da manhã do sábado, dia 22 de setembro. Nas ruas de São Domingos do Araguaia, a 60 quilômetros de Marabá, a temperatura era de cerca de 35 graus, mas no auditório da Câmara Municipal, o calor parecia maior. Parados à porta, de chapéu e botina, os moradores olhavam desconfiados os forasteiros que chegavam no ônibus da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Pará. Era a primeira vez que a Comissão de Anistia, a convite da Sejudh, saía de Brasília para ouvir os camponeses do sul do estado, onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia.

No interior da casa legislativa, havia mais de 350 pessoas vindas de várias cidades da região, como São Geraldo, Marabá, Imperatriz, Santa Luzia e Palestina. E um cheiro acre, de suor e terra, subia espalhado pelos ventiladores que não davam conta de refrescar tanta gente. A maioria dos que aguardavam o início do encontro, um povo simples e pobre, era formada de idosos que viveram em sua juventude um dos mais destacados episódios da resistência armada à ditadura militar. E que mais de 30 anos depois da Guerrilha do Araguaia, em meio à coletividade, pareciam mais à vontade para falar dos acontecimentos que marcaram a região no começo da década de 70 e que até hoje ecoam na vida de cada uma das famílias que de alguma forma sofreram pelas mãos hostis dos militares brasileiros. Estima-se que cerca de 300 pessoas foram presas e torturadas na região a partir do recrudescimento das ações dos militares, com  a Operação Marajoara, ocorrida em outubro de 1973.

A audiência, que ouviu 141 pessoas em dois dias, não foi uma sessão ordinária, burocraticamente cumprida. Trata-se de um passo fundamental para se elucidar as atrocidades praticadas pelas Forças Armadas contra o povo da região. Além disso, é o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, de que houve perseguição e tortura aos camponeses e que cada um deles têm o direito de recorrer à Justiça para ganharem a anistia política e obterem reparação econômica pelos danos sofridos.

Para Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia, órgão ligado ao Ministério da Justiça, a audiência tem duas dimensões relevantes. “A primeira é que a Comissão de Anistia foi até a comunidade. A prática democrática do Estado brasileiro é de que os tribunais julguem seus processos dentro de quatro paredes, fechados em palácios, dentro de seus prédios suntuosos. E fazem pouca investigação junto à população, que é a interessada efetivamente. Levamos a Comissão até o interior do Pará para que os próprios conselheiros, que vão julgar esses casos, pudessem ouvir a história de cada um deles”. Conforme disse Abrão, “isso é um exemplo de democratização do acesso à Justiça no Brasil”.

O segundo ponto ressaltado pelo jurista é que, no caso da Guerrilha do Araguaia, “a oitiva tem um grau de credibilidade, muito maior do que a mera declaração individual enviada pelo Correio até Brasília. Afinal, não sabemos em que condições esse tipo de declaração é colhido”.

Entrevistado pelo Vermelho após o fim da audiência, Abrão contou a impressão que teve dos depoimentos ouvidos pela Comissão. “São relatos de profunda dor, marcas que ainda estão presentes em cada um daqueles cidadãos. O tempo passa, alguns atores não estão mais vivos, mas a memória do sofrimento, das auguras, das dores e dos arbítrios que aquele pessoal sofreu está na mente de quem ainda está vivo”.

Cicatrizes da ditadura

Seu Frederico Lopes aparenta ter 80 anos. Sentou na primeira fila, diante dos conselheiros da Comissão de Anistia e das autoridades que formavam a mesa do encontro. Mas os olhos dele pareciam absortos, perdidos em algum momento do seu passado. Quem fala por ele é a esposa, Dona Adalgisa Moraes da Silva, de 76 anos. “Os militares chegaram na minha casa perguntando pelo meu marido. Eu disse que ele estava na casa da minha cunhada, mas eles achavam que estava se escondendo”, recorda Dona Adalgisa.

Ela lembra que prenderam o marido na fazenda Fortaleza, onde viviam, e o levaram para a Bacaba, local próximo a São Domingos, às margens da Transamazônica, onde os presos ficavam concentrados. Lá era feita uma espécie de triagem e se separava quem permaneceria ali e quem seria levado para outras bases do Exército, em Marabá, Xambioá e Araguaína. “Judiaram muito. Colocaram ele em cima das latinhas e derrubavam, chutaram e ainda penduraram pelo saco”, conta a esposa.

As latinhas, que armazenavam a comida consumida pelos militares, eram usadas como forma de tortura. Os prisioneiros eram obrigados a subir nelas descalços. Em geral, os militares chutavam as latas para que os prisioneiros caíssem no chão. Com um método nada lógico de raciocínio, diziam que quem pulasse, mostrando mais esperteza, era mesmo guerrilheiro.

Mas não parou por aí o sofrimento de Seu Frederico. “Deram choque na cabeça do meu pai e por isso ele enlouqueceu. Chegou a me perseguir achando que eu era o marido da minha mãe”, disse José Moraes da Silva, conhecido como Zé da Onça, que hoje preside a Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia, fundada em 2005.

Depois de passar 60 dias preso, sofrendo tortura pelo simples fato de conhecer guerrilheiros, Frederico foi levado para Belém, para receber tratamento psicológico. “Os torturados nunca mais recuperaram o que perderam”, lamenta Zé da Onça. Na época em que o pai foi preso, ele tinha 14 anos e se viu obrigado a parar os estudos e trabalhar numa serraria o dia todo para sustentar a mãe e os irmãos menores. Ele lembra com carinho do “povo da mata”, ou “paulistas”, como os camponeses costumavam chamar os guerrilheiros. “Convivia com o pessoal. Eles ajudavam muito a gente. Tinha a Sônia, a Rosinha, a Fátima, morta no primeiro combate lá no São José”, disse, ao recordar de Lucia Maria de Souza, Maria Célia Correia e Helenira Rezende.

“Todos os camponeses da região da guerrilha, naquela época, perderam os seus bens e não tinham como sustentar seus filhos. Hoje, com a nossa associação, não vamos parar mais. Vamos lutar por nossos direitos. Porque se não tivesse tido aquele tanto de Exército aqui, hoje os camponeses poderiam ser os fazendeiros da região”, salientou Zé da Onça.

Dois filhos de Maria

Dona Maria Bezerra de Oliveira ainda chora quando lembra do período militar. Cearense de Matriz, foi para a região em 1950, e morava em Santa Cruz. Criava sozinha os seis filhos, colhendo arroz, feijão e coco de babaçu. Aos 78 anos, Dona Maria conta que os militares levaram dois de seus filhos, Juracy e Miracy. “Tinha um filho de 8 anos (Juracy) que foi iludido por um militar e que me largou por ele. Chorei quinze dias e fiquei da finura do meu dedo mindinho. Depois eles voltaram, mas o menino não queria saber de mim, nem queria tomar a benção. Aí, ele perguntou se eu dava o menino porque se eu desse, ele levava. Eu disse ‘tenente, dar eu não dou porque meus filhos não são cachorros, mas se você resolve levar ele, eu não tenho o que fazer’. E ele levou”.

Um tempo depois, eles insistiram para que ela desse o mais novo, Miracy. “Disse que dava o menino para ele por causa da minha situação, porque não tenho quem me ajude”, contou, chorando. “Não gosto nem de lembrar o que passei naquele tempo. Meus filhos sendo carregados por eles. Você não imagina a humilhação que eu sofri. Eu não tinha como criar meus filhos. Eu era o homem e mulher da casa”.

Conforme relato de Dona Maria à Comissão de Anistia, o tenente, que levou o filho maior chama-se Antonio de Azevedo Costa. O sargento, que ficou com o filho caçula, chama-se João Lima Filho.

Aos 15 anos, Juracy, que fora viver com os pais do tenente, resolveu sair de casa. Perambulou um tempo pela capital cearense e depois, decidiu ir para Xambioá em busca da mãe. “Ouvi dizer que ele podia estar lá e fui atrás. Lembrava que ele tinha um sinal roxo no peito. Quando o encontrei, pedi para ele arregaçar a camisa e vi o sinal”. Hoje, ele vive com a mãe, mas do filho menor, Dona Maria não tem notícias. “Eles diziam que iam trazer o menino de tempos em tempos para eu ver e até hoje nada”.

Apesar da mágoa que tem dos militares, Dona Maria tocou a vida. Hoje, voltou a estudar. Está fazendo a 6ª série. “Fui muito humilhada, passei fome. Eles não deixavam a gente ir pro mato pegar comida. Não tem humilhação pior do que ter fome, saber que tem o que comer e não poder pegar porque não tem permissão”.

Os mateiros

Entre os camponeses ouvidos pela Comissão, há também os mateiros, homens que conheciam bem a região e que eram usados pelos militares para chegar até o esconderijo dos guerrilheiros. Um deles foi Cícero Pereira Gomes, uma peça importante nas investigações da Comissão. Ele contou que em 16 de setembro de 1973, aos 39 anos, foi levado à mata. Com sua ajuda, foi pego o guerrilheiro  Chicão, ou Adriano Fonseca. “Não adiantava pegar vivo porque eles matavam. E atiraram no Chicão”, disse. Seu Cícero conta ainda ter presenciado a prisão de Jaime, Peri, Fogoio, Raul, Luiz Carlos, Daniel, Áurea, Lia, Tuca, Rosa e Valquiria. Ele contou que presenciou a morte de Jaime Petit com seis tiros de fuzil e que em seguida seu corpo fora decapitado.

Sobre Mariadina, Cícero recorda de tê-la visto com os braços machucados depois de ter se soltado queimando as cordas que a amarravam. Após a fuga, “botaram os cachorros atrás dela”, lembra. Segundo ele, Dina teria sido morta em junho de 1974. O depoimento de Seu Cícero confirma que os guerrilheiros, mesmo presos e sem condições de reagir, foram executados friamente, prática que é uma afronta à Convenção de Genebra.

Alguns mateiros que ajudavam o Exército ganhavam terras legalizadas pelo Incra. Muitas vinham pela mão de Sebastião Rodrigues de Moura, o sinistro coronel Curió, um dos algozes dos guerrilheiros. “Ele deu terra para quem não merecia”, reclamou Cícero, que disse não ter recebido a recompensa. Ele relatou ainda que até 1988 os militares o visitavam.

Seu Vanu, ou Manoel Leal de Lima, trabalhava na fazenda Fortaleza e era vizinho dos guerrilheiros. Conta que foi preso em 8 de outubro de 1973 porque ajudava os guerrilheiros doando farinha. Passou 11 meses na Bacaba. “Bateram muito em mim e só não me judiaram mais porque queriam que eu ajudasse”, disse. Depois de preso, passou a ser levado para a mata, ajudar na busca pelos paulistas. “E não tinha jeito de enganar porque se não, eles me matavam”. Em 1975, quando os guerrilheiros já haviam sido exterminados, Vanu foi levado para Belém, “para procurar quem ainda pudesse estar por lá”.

Hoje, Seu Vanu diz ter raiva dos militares. “Não gosto deles porque me enganavam e porque eu podia estar bem de vida hoje, mas perdi meus animais e depois que fui preso, eles tacaram fogo em minha casa e os madeireiros tomaram conta da terra”.

Decapitação

O livro Direito à memória e à verdade, recentemente lançado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, trata de uma prática cruel, porém comum entre os militares durante ações no Araguaia: a decapitação. O livro cita, por exemplo, os casos de Arivaldo Valadão, o Ari, e de Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão.

Num dos trechos, o livro conta: “Segundo depoimentos de moradores da região, [Osvaldão] foi morto em abril de 1974, próximo à  semana Santa, perto de São Domingos. Seu corpo foi dependurado por cordas em um helicóptero que o levou de Saranzal, local onde foi morto, até o acampamento militar de Bacaba e de lá para Xambioá. Na primeira vez em que o cadáver foi içado pelo helicóptero, caiu e fraturou ossos da perna. Posteriormente, sua cabeça foi decepada e exposta em público. Na base militar de Xambioá, seu cadáver foi violado por chutes, pedradas e pauladas dadas pelos militares, sendo finalmente queimado e jogado no buraco conhecido como ‘Vietnã’ (vala situada ao final da pista de pouso da Base Militar de Xambioá), onde eram lançados os mortos e moribundos. Com o término das operações militares, foi feita uma grande terraplanagem para descaracterizar o local”

Ângelo Lopes de Sousa, 74 anos, viu o corpo de Osvaldão separado de sua cabeça. Veio do Maranhão para São Domingos em 1964. Tinha um pedaço de terra no lugar conhecido como Metade, onde vivia com a família. “Trabalhei com o Exército entre 1973 e 1974. Fui umas oito vezes com eles pro mato”, contou. Ele recorda que teve um tiroteio em Chega com Jeito entre soldados e guerrilheiros. “Aí, vi o Osvaldão morto, na Grota da Onça. Eu tava de guia nesse dia e vi a cabeça dele separada do seu corpo”.

Quando acabou a guerrilha, Seu Ângelo disse que participou de reunião com militares e guias com a presença do Curió. “Ele dizia que tinha que pegar esse povo, os guerrilheiros, e que ele tinha vencido a guerra e que ia dar um lote de terra para cada um”. Ângelo diz que não quis porque já tinha sua roça.

“Os guerrilheiros eram um povo bom. A gente não tinha hospital aqui e quando tinha malária eles davam o remédio certo. Faziam mutirão e ajudavam na roça”, lembra Raimundo Nonato dos Santos, 70 anos, na época conhecido como Peixinho, vizinho dos guerrilheiros. Seu Raimundo disse que conheceu Nelito, Zé Carlos, Nunes, Zé Bom, Piauí, Edinho, Duda, Maria.  “Vi o Nunes e o Zé Carlos quando eram enterrados ainda com a cabeça de fora. É difícil de achar porque aquela área agora ta toda debaixo de pasto. Fica em Caçador, na cabeceira da fazenda Fortaleza”.

Ele contou que os militares “colocavam os guias de isca na frente”; em seguida, vinham os soldados. O grupo de Peixinho, conforme relatou, guiava o Capitão Salsa. “Ele não usava farda, mas roupa normal, de camponês”. “Fui porque era obrigado. Mas nunca derrubei sangue de ninguém”, ressaltou.

Peixinho falou também sobre Pedro Carretel, camponês que se incorporou às Forças Guerrilheiras do Araguaia (Forga). “Foi pego vivo. Encheram ele de chumbo, mas ele não morreu. Levaram ele pra Bacaba. Carretel disse ‘no dia em que eu sair daqui, vocês não vão escapar de mim’. Só por dizer isso, os soldados mataram ele. Gostava muito dele, moço. Não queria ver morrer”.

Um dos mistérios que rondam a Guerrilha do Araguaia é o paradeiro das ossadas. Muitos corpos foram retirados de seus locais, em outros, o solo foi modificado.  De acordo com Diva Santana, conselheira da Comissão de Mortos e Desaparecidos, membro do grupo Tortura Nunca Mais na Bahia e irmã da guerrilheira desaparecida Dinaelza Santana Coqueiro, a Mariadina, , “os depoimentos que ouvi ali não ajudam muito. Contudo, aquelas pessoas que falaram para a Comissão sabem muita coisa, mas não têm garantia, nem segurança para falar”.

Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia, acredita que o conjunto de declarações dadas pelos moradores da região poderá ajudar na busca pelas ossadas. “Vamos procurar todas as provas documentais disponíveis e cruzar com esse material”.

Perseguição sistemática

De acordo com um dos conselheiros da Comissão de Anistia, Egmar José de Oliveira, “a audiência em São Domingos não deixou dúvidas de que houve perseguição sistemática dos militares aos moradores da região, o que nos dá elementos suficientes para anistiar os perseguidos. O segundo passo é verificar as formas de reparação financeira”. Segundo a lei 10.559, a Lei da Anistia, a indenização pode ser paga em prestação única ou mensal. No caso dos camponeses, que em sua maioria não possuía vínculo empregatício, as indenizações deverão ser aplicadas em uma única parcela, no valor máximo de R$ 100 mil reais.

Com base nos relatos colhidos e nos documentos que a Comissão vem juntando ao longo dos últimos anos, os conselheiros irão verificar a veracidade dos depoimentos. Um dos pontos que serão investigados são as premiações, em forma de lote de terra, que os militares davam a alguns mateiros como pagamento pelos serviços prestados. “Já solicitamos ao Incra um levantamento das posses da região para sabermos quem ganhou terra dos militares”, explicou Oliveira.

Ainda hoje, os camponeses temem falar sobre a guerrilha. Zezinho do Araguaia, que participou do combate no sul do Pará, diz que o Exército tem seus informantes na região. “Havia na sessão um agente do 28º Batalhão de Marabá, que usava um telefone celular para filmar”, disse.

Apesar da resistência que ainda existe por parte do poder militar para que não se investigue o caso mais a fundo, Zezinho está confiante no trabalho da Comissão. “Foi o maior avanço que pude ver na nossa democracia. Para mim, foi o grande encontro do século 21 no Brasil, um encontro de heróis. De um lado, aqueles que lutaram contra um governo tirano. Do outro, aqueles jovens da Anistia, que ousaram sair do ministério e ir ao encontro dos camponeses”.

Reconhecimento do Estado

A iniciativa de promover o encontro dos torturados do Araguaia partiu do governo do Pará e da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do estado, que convidou a Comissão de Anistia para ouvir os depoentes. “Essa audiência é histórica e da mais alta importância porque se trata de o Estado brasileiro reconhecer suas responsabilidades e as violências cometidas, entre elas a tortura de presos indefesos sob a guarda do Estado”, disse Socorro Gomes, secretária de Justiça e Direitos Humanos do Pará.

Socorro avalia que esse é um passo também no sentido de se resgatar a honra daquelas pessoas. “Muitos sentem vergonha e medo de falar. Há muitas mulheres que foram violentadas e que ficam constrangidas em contar o que passaram”.

No Pará, estado visto como terra de pistolagem, Socorro diz que a sessão é uma forma de se construir uma política de direitos humanos. “O povo paraense sempre lutou muito. Ou seja, se por um lado há ainda aquele estigma de que o estado é terra de ninguém, por outro há uma enorme robustez de nosso povo nas lutas populares”.

“Foi um fato positivo em todo esse processo de busca da verdade que vem acontecendo ao longo desses anos após a ditadura militar e vem a fortalecer a luta dos familiares e da sociedade comprometida com esse processo”, salientou Diva. “Diferencio essa audiência das outras porque se trata de uma população que foi completamente abandonada. Toda vez que vou à região, me emociono porque a gente se depara com um país de duas faces”.

Outra vitória importante ressaltada por Diva é a tentativa do Pará de implementar, no âmbito estadual, lei que prevê a reparação a torturados e perseguidos, a exemplo do que já acontece em estados como Paraná, o primeiro a ter esse tipo de legislação, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco. “É imprescindível para o estado do Pará uma lei como essa, pois além da reparação financeira, reafirma o projeto democrático local”.

Política de terra arrasada

Perseguida durante os anos de chumbo, Maria do Socorro Moraes foi para a clandestinidade e passou a se chamar Josideméia, depois Joana e por último, Maria José. Hoje, adotou o Jô, presente nos três nomes.

Deputada federal pelo PCdoB de Minas Gerais, Jô Moraes, também participou da sessão como representante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. “Essa audiência marca um momento em que o Estado brasileiro se dirige ao cenário dos acontecimentos, demonstrando a sua responsabilidade e a necessidade de que a sociedade realize reparos não apenas aos indivíduos isoladamente, mas à comunidade que foi atingida como um todo, numa política de terra arrasada”, declarou ao Vermelho.

Segundo Jô Moraes, o que mais chamou atenção nos depoimentos a que teve acesso foi a constatação de que houve uma ação terrorista generalizada por parte dos militares contra a população local. “Foram dezenas e dezenas de camponeses presos e obrigados a prestar serviços aos militares. Fiquei muito assustada com o clima de perseguição indiscriminada, o nível de aprisionamento daqueles camponeses e o uso deles como agentes involuntários do rastreamento dos guerrilheiros na mata”.

Como dirigente comunista, Jô disse ficar satisfeita em ver a continuidade das ações do partido na região, com a organização do PCdoB em São Domingos e São Geraldo, por exemplo. “É muito bom ver que naquelas comunidades, onde os camponeses encontram enormes dificuldades, o partido é atuante e vem lutando pela melhoria da vida de quem vive na região. Também fico orgulhosa por ver que aquelas pessoas estavam ali ajudando a resgatar a história de companheiros perseguidos”.

Já Criméia Alice Schmidt de Almeida, que fez parte da guerrilha em 1972, acha que mais do que a reparação financeira, deve-se valorizar a reparação moral dos perseguidos. “Na verdade, o que aconteceu na região do Araguaia foi crime de lesa humanidade, comparável ao que fizeram os nazistas, porque atingiu toda a população local com resultados que ainda hoje podem ser percebidos”.

Luz à verdade

Quando a primeira etapa da audiência acabou, já era uma hora da manhã de domingo, dia 23. A equipe, cansada e faminta, seguiu para o hotel, em Marabá. No ônibus, todos comentavam o que ouviram. Era a excitação de um grupo de jovens advogados sedento por descobrir ao menos uma parte de uma das mais enigmáticas passagens de nossa história recente. Cortando o campo no meio da madrugada, a sensação de que naqueles mesmos lugares por onde agora passavam, há 33 anos, militantes e camponeses lutaram até o fim e morreram pelo sonho de um país livre, justo e soberano.

O Brasil, com um governo democrático à frente, busca agora reconstituir essa passagem e trazer à luz a verdade histórica. Como é dito na apresentação do livro Direito à memória e à verdade, não se “vira a página” desse período trágico da história com “falsos esquecimentos”, mas sim “com a elucidação de tudo que se passou”.

*enviada a São Domingos de Araguaia

fonte: Vermelho






09/04/2008

Comissão especial da Câmara pedirá explicações ao Planejamento e à Justiça

A comissão especial Câmara dos Deputados que trata de questões de anistiados políticos e também daqueles trabalhadores demitidos em razão de movimentos grevistas aprovou em sua primeira reunião, realizada nesta terça-feira (8), requerimento para a realização de audiência pública no colegiado.

 

O autor do requerimento, deputado Tarcísio Zimmermann (PT/RS), convidou os ministros do Planejamento e da Justiça para esclarecer sobre as pendências que entravam a solução dos problemas dos anistiados nesses órgãos.

 

Ao discutir o requerimento, Zimmermann acolheu a sugestão do deputado Magela (PT/DF). De acordo com Magela, seria melhor pedir uma justificativa, por escrito, dos órgãos competentes para vislumbrar as soluções dos conflitos existentes com os anistiados.

 

A comissão deverá enviar aos ministérios os questionamentos necessários na próxima semana. O requerimento foi aprovado com a ressalva do deputado Magela. O colegiado volta a se reunir na próxima quarta-feira (16).



Informativo de 15/03/2008 

 
14/03/2008 - 17:30h
Nota de Esclarecimento

Brasília, 14 de março de 2008.


NOTA DE ESCLARECIMENTO


1. As recentes matérias veiculadas na imprensa nacional comparando as indenizações que o Estado brasileiro concedeu aos cidadãos Diógenes de Oliveira e Orlando Lovecchio ocorrem em impropriedades jurídicas flagrantes e, por isso, exigem a presente prestação de esclarecimento à sociedade brasileira.

2. A Lei 10.559/02, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e originada pelas Medidas Provisórias 2151/01, 2151-3/01 e 65/02 de iniciativa do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, concede reparação econômica a todos os perseguidos políticos pelo Estado brasileiro que apresentarem requerimento e documentação comprobatória junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

3. Ambos os cidadãos exerceram seus direitos de peticionar à Comissão de Anistia requerendo reparação econômica.

4. O Sr. Diógenes de Oliveira foi declarado anistiado político após instrução processual que durou quase cinco anos, onde se verificaram os dois requisitos principais da Lei para concessão de anistia: a) a inequívoca perseguição política, tendo inclusive sido o perseguido banido do território nacional em ato de exceção, nos termos do art. 2º, I, VI e VII; b) perda do vínculo laboral que mantinha com a Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE), motivado diretamente por esta perseguição – fato este que define o valor da indenização, nos termos rigorosos dos artigos 5º e 6º do mesmo diploma legal.

5. Pelo compromisso com o direito à informação e a transparência da atividade pública, é preciso que seja destacado que, para fins de declaração da condição de Anistiado Político Brasileiro, nos termos estritos da Lei, não há que se verificar os meios de resistência utilizados pelos brasileiros e brasileiras perseguidos pelo regime ditatorial. A anistia tem como objetivo a exata promoção da pacificação da sociedade visando, neste momento, apurar e reparar os danos causados pelo Estado a milhares de brasileiros e brasileiras. A Lei 10.559/2002, que prevê as reparações a perseguidos políticos, ressalta-se novamente: tem por objetivo reparar os danos morais e materiais causados pelo Estado a seus cidadãos. Verificado o dano, busca-se o modo de reparação.

6. O Sr. Orlando Lovecchio, por sua vez, teve em dois momentos seu requerimento de anistia apreciado nesta Comissão de Anistia. Este fato, por si, afasta a imputação que faz à administração pública, de omissão quanto a seu caso. Numa primeira oportunidade, em setembro de 2003, foi julgado por turma desta Comissão, que entendeu não ser ele perseguido político pelo Estado. Numa segunda ocasião, em 19 de outubro de 2004, teve seu recurso apreciado em Plenário, novamente chegando-se a mesma conclusão.

7. Tal destaque é relevante porque esta Comissão de Anistia está adstrita ao que sua Lei de instituição, voltada a todos os perseguidos políticos brasileiros, previu para que se concedesse anistia e reparações econômicas a pessoas perseguidas pelo Estado brasileiro.

8. Desta feita, o fato concreto é que não há dispositivo normativo na Lei da Anistia que preveja a reparação para o Sr. Orlando Lovecchio.  A despeito disso, o Congresso brasileiro aprovou legislação específica e individual ao Sr. Orlando Lovecchio instituindo a sua atual aposentadoria (Lei 10.923/2004). Lei esta que beneficia unicamente a ele, criando regime jurídico exclusivo à ele e indisponível para esta Comissão. A produção de tal Lei constitui nova prova da ausência de omissão estatal em relação a sua situação concreta.

9. Nestes termos, constitui-se em definitiva impropriedade comparar os valores das indenizações de ambos. Os regimes jurídicos ensejadores das indenizações são distintos e incomparáveis. Enquanto o primeiro recebe prestação mensal, permanente e continuada concedida e arbitrada por esta Comissão a perseguidos políticos do período que se estende de 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988, fulcrada na Lei 10.559/2002, o segundo recebe aposentadoria excepcional, de regime previdenciário, com valor fixado para si pela Lei 10.923/2004. Os critérios e parâmetros indenizatórios para cada caso foram estabelecidos pelo Congresso Nacional, por força das duas referidas leis.

10. Por fim, não há de se confundir o trabalho cívico e administrativo desta Comissão de Anistia, que é o de prestar contas à sociedade brasileira e a seus cidadãos em particular pelas ações equivocadas do Estado durante períodos de repressão, com o papel de um “tribunal da história”, onde se decide sobre a qualidade e justeza das lutas políticas das pessoas que tiveram seus direitos humanos fundamentais violados por quem os deveria proteger.

11. É nesse sentido que, buscando cooperar no processo de concertação nacional, a Comissão orienta seus trabalhos no sentido de não apenas indenizar os perseguidos políticos pelo Estado, mas também avivar a memória do período – em todas as suas facetas –, fortalecendo a democracia no Brasil. Assim como esta Comissão não tem competência para penalizar os torturadores do regime autoritário assim também não o tem para fazer merecida justiça ao Sr. Orlando Lovecchio. Qualquer extravasamento de sua competência seria correta e prontamente fulminada pelo Poder Judiciário.


Paulo Abrão Pires Junior
Presidente da Comissão de Anistia
Ministério da Justiça

Fonte: MJ/Comissão de Anistia




26/02/2008 - APOSENTADORIA
Senado pode votar projetos que beneficiam aposentados


Os projetos que levaram centenas de aposentados e pensionistas ao plenário do Senado, na manhã de hoje (26), podem ser colocados em pauta para votação. Essa foi a posição do presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB/RN), que afirmou aos aposentados, representantes de entidades ligadas a eles e ao senador Paulo Paim (PT/RS), que, se depender dele, certamente isso acontecerá.

 

Segundo o senador Paulo Paim, autor de muitas dessas matérias, o importante é colocar os projetos em votação. “Queremos ver essas matérias aprovadas. Então, é colocar na pauta e votar. Acredito que a maioria concorda que nossos aposentados e pensionistas merecem o que está sendo proposto”, disse.

 

As matérias são: o PLS 58/03, que pretende resgatar o poder aquisitivo de aposentadorias e pensões e o PLS 296/03, que extingue o fator previdenciário, ambos de autoria do senador Paim; o PLC 42/07, do Executivo, que prevê políticas de reajustes e valorização para o mínimo até 2023, juntamente com a emenda de Paim que estende essa política para todos aposentados e pensionistas; e o veto ao reajuste de 16,67% aprovado em 2006 na Câmara e aqui no Senado.

 As rosas falaram

Aposentados e pensionistas de todo País estiveram no plenário do Senado na manhã de hoje. A homenagem a eles, proposta pelo senador Paulo Paim, tornou-se também uma bela forma de pedir o apoio dos parlamentares. Rosas foram entregues aos que estavam presentes e muitas outras deixadas na tribuna, e posteriormente entregues ao presidente Garibaldi Alves, para serem entregues aos senadores que não puderam comparecer à sessão.

 

Mesmo assim, a sessão foi uma das que mais teve participação dos parlamentares. Cerca de 40 estiveram presentes, sendo que 20 fizeram uso da palavra.

 

Com as flores havia um cartão com a frase “Devias vir para ver os meus olhos tristonhos e, quem sabe, sonhavas meus sonhos, por fim”, de Cartola, e um pedido para aprovação dos projetos de interesse da categoria.

 

“Essa foi a forma que os aposentados e pensionistas encontraram de pedir a nós, senadores, que nos colocássemos em seus lugares e aprovássemos as matérias que podem lhes dar melhores condições de vida”, ponderou Paim.


 26/02/2008 - HOMENAGEM
Paim apela a todos os partidos por urgência para projetos em favor dos aposentados


Em discurso durante sessão de homenagem ao Dia Nacional do Aposentado, o senador Paulo Paim (PT/RS) conclamou os parlamentares a colocarem na pauta do Congresso, para votação com urgência, o veto ao reajuste de 16,67% para os aposentados. Também apelou a todos os partidos para se unirem a fim de que seja garantida a urgência na tramitação do projeto de lei do Senado 58, de 2003, e do projeto de lei da Câmara 42, de 2007, entre outros.

 

Paim, autor do requerimento para a realização da homenagem, explicou que o PLS 58/03 pretende resgatar o poder aquisitivo de aposentadorias e pensões e que o PLC 42/07 prevê políticas de reajuste e de valorização do salário mínimo e no qual foi incluída emenda que estende essa política para todos os aposentados e pensionistas.

 

“É preciso, senhoras e senhores, colocar essas matérias em votação o mais rápido possível. O Congresso tem que assumir a sua responsabilidade”, declarou Paim.

 

O parlamentar petista declarou que os parlamentares são peças fundamentais para realizar esses objetivos dos aposentados. Ele lembrou que em 24 de janeiro a Previdência Social brasileira completou 85 anos.

 

“Colocar essas matérias em votação seria uma excelente forma de comemorar essa data, e votar em favor delas, a melhor maneira de homenagear nossos aposentados e pensionistas”, concluiu Paim.

 

O discurso de Paim contou com apartes dos senadores Cristovam Buarque (PDT/DF) e Eduardo Suplicy (PT/SP). Paim foi elogiado em quase todos os discursos da sessão por seu papel na luta em favor dos aposentados. (Fonte: Agência Senado)
 



18/02/2008

PROCESSOS NA COMISSÃO DE ANISTIA

STJ determina que ministro da Justiça forneça informações para agilizar processos de anistiados políticos

A Presidência do Superior Tribunal de Justiça determinou que o ministro da Justiça, Tarso Genro, preste as informações necessárias para que a Comissão de Anistia possa concluir o parecer técnico acerca do valor da indenização devida a José Alcino de Oliveira Pinto e Luiz Xavier Dias, ex-funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Eles impetraram, individualmente, mandados de segurança contra o ministro, alegando omissão do chefe da pasta da Justiça na agilização de ambos os processos. 

Durante o período da ditadura militar no Brasil, José Alcino e Luiz Xavier foram demitidos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) por motivações políticas. Os funcionários, então, requereram o direito à anistia reconhecido pelo artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que abrange todas as situações de perseguição política ocorridas no Brasil entre 18/09/1946 e a promulgação da Constituição, em 05/10/1988.

Segundo informações contidas nos mandados, os processos administrativos estão concluídos desde 2003, quando os casos foram enviados à Comissão de Anistia, criada em 2002. Ambos os antigos funcionários já estariam devidamente anistiados, não cabendo qualquer discussão ou análise das provas que garantiram a decretação da anistia política, bastando apenas que a Comissão decidisse o valor da indenização a ser paga a cada um. "Desde a transferência dos autos para a Comissão de Anistia, o impetrante vem reiteradamente aguardando a conclusão acerca do montante indenizatório a que tem direito. Mas todas as informações que recebia pela internet não indicavam qualquer tipo de medida prática que levasse ao fim da causa", ressalta a defesa de José Alcino.

Anistiados desde abril de 1999, os ex-funcionários afirmam haver "omissão, inércia e descaso com o direito adquirido nos obscuros anos do regime de exceção" e impetraram mandados de segurança no STJ para garantir que o ministro da Justiça agilize a conclusão do parecer técnico a respeito do valor da indenização, assim como forneça as informações que a Corte Superior julgar necessárias no prazo máximo de 10 dias. O vice-presidente Francisco Peçanha Martins, antes de analisar o pedido, intimou o ministro da Justiça a prestar as informações no período determinado, a partir da data da publicação da decisão, prevista para 1º/02/2008. Somente após a chegada das informações as liminares serão apreciadas pelo STJ. Coordenadoria de Editoria e Imprensa





16/01/2008

TARIFAS BANCÁRIAS
Aposentados poderão ficar isentos de tarifas bancárias


O projeto de lei 1.616/07 de autoria do deputado Carlos Abicalil (PT/MT) proíbe as instituições financeiras de cobrar de aposentados e pensionistas tarifas ou qualquer outra forma de contrapartida pela prestação de serviços bancários básicos.

 

De acordo com o projeto os serviços bancário básicos são; a abertura, manutenção e movimentação de conta corrente, transferências, depósitos e ordens de crédito, fornecimento de talão com 20 folhas de cheque por mês, consultas de saldos em terminais eletrônicos, e emissão, por terminal eletrônico, de um extrato a cada 30 dias.

 

Hoje todo correntista tem esse serviços disponíveis desde que pague uma taxa que, pode ser trimestral ou mensal, dependendo da instituição financeira a qual é correntista.Para Abicalil não é justo que os aposentados e pencionistas que, segundo ele, tem sofrido perdas em suas aposentadorias continuem a arcar com essas despesa.

 

Inflação

Ainda de acordo com o autor do projeto, com a queda da inflação a partir de 1996, o setor financeiro tem aumentado a cobrança dessas tarifas para compensar a perda de seu faturamento, antes obtido com o imposto inflacionário.

 

Antes de seguir para plenário a matéria passará pelas comissões de Defesa do Consumidor, Seguridade Social e Família, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça da Casa. Caso aprovado em todas as instâncias seguirá para o Senado Federal. (André Santos)    fonte : DIAP





INFORMATIVO DE 20/10/2007 

SOLIDARIEDADE EM RESPEITO A UMA CAUSA JUSTA


Há uma petição em fase de recolhimento de assinaturas dirigida ao STF e ao Governo brasileiro com a finalidade de chamar o Estado à sua responsabilidade e a Justiça à sua função precípua, sem associação a considerações de natureza outra que não seja, simplesmente, a Justiça, no julgamento da ação de responsabilidade movida pelo AERUS contra a União pela pulverização do dinheiro pago pelos beneficiários durante décadas.

São necessárias 19.000 assinaturas para serem enviadas ao STF, que, ao que parece, ignora a urgência em julgar uma causa já ganha no STF que envolve a vida de cerca de 10.000 aeronautas/aeroviários idosos beneficiários do AERUS (Varig, Transbrasil) e também do AEROS (da  Vasp).

Na página da petição, além de campos para o nome, email, etc., há espaço para comentários e considerações sobre este episódio escabroso que só contribui para o descrédito da aposentadoria complementar no Brasil e da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), órgão que DEVERIA FISCALIZAR os fundos de pensão.

Seria ideal que o número de assinaturas nesta petição ultrapassasse em muito o de 19.000, pois seria um indício para o governo de que o povo não está ignorando nem se omitindo em relação a um tema de tamanho interesse para todos. Então seria ótimo se pudessem transmitir aos amigos, conhecidos e familiares a exposição dos fatos e o endereço para a assinatura em apoio àqueles que pagaram muito bem para um descanso digno.

O ENDEREÇO PARA A PETIÇÃO: www.petitiononline.com/apoaerus/petition.html

NOTA: POR FAVOR, ASSINEM A PETIÇÃO PARA AJUDARMOS A REVERTER O CASO.QUALQUER PESSOA PODE ASSINAR EM SOLIDARIEDADE AOS AERONAUTAS E AEROVIÁRIOS ATINGIDOS. A UNAA AGRADECE O SEU APOIO A ESTA CAUSA.Tato





informativo de 15/10/2007

A DEMAGOGIA DA ENROLAÇÃO!

Segue abaixo, o Projeto de Lei do Senado N.º 517 de 2007, do Senador Expedito Júnior (PR/RO) - que altera a Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, Regulamenta o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e dá outras providências, para tratar sobre o cálculo do valor dos danos morais e materiais devidos ao anistiado político e determinar forma de fiscalização das decisões da Comissão de Anistia.

Referido projeto de Lei visa criar possibilidades para que processos sejam impugnados pela existência de supostos amigos ou inimigos de requerentes que fazem parte da comissão possibilitando processos infindáveis, enfraquecendo o Poder da Comissão. Além de questionar a idoneidade dos que desde o início lá estão. Deixa, ainda a mercê do TCU a decisão sobre a prioridade ou não dos pagamentos de anistiados e ainda reduz significativamente os valores das indenizações. Ou seja: A DEMAGOGIA DA ENROLAÇÃO!

Leia a íntegra do projeto:

PROJETO DE LEI DO SENADON° 517, DE 2007Altera a Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, Regulamenta o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e dá outras providências, para tratar sobre o cálculo do valor dos danos morais e materiais devidos ao anistiado político e determinar forma de fiscalização das decisões da Comissão de Anistia.

                       O CONGRESSO NACIONAL decreta:

           Art. 1° A Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, que Regulamenta o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e dá outras providências passa a vigorar com as seguintes alterações:

                       "Art. 3º.....................................................................................

                        § 1º.........................................................................................

                        § 2º..........................................................................................A portaria do Ministro de Estado da Justiça deverá discriminar os valores relativos aos danos morais dos valores relativos aos danos materiais; Dos danos materiais serão deduzidos os valores percebidos pelo anistiado em razão das atividades econômicas exercidas durante o período em relação ao qual peticiona a reparação econômica de caráter indenizatório; Na determinação do ressarcimento por danos morais, deverá ser considerada a capacidade orçamentária do Estado, ouvido previamente o Tribunal de Contas da União."

"Art. 12......................................................................................

§ 1º  Os membros da Comissão de Anistia serão designados mediante portaria do Ministro de Estado da Justiça e dela participarão, entre outros, um representante do Ministério da Defesa, indicado pelo respectivo Ministro de Estado, um representante do Tribunal de Contas da União, indicado pelo Presidente daquele órgão, e um representante dos anistiados. ...................................................................................................

§ 6º As decisões da Comissão de Anistia deverão ser tomadas por consenso. (NR)"

Art. 12- A Deverá declarar-se suspeito o membro da Comissão de Anistia que tiver elos de amizade ou inimizade, parentesco ou afinidade, com o peticionário ou a pessoa em favor de quem se esteja solicitando a anistia e a reparação econômica.

Art. 12-B Os membros da Comissão de Anistia, disciplinados pelo Código de Ética do Servidor Público, deverão apresentar ao Ministro da Justiça, para imediato envio ao Tribunal de Contas da União, cópia das Declarações de Imposto de Renda antes da posse, a cada ano de exercício junto à Comissão, e no seu desligamento.

           Art. 2° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

           O Brasil possui um problema orçamentário crônico que tem dificultado seu crescimento econômico e a melhoria de seus indicadores sociais. Para fazer face aos desafios que o Brasil enfrenta, é preciso, minimamente, fôlego financeiro.

           Diante desse quadro, avilta a consciência nacional que poucos cidadãos, a título de reparação econômica, em razão dos atos havidos durante o regime ditatorial, consigam do Estado somas impensadas e escorchantes, em detrimento das outras tantas necessidades, e mesmo urgências, nacionais e do bem-estar de milhares de famílias.

           O projeto de lei em tela estabelece novos critérios à reparação conferida aos anistiados. Em primeiro lugar, deduz dos valores relativos aos danos materiais aqueles auferidos em razão de atividade remunerada exercida pelo anistiado durante o período em relação ao qual peticiona a reparação econômica, ou seja, durante o período no qual alega ter sofrido dano em razão dos atos do regime ditatorial instalado no Brasil durante quase duas décadas.

           Ora, o instituto da indenização visa a recompor o patrimônio material ou moral danificado, consoante informa o art. 927 e seguintes da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil (CC). O art. 944 da referida lei informa que a indenização é medida pela extensão do dano, cujo cálculo engloba lucros cessantes, danos emergentes e o dano de natureza moral. Portanto, no que concerne ao patrimônio material, desconsiderar os valores obtidos pelo anistiado por exercício de atividade econômica durante o período em que requer a reparação seria facultar o enriquecimento sem causa, às expensas do Estado, o que causa repúdio à consciência cívica.

           São bem conhecidos os casos de anistiados que não apenas conseguiram meio de subsistência após a intervenção do regime ditatorial em suas vidas - que os forçou a mudarem de trabalho e mesmo de país - mas que chegaram a amealhar patrimônio material considerável, e, até mesmo, superior ao que comporiam caso se mantivessem em seus empregos anteriores. Decerto, o conseguiram por seus méritos. Todavia, isso demonstra que o dano perpetrado pelo Regime foi contornável, não lhes tirou a capacidade laboral, e, no que concerne aos danos patrimoniais, causou-lhes pouco impacto.

           Quanto à fórmula de cálculo dos danos morais, esses mais subjetivos, é preciso que ela contemple a capacidade de quem é obrigado a pagar por tais danos, conforme hodiernamente ocorre em relação ao cálculo de danos morais infringidos por particulares. Nesse sentido, o projeto de lei que ora apresentamos, visa a restaurar a justiça ao Estado, impondo que se leve em conta a sua capacidade orçamentária. Também por esse motivo, o Tribunal de Contas da União passa, pela nova redação da popularmente chamada Lei de Anistia, a integrar a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, a qual é responsável por assessorar o Ministro de Estado da Justiça em suas decisões sobre a concessão do status de anistiado e das reparações econômicas; e, para evitar possíveis polarizações das decisões advindas de órgão tripartite, as decisões da Comissão passam a exigir o consenso entre seus membros.

           Essas as alterações que julgamos poderão contribuir para a melhoria dos critérios de determinação da reparação econômica aos anistiados políticos. Esperamos granjear o apoio dos nobres Pares na aprovação deste Projeto de Lei.

 

Sala de sessões,

 

Senador EXPEDITO JÚNIOR

SENADO FEDERAL

GABINETE DO SENADOR EXPEDITO JÚNIOR





Informativo 24/08/2007

“DIREITOS HUMANOS E ANISTIA”

 15 e 16 de agosto de 2007         AUDITÓRIO NEREU RAMOS




                     DOCUMENTO ENTREGUE AS AUTORIDADES
    

        1º SEMINÁRIO NACIONAL DOS ANISTIADOS E ANISTIANDOS DO BRASIL

 

               “Não existe justiça nem paz em uma sociedade a que se nega o direito internacional e constitucional à verdade e à memória, a negativa da verdade ofende a liberdade e a democracia. Enquanto não houver luz sobre todos os fatos históricos brasileiros, não se completa a construção da democracia” (Carta de São Paulo do MPF/SP).

 

               A destruição do adversário pela tortura e morte tem na sua origem a mais primeva manifestação troglodita do homem. Só o homem que ainda não foi bafejado pela idéia de civilização e convívio harmônico é que defende a aniquilação de seu semelhante pela simples razão de pensar diferente, reação que deveria ser atribuída somente ao desequilíbrio.

 

               Os anos obscuros do regime militar foram expoentes na tentativa de destruição de todo o cidadão que não servia ou poderia não servir às elites econômicas nacionais que eram, e são, irmãs dos capitais internacionais, daí o exemplar apoio na guerra de aniquilação das intenções democráticas, populares e nacionais, da década de 60, as quais se propunham redistribuir as riquezas produzidas pela Nação e seriam prejudiciais às minorias dominantes.

 

               Entendemos que a mera reparação econômica não recompõe a integralidade do direito fundamental violado e, quando aplicada isoladamente, desqualifica esse direito e aprofunda a violação do direito à verdade e à memória.

 

               A violação do direito à verdade e à memória produz a tolerância de grande parte da sociedade a crimes graves como a corrupção, aumento da violência e da tortura, assim como a alienação dos meios de comunicação e das instituições da Justiça brasileira, na função essencial do Estado de administrar a Justiça.

 

               As leis ficam à mercê da boa vontade de alguns  dos Agentes do Estado em cumpri-las ou não sob exigências que eles interpretam. Buscam com lupa as entrelinhas para postergar a concessão de benefícios, ideologizados pelos centros que os preparam para a carreira, com a filosofia da ditadura ainda hoje intacta.

 

               Procrastinam, chancelam, acobertam e defendem as entregas do país a potências estrangeiras e por um viés de cegueira, chancelam as mortes sumárias ou sob tortura (vide Élio Gaspári) dão guarida às desaparições, que ainda hoje são escamoteadas ou simplesmente escondidas. Isto é, defendem esclerosadamente o terrorismo de estado vivido numa época servil do passado, para satisfação de interesses dos grupos econômicos transacionais.

 

               A ditadura montou uma engrenagem de formação social, intelectual e de opinião pública, para justificar seus atos. Assim, as escolas e centros de formação da máquina repressora aí existente, instruem seus agentes para tratar os adversários de ontem e os criminosos de ontem e de hoje, todos igualados e desumana, discricionária e ilegalmente, como se fossem inimigos humanos, inimigos daquela sociedade brasileira que eles vêm, que pensam ser apenas deles.

 

               A trajetória de forjar o esquecimento dos fatos históricos, para fugir à composição de conflitos passados, também estimula a violência, que aumenta a criminalidade reveladora da idéia de um Estado não – transparente, que favorece a corrupção, e ratifica a desigualdade social, pois demonstra que nem todos são iguais perante a Lei.

 

               E assim continuará sendo enquanto não forem reformulados os currículos das escolas de formação de integrantes dos órgãos de segurança, dando a eles ensino humanitário, de sociologia, direito constitucional, cidadania. Todo ser humano primeiro tem que ser cidadão para depois ser militar ou policial.Pergunta-se: “Não estará aqui a razão da falta de interesse para o aparelhamento e modernização das FFAA? Estas instituições geralmente são orgulho em outros países e aqui não estarão sendo tidas como perigosas à sociedade civil?

 

               Certos agentes do Estado cumpriram parcamente a Lei 6683/79 (exceto para os golpistas e torturadores), com imensas dificuldades a EC 26/85 e reagiram ao cumprimento do Art. 8º do ADCT/CF/88 e ainda reagem à aplicação da Lei 10.559/02.

 

               Os anistiados políticos hoje são ainda tratados como inimigos daquele Estado estabelecido pela força, e assim serão enquanto não for mudada a filosofia da Administração da República, que mesmo sobrepujando resistências, continuam, anistiados e Estado, sob a ameaça da espada sobre a cabeça. Estamos rotineiramente a ver nas manifestações pela imprensa, os saudosistas matadores nos porões da ditadura, se refestelarem e fazerem ameaça à democracia e ao governo.

 

               Outros países já estão na segunda etapa. O Brasil ainda esconde sua história, de terror, em benefício de quem? Para acobertar os horrores dos interesses americanos? Ou para esconder os criminosos nacionais?

 

               O Estado tem prometido abrir sua história, mas não cumpre, é conivente. Isso tem atrasado a consolidação da democracia no Brasil, tem impedido o sepultamento político da ditadura, e a criação de instrumentos sólidos contra o golpismo, as conspirações e provocações autoritárias. Por conta deste artifício os poderes constituídos, manobrados, não censuram nem punem provocações de altas patentes e da aristocracia militar, que protagonizou a ditadura, e fazem jantares de confraternização e desagravo a torturadores de suas fileiras, e renegam ou procuram desqualificar os julgamentos da Comissão de Anistia.

 

               Assim, a aplicação das leis de anistia estão sendo tardias, parciais e escamoteadas setorialmente. Já avançamos neste governo, mas poucos têm a noção real do trabalho que vimos tendo para alcançar os objetivos. O Estado que deveria estar sendo empregado em benefício de todos, está tendo prejuízos em função de ter sido mal usado. Onde quer que o Estado totalitário tenha se manifestado pela bota do ditador, aí tem que haver alguma forma de reparação ou então o atual Estado está fomentando ou justificando o arbítrio de então.

 

Por esta razão muito especial os açambarcadores do estado de direito deveriam ser exemplarmente punidos. Estas pessoas, iguais aos que cometem crimes de guerra, genocídios ou lesa-humanidade, não podem ser dispensados das responsabilidades, porque criminosos conscientes, criminosos com a consciência de estarem cometendo o crime pelo abuso do poder momentâneo que detinham. Teriam eles que repor ao Estado os prejuízos causados. Teriam que cobrir os gastos de indenizações e outros resultantes de suas ações. Ou indenizariam o Estado pelo seu mal ou teriam que ser processados.

 

               A Lei de Anistia nº 6683/79, tal como foi aprovada, não se presta para anistiar os crimes praticados por agentes do Estado, pois delitos como seqüestro, torturas, mortes e desaparecimentos de opositores ao regime, não podem ser chamados de crimes políticos, conexos ou vinculados a estes. Os crimes de tortura e desaparecimento forçado de pessoas devem ser qualificados como crimes contra a Humanidade e imprescritíveis, conforme jurisprudência das côrtes internacionais de Direitos Humanos.

 

               O Estado brasileiro tem que dar mostras de sua maturidade em defesa da sociedade e do povo deste país tão explorado. Assim sendo, as representações de entidades que trabalham pelo cumprimento das leis de anistia e reparações, propugnam às autoridades presentes e ao Executivo:

 

 I – não à alteração da Lei de Anistia 10559/02 sustentada pelo Artigo 8º do ADCT;

 

II – incluir na rubrica de pagamento da PMPC os anistiados do setor privado;

 

III – que o executivo tome as medidas necessárias para abertura dos arquivos e documentos do período discricionário com duplo objetivo de esclarecer a história do país e de fornecer dados às famílias dos mortos e desaparecidos;

 

IV – ação concreta dos poderes executivo, legislativo e judiciário que estabeleçam claramente a distinção entre a legislação sobre a Anistia Política no Brasil, e a imprescritibilidade dos crimes cometidos pelos agentes do Estado contra o Estado de Direito democrático e os Direitos da Pessoa Humana cumprindo os Tratados Internacionais;

 

V – se façam cumprir as leis de anistia nos prazos compatíveis para que os prejudicados se beneficiem. Há processos com mais de dez anos sem julgamento e mais de dois mil recursos ou revisões de erros internos estagnados;

 

VI – os órgãos do executivo cumpram sem subterfúgios as decisões do senhor Ministro da Justiça, designado pelo Congresso o executor da Lei 10.559/02, questionamentos burocráticos de outros órgãos tem por fim o retardamento do seu cumprimento e a manutenção da pena. O exército retardou a expedição de portaria de Instrução (848/06) interna e com isso está acarretando o atraso de pagamentos do Termo de Adesão à Lei 11.354/06 em um ano. Uma proposta de acordo legalizada em junho/06 (MP 300), com manifestações explícitas e imediatas de adesão dos interessados, ainda não estão sendo cumprida após um ano, repetimos.

 

VII – que sejam analisados pedidos de anistiandos, interpretando os fatos e sua época, e as intervenções do estado ditatorial que não permitia recursos e defesas;

 

VIII – o atraso no cumprimento do Termo de Adesão no Ministério da Defesa até agora inviabilizou a assinatura pelas viúvas dos Militares;

 

IX – Das viúvas pensionistas de anistiados, os órgãos militares estão descontando Imposto de Renda contrariando o que diz a Lei e o Decreto;

 

X – que o executivo tenha em vista as necessidades de verbas para atender os anistiados, independentemente de especificações setoriais, já que a Lei de Anistia determina o estado reparar sem distinção (verba de indenização não pode ser verba de custeio);

 

XI – as atualizações das indenizações devem ser automáticas, como prevê a Lei;

 

XII – que o executivo não se interponha aos trabalhos da justiça nos processos aos torturadores e matadores de presos políticos, já que o país é signatário de tratados contra os crimes de tortura e crimes de lesa-humanidade;

 

XIII – Cabos da Aeronáutica já anistiados estão encontrando dificuldades para assinar seus termos de Adesão junto à DIRINT – Diretoria de Intendência da Aeronáutica (Portaria 1103), alegando sempre que existe duplicidade de pagamentos. Entretanto, não diz como e com quem resolver. No caso do TCU, onde existem mais de mil processos parados, dizem que aproximadamente trezentos destes estão irregulares, mas não dizem quais são as irregularidades.

 

XIV – definição da situação dos Cabos da Aeronáutica atingidos pela Portaria 1.104;

 

XV – a instituição de uma Comissão da Verdade, na forma como já se pratica em todos os países latino-americanos (abertura dos arquivos);

 

XVI – criar uma subcomissão de anistia, na Comissão de Direitos Humanos para participação das associações de anistiados e anistiandos;

 

XVII – Marinheiros sofrem discriminação por serem anistiados políticos e assim não possuem direitos atribuídos aos outros militares em atividade ou reformados normalmente, embora esses casos de anistiados políticos, de acordo com a Lei 10.559/02, possuam garantias de direito baseados no Estatuto dos Militares (parecer da AGU – JD1 que reforça a Lei 10.559/02).

 

XVIII – Os anistiados políticos da marinha estão prejudicados no pagamento dos valores retroativos;

 

O pleno cumprimento da Lei 10.559/02, principalmente nos artigos:

 

Art. 1º - inciso V - que estabelece os direitos à reintegração e à indenização prevista na Lei:

 

“reintegração dos servidores públicos civis e dos empregados públicos punidos, por interrupção de atividade profissional em decorrência de decisão dos trabalhadores, por adesão à greve em  serviço público e em atividades essenciais de interesse   da

Segurança Nacional por motivo político”.

 

Art. 2º, inciso VI - onde determina que todos os demitidos por greve ou dirigentes e representantes sindicais estão plenamente enquadrados, desde a Lei 6683/79 e a Emenda 26/85:

           

“punidos, demitidos ou compelidos ao afastamento das atividades remuneradas que exerciam, bem como impedidos de exercer atividades profissionais em virtude pressões ostensivas ou expedientes oficiais sigilosos, sendo trabalhadores do setor privado ou dirigentes e representantes sindicais, nos termos do § 2º do Art. 8º do ADCT” (grifo nosso)

 

Art. 2º, inciso XI: concede Anistia e seus benefícios à todos que tenham atividade laboral comprovada, independente de possuíram CTPS ou comprovante de recolhimento de contribuição ou Imposto de qualquer natureza:

 

            “desligados, licenciados, expulsos ou de qualquer forma compelidos ao afastamento de suas atividades remuneradas, ainda que com fundamento na legislação comum, ou decorrentes de expedientes oficiais sigilosos”.

 

XIX - Moção à Câmara dos Deputados ao Tribunal de Contas da União.

 

XX – Determinar ao INSS que revogue a Instrução Normativa nº 17, de 09/04/07, em seu Art. 588, parágrafo 2º, que estabelece que o anistiado político com fundamento em certidão da Comissão de Anistia e da Lei 10.559/02, poderá utilizar a Contagem de Tempo certificada, desde que devidamente indenizado, isto é, recolhendo contribuição PREVIDENCIÁRIA pelo tempo que esteve fora de atividade, o que contraria frontalmente o Art. I, inciso III da Lei, que estabelece que a Contagem de Tempo concedida ao anistiado é para todos os efeitos, vedada a cobrança de contribuição previdenciária.

 

               Os representantes das entidades, na oportunidade, expressam pelo presente documento o reconhecimento e agradecimento aos Congressistas, especialmente à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, à Comissão do Trabalho e Serviço Público, e parlamentares solidários, pela constante acolhida e cobertura das reivindicações através dos tempos. Não fosse a acolhida da Casa do Povo, a anistia seria letra morta. Recebam nosso reconhecimento e agradecimento.

 

               Reconhecem, também, publicamente, a boa vontade do Executivo no avanço do cumprimento da Lei.

 

                                                                                                 Brasília, 15 de agosto de 2007.

   SIGNATÁRIOS:

               Documento entregue às autoridades.

               (seguiram-se assinaturas de todos os presentes que quiseram assinar)




04/07/2007 

BRASIL REPÚBLICA - O movimento de 9 de julho de 1932 

INTRODUÇÃO

O Movimento de 1932 desencadeado em São Paulo, ainda hoje é motivo de comemoração e de debates por parte da sociedade paulista. Em geral a Revolução é apresentada de forma maniqueísta, envolvendo "Constitucionalistas" e "ditatoriais" como se houvessem apenas duas situações possíveis naquele momento da história. A polarização militar que existiu de 9 de Julho a 2 de outubro, não refletia a situação política ou ideológica do país, onde vários projetos de poder apresentavam-se. 

O MOMENTO


O início da década de 30 foi marcado por uma reorganização do Estado, fruto da crise do poder oligárquico, que por sua vez refletia a formação de novas camadas sociais, com interesses distintos, do processo de urbanização e por uma reordenação da economia mundial, afetada pela crise de 29.
A maioria das avaliações sobre o final da República Velha concorda que a elite tradicional paulista, organizada no PRP, viveu um processo de isolamento, tendo como oposição uma grande frente política, que envolvia diferentes setores da sociedade brasileira: a elite urbana - principalmente de São Paulo - as camadas médias, os tenentes e as oligarquias dos demais estados, incluindo a de Minas Gerais, que até então estivera no poder. Por isso se considera que, derrubado Washington Luís, abriu-se um "vazio de poder" no país, ou seja, não havia uma facção política ou de classe com condições de controlar sozinha o poder de Estado.
Percebe-se já em 1930, com nitidez, as diversas possibilidades políticas que se apresentam ao país e os anos seguintes, incluído 32, definirão as reais chances de cada uma delas.
A formação de um governo provisório reflete essa situação, onde o novo poder, organizado por Getúlio Vargas vai caracterizar-se pela centralização, com o objetivo de fortalecer o Estado, atraindo para esse projeto os militares e parte dos trabalhadores urbanos, com um discurso nacionalista e com o início de uma legislação trabalhista, ao mesmo tempo em que atingia os interesses das oligarquias, que perdiam o controle político em seus estados e sua influência em nível nacional. O Congresso Nacional foi fechado, assim como os legislativos estaduais e os partidos políticos; os governadores foram depostos e substituídos por interventores, em sua maior parte tenentes, que abandonavam o discurso liberal, passando a defender um Estado autoritário, como elemento necessário para a construção de um novo modelo econômico e político.

 Populares nas ruas de São Paulo

SÃO PAULO

A "Revolução Constitucionalista" é vista como um movimento de São Paulo contra o governo federal. Expressões como: "São Paulo ocupado", "...o povo paulista" ou "São Paulo precisa de você..." são comuns naquele ano de 1932. Mas o que é São Paulo? Quem fala em nome de São Paulo? Existe uma São Paulo única, toda ela contra o governo Vargas ? Qual a proposta de São Paulo para a situação?
O único argumento que pode unir os diversos grupos paulista é "Constituição"
As Oligarquias do PRP, que haviam sido retiradas do poder em 1930 falam em Constituição, o Partido Democrático, refletindo o liberalismo empresarial urbano, fala em Constituição, setores intelectuais falam em Constituição. Todos defendem a mesma Constituição?

O Movimento teve o mérito de contestar o governo provisório, centralizador e autoritário, que dominava o país; no entanto, criou, estimulou e mantêm ainda hoje um sentimento bairrista, paulista, como se o "ser paulista" fosse algo superior em relação aos demais brasileiros, como se o "ser paulista" fosse algo único, com o grande objetivo constitucional, onde esse fosse o interesse primordial de todos.
Na verdade esse discurso procurou esconder, e em parte conseguiu, os objetivos específicos da nova elite estadual, representada pelo Partido Democrático, que por sua vez era a representação dos interesses de uma elite empresarial urbana que, com um discurso progressista atraiu boa parte das camadas médias, contando para isso com o primordial papel da imprensa, notadamente do jornal O Estado de São Paulo, dirigido por Júlio de Mesquita Filho, que ao mesmo tempo era um dos líderes do PD.
"...o principal líder civil do movimento era o jornalista Júlio de Mesquita Filho (1892-1969), diretor do Estado. Essa liderança ficou clara em 25 de janeiro de 1932 - cinco meses antes da eclosão do conflito. Na ocasião, mais de 100 mil pessoas marcharam da Praça da Sé à sede do jornal, então na Rua Boa Vista, para ouvir a saudação de Mesquita Filho, que discursou. "Anulada a autonomia de São Paulo, o Brasil se transformou num vasto deserto de homens e de idéias", disse Julinho, como era conhecido, da sacada da redação.
"E, se o nosso afastamento da direção da coisa pública eqüivaleu à implantação do caos e da desordem em todo o território nacional, a ordem, a tranqüilidade, a disciplina, em uma palavra, o império da lei e da justiça só poderá ser restabelecido no dia em que São Paulo voltar à sua condição de líder insubstituível da Nação", conclamou.. O papel do Estado (o jornal) nesse episódio recente da História nacional foi tanto político quanto aglutinador."
Estado de São Paulo 13 de março de 1999 A REAÇÃO CONSERVADORA

É interessante notar como a versão tradicional pode ser favorável tanto aos getulistas como à nova elite paulista, teoricamente vencedores e perdedores. Essa versão considera que o movimento de 32 foi uma reação da elite tradicional, as oligarquias do café, na tentativa de recuperar o poder perdido. Considerando dessa maneira, os getulistas tiveram um bom argumento para manter o poder, mesmo através da guerra, pois impediam que o Brasil retrocedesse, impediam a volta do coronelismo, do voto de cabresto, dos currais eleitorais. Ao mesmo tempo, a nova elite paulista não foi derrotada e sim a velha oligarquia em seu propósito de recuperar o poder. A nova elite irá considerar-se vitoriosa moralmente e politicamente, principalmente no ano seguinte, quando da convocação da Constituinte, vista como prova de que Getúlio fora forçado a reconhecer a importância de São Paulo. Mas de qual São Paulo?. Qual São Paulo será beneficiada pala política getulista? A São Paulo cafeeira, a São Paulo empresarial ou a São Paulo operária?. Essa resposta será obtida nos anos seguintes, com uma análise da política socioeconômica do governo federal.
O MOVIMENTO MILITAR

Durante todo o ano de 1932 organizou-se intensa propaganda contra o governo Vargas, que estimulou a organização de associações civis constitucionalistas, formada principalmente por estudantes e profissionais liberais, integrantes de uma camada média que repudiava a política ditatorial adotada. No entanto, essa camada não possuía organização política própria, ou mesmo um projeto político específico, para ela a luta seria contra a ditadura e a favor de uma Constituição.
A classe operária, ainda pequena, encontrava-se desorganizada em virtude da política trabalhista de Vargas, que havia eliminado os setores mais organizados do movimento, os imigrantes italianos e suas tendências anarquistas e cooptava uma parte dessa classe com sua legislação inicial, paternalista e pelega.
Dessa forma é que as elites acabaram por comandar o movimento.
No dia 23 de maio de 1932, manifestações contra Getúlio Vargas eclodiam pela capital paulista, em um clima crescente de revolta. Um grupo tentou invadir a Liga Revolucionária - organização favorável ao regime situada nas proximidades da praça da República -, dando origem a um episódio que impulsionou o movimento.
MMDC - Os governistas resistiram a bala e acabaram matando os jovens Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Havia três mortos e dois feridos, que acabaram morrendo depois. O quinto ferido era o estudante Orlando de Oliveira Alvarenga.
As iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo serviram para formar o MMDC. A sigla representava uma organização civil clandestina, que, entre outras atividades, oferecia treinamento militar.
Apesar de terem declarado a intenção de apoiar o movimento que nascia em São Paulo, os governos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul acabaram recuando. O único apoio veio do Mato Grosso.
Percebendo a dificil situação em que se encontrava, iniciou-se em São Paulo uma intensa campanha de alistamento voluntário, a 10 de julho, em diversos postos distribuidos pelo estado. Na Faculdade de Direito do largo São Francisco formou-se o Batalhão Universitário.
Ao mesmo tempo a FIESP comanda um esforço de guerra, a aprtir do qual muitas fábricas passam a produzir material bélico ou de campanha, criando inclusive uma Milícia Industrial.
As rádios paulistas são utilizadas como instrumentos de propaganda. O locutor César Ladeira da Rádio Record, ficou conhecido como " a voz da Revolução"  
A 14 de julho o governador Pedro de Toledo decreta a criação de um bônus de guerra que desempenhe as funções de moeda. Para lastrea-lo foi lançada a campanha " Doe ouro para o bem de São Paulo" centralizada pela associação comercial em conjunto com os bancos.
O conflito envolveu, durante três meses, 135 mil brasileiros, dos quais cerca de 40 mil paulistas, a grande maioria voluntários civis
Os dados oficiais estimam que 630 paulistas e cerca de 200 homens das tropas federais morreram.
Com a derrota da Revolução Constitucionalista, seus principais líderes foram presos e levados para a Casa de Correção, no Rio de Janeiro, num área reservada para os prisioneiros políticos provenientes de São Paulo. Pouco tempo depois, na noite de 30 de novembro de 1932, os presos políticos foram colocado a bordo do navio Pedro I e deportados para Portugal. 
DESFECHO POLÍTICO

Considera-se que a derrota militar de São Paulo foi acompanhada por uma vitória política: Com a derrota da Revolução Constitucionalista, em 1932, seus principais líderes foram presos. Entre eles se encontrava Júlio de Mesquita Filho, enviado com seus companheiros para a Sala da Capela - nome dado um pequeno recinto na Casa de Correção, do Rio, reservado para os prisioneiros políticos provenientes de São Paulo. Pouco tempo depois, na noite de 30 de novembro de 1932, ele e outros 75 companheiros foram colocado a bordo do navio Pedro I e deportados para Portugal. a organização de eleições e a formação de uma Assembléia Constituinte, que porá fim ao governo provisório. No entanto, a legislação eleitoral havia sido elaborada em fevereiro de 1932, e um decreto de 15 de março do mesmo ano, portanto antes da revolução, marcou para 3 de maio de 1933 a eleição dos deputados. A Assembléia iniciou seus trabalhos em 15 de novembro de 1933, sendo que a maioria dos deputados eram varguistas.

fonte: histórianet.com.br



                                                30/11/2006  

                        UNAA recorre a justiça para garantir cumprimento do acordo.



                                                   02/11/2006

  UNAA INFORMATIVO -" EXTRA" -TCU suspende pagamento de acordo a anistiados

INFORMAÇÕES NA SUA CAIXA POSTAL



                                                INFORMATIVO  19/10/2006

                                                       MP 300 AGORA É LEI!

                           LEIA A ÍNTEGRA DA LEI ENVIADA PARA SUA CAIXA POSTAL



                                                INFORMATIVO 10/10/2006


Senado aprova apenas uma medida provisória; demais proposições serão votadas na próxima semana


Na sessão deliberativa de hoje, 10/10, os líderes partidários do Senado fecharam acordo para votar apenas a MP nº 298/06.
Quanto às outras 14 medidas provisórias, que passam a trancar a pauta do Senado e o prazo de vigência termina entre os dias 25 e 29 de outubro, incluindo a MP/300, o acordo dos líderes é para que sejam apreciadas a partir da próxima terça-feira, dia 17/10. 
 

Medidas provisórias que trancam a pauta do Senado (14)


MP 299/06 – Crédito extraordinário para a Justiça Eleitoral e diversos órgãos do Poder Exercutivo

MP 300/06 – Autoriza o Poder Executivo a pagar os valores devidos aos anistiados políticos

MP 301/06 – dispõe sobre a criação da carreira da Previdência, da Saúde e do Trabalho, e de diversos planos de carreiras e cargos, entre eles, os que são ligados à áreas de Ciência, Tecnologia, da Fiocruz, do Inmetro, do IBGE e militares.

MP 302/06 – cria planos especiais de cargos da Suframa e da Embratur e reestrutura a remuneração dos cargos das carreiras de Auditoria da Receita Federal, de Autoria-Fiscal da Previdência Social e de Auditor-Fiscal do Trabalho.

MP 303/06 – parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social.

MP 304/06 – cria plano geral de cargos do Poder Executivo e do plano especial de cargos do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama.

MP 305/06 – remuneração dos cargos das carreiras de Procurador da Fazenda Nacional, Advogado da União, Procurador Federal e Defensor Público da União; Procurador do Banco Central, policial federal e policial rodoviário federal.

MP 306/06 – fixa valores dos soldos dos militares das Forças Armadas.

MP 307/06 – altera os valores da Vantagem Pecuniária Especial (VPE) devida aos militares da Política Militar do Distrito Federal e do Corpo de Bombeiros Militar do DF.

MP 308/06 – fixa o subsídio dos cargos das carreiras de Delegado de Polícia do DF e de Polícia Civil do DF.

MP 309/06 – altera os valores do plano especial de cargos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

MP 310/06 – crédito extraordinário para a Hemobrás no valor de mais de R$ 14 milhões.

MP 311/06 – crédito extraordinário em favor dos Ministérios da Justiça e da Integração Nacional no valor de R$ 208 milhões.

MP 312/06 – prorroga direitos previdenciários do assalariado rural.

Fonte:DIAP



                                             INFORMATIVO 08/10/2006

                  QUANDO A MÍDIA NÃO TEM ASSUNTO, FALA DOS ANISTIADOS!

UM INFORMATIVO FOI ENVIADO NESTA DATA PARA   A SUA CAIXA POSTAL                       VERIFIQUE!



                                                       INFORMATIVO 05/09/2006

              LEIA COM ATENÇÃO!!!  MUITA CAUTELA!


A imprensa tem veiculado notícias sobre o interesse de instituições financeiras nos termos de adesão dos anistiados políticos.

Caso você seja contatado por alguma instituição financeira não forneça nenhum tipo de dado e comunique o fato  a coordenação imediatamente.

O momento é delicado e os aproveitadores estão de plantão.

Embora tenha sido publicado o modelo do termo de adesão para o pagamento do atrasadão, estamos aguardando a sua forma definitiva.

O GOVERNO NÃO DISPONIBILIZOU O TERMO DE ADESÃO DEFINITIVO EM NENHUM SITE E NENHUMA  INSTITUIÇÃO TEM AINDA AUTORIZAÇÃO PARA O USO OU NEGOCIAÇÃO DO MESMO.

Muita cautela! Só confie em informações da coordenação diretamente em sua caixa postal.



                                                       04/09/2006

                                                   Tempo real 21:34 

                                PLENÁRIO APROVA MP SOBRE ANISTIADOS 

O plenário aprovou há pouco a Medida Provisória 300/06 que regulamenta o pagamento de indenizações aos anistiados políticos.

A MP pode ser a etapa final de um longo caminho de leis sobre o assunto desde a aprovação da Lei de Anistia, em 1979.  

A MP segue agora para votação do Senado Federal.



                                    INFORMATIVO DE 04 DE SETEMBRO DE 2006

      TODO ESFORÇO ESTÁ SENDO CONCENTRADO PARA A VOTAÇÃO DA MP/300

                        O informativo foi enviado nesta data 04/09/2006.

                                                 Verifique a caixa postal!




                             INFORMATIVO DE 27 DE JULHO DE 2006 

A UNAA,  EM  PARCERIA COM AS DEMAIS ASSOCIAÇÕES QUE  REPRESENTAM OS DIVERSOS  SEGMENTOS  DE  ANISTIADOS POLÍTICOS,  CONTRATA  ASSESSORIA  TÉCNICA   ESPECIALIZADA.  MAIORES  DETALHES NO BOLETIM ENVIADO PARA  A CAIXA POSTAL. VERIFIQUE SUA CAIXA POSTAL.




                            INFORMATIVO DE 13 DE JULHO - BRASÍLIA - ACORDO

                                                        ATENÇÃO

     INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE A REUNIÃO EM BRASÍLIA FORAM ENVIADAS                                PARA AS CAIXAS POSTAIS. VERIFIQUE!



                                      INFORMATIVO DE 01 DE JULHO DE 2006

                       ASSINADA A MEDIDA PROVISÓRIA DOS RETROATIVOS !

                                      INFORMAÇÕES NA SUA CAIXA POSTAL



                                  INFORMATIVO DE 25 de junho 2006

                                       VERIFIQUE SUA CAIXA POSTAL

TODAS AS AS INFORMAÇÕES REFERENTES A PREPARAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA  FORAM ENVIADAS AOS E-MAILs DE TODOS OS PARTICIPANTES DA UNAA.



                                     INFORMATIVO DE 02 DE JUNHO DE 2006

Respeitando a nossa política de privacidade o informativo foi enviado via email a cada participante em 02/06/2006. Verifique sua caixa postal.



                                      INFORMATIVO DE 12 DE MAIO DE 2006

ATENÇÃO: POR POLÍTICA DE PRIVACIDADE, TODAS AS INFORMAÇÕES REFERENTES A PROPOSTA DO GOVERNO E O RESULTADO DA REUNIÃO DA COMISSÃO TRIPARTITE, FORAM ENVIADAS AOS E-MAILs DE TODOS OS PARTICIPANTES DA UNAA. VERIFIQUE A CAIXA POSTAL.





                                                 INFORMATIVO DE 03 DE MAIO DE 2006 

                                                               PROPOSTA INDECENTE 


                          A proposta do Ministério do Planejamento para o pagamento dos retroativos,  cujo  inteiro  teor  foi  encaminhado  para os endereços eletronicos de todos nesta data,  no  nosso  ponto  de  vista  resume-se  no  seguinte:

                          Não  há  necessidade de Projeto de Lei algum pois já existe a lei 10.559/02 que regulamenta a anistia e os retroativos são decorrência e concedidos nos termos desta lei.

                          Também não há necessidade de assinatura de renuncia expressa ao  excedente  do  que  é  devido  ao  anistiado. Isso porque se o governo almeja o pagamento  de  forma  parcelada deve simplesmente iniciar os depósitos nas contas dos  anistiados  deixando-os  livres  para  decidir se recorrem a justiça ou não para receber integralmente, de uma só vez.


                           Ao contrário disso, estabelecem um orçamento para pagamento das  prestações  mensais  retroativas  em  valores irreais que nos remeteriam a uma espera de décadas para recebermos os nossos valores;

                            Oferecem  parcelas duplas e com  limites  mínimos  de  valores  por  anistiado  e  por  ano  sem  qualquer tipo de correção.

                            O  resultado  não  podia  ser outro, RECUSA TOTAL da referida proposta do Planejamento.


                             Contudo,  existe  um  estudo  para  pagamento,  junto  com a Prestação Mensal Permanente e Continuada, de uma parcela mensal correspondente ao retroativo.

                              A  equipe  técnica  do  Ministério  do Planejamento trabalhará neste  estudo  e  o  resultado, esperamos,  será  apresentado  na  próxima  reunião da Comissão Tripartite na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, prevista para 3ª feira, 09/05, às 14:30hs.

                              Cutucar os anistiados políticos com vara curta nesta etapa da negociação é no mínimo prejudicial a saúde política das próximas eleições.





                                      INFORMATIVO DE 30 DE ABRIL DE 2006

                                REUNIÃO DA COMISSÃO TRIPARTITE


          Para  viabilizar  a  proposta  alternativa  do  Ministro  do  Planejamento, Orçamento  e   Gestão,  Paulo  Bernardo,  feita  ao  lado  do  Ministro  da  Justiça, Márcio  Thomaz  Bastos,  na 1ª  audiência  pública  dos  anistiados  políticos,  em 12/04/2006, qual seja, de  o  Executivo, a  Comissão de Trabalho e representantes dos  anistiados  firmarem  protocolo   em  30  dias  para adoção  de  uma  forma  viável  de  pagamento  dos retroativos  aos  anistiados políticos, ficou claro que o planejamento e os deputados deveriam   destacar  seus  representantes para a formação de uma comissão tripartite, pois  os  anistiados  já  tinham  representantes  desde  o  dia 28/08/2005 quando se reuniram  para  os  25 anos  de anistia  política no Brasil e tomaram o Congresso e o Planalto reivindicando seus direitos.

          Nesse encontro todas as lideranças dos vários grupos de anistiados estavam presentes  e  elegeram  os  anistiados  políticos,  José Wilson da Silva;   Manoel Anísio Gomes; Paulo Roberto Manes e João Santana Guimarães para, de forma organizada e centralizada,  representá-los  e  manter  contato  com o executivo. Os homens mais contatados  no  Executivo sempre foram Luiz Inácio Lucena Adams e Israel Luiz Stal.

            O  Presidente  da  Comissão  de  Trabalho, Administração e Serviço Público, deputado Coronel Alves (PL-AP), reuniu-se com nossa Comissão e representantes do governo  para  instalação  da  comissão  tripartite,  para  a  definição  de  regras  e negociação junto ao governo quanto ao pagamento do atrasadão.

             Os  representantes  dos  anistiados  são  os  mesmos  desde  agosto/2005 citados acima;  Os  do  Ministério do  Planejamento são Luiz Inácio e Israel Stal e os  Deputados  são:   Walter Barelli;   Laura Carneiro;   Vicentinho;   Coronel Alves;   Daniel Almeida;   Dra. Clair;   Henrique Eduardo Alves;  Luciana Genro. Sendo que o número de deputados poderá aumentar para nove ou mais.  

              Sempre  bom  lembrar  que  nossa  comissão  recebe  apoio  político  das diversas  representações de anistiados que a elegeu, dentre as quais a coordenação da UNAA. A  comissão  dos  deputados  também  recebe  apoio  político  de diversos deputados  interessados  na  solução  do caso.(clique: fotos / eventos).

               Esse grupo formado pela comissão tripartite se reunirá no dia 02/05/2006 para  uma  primeira  reunião  na  Comissão  do  Trabalho. Inicialmente o horário é ás 17h00.





                                     INFORMATIVO DE 25 DE ABRIL DE 2006

                        DECLARAÇÃO IMPOSTO DE RENDA - 2005 exercício 2006

 

Estamos  em  freqüente  contato  com o  Setor do  Planejamento responsável pelo fornecimento das  Declarações de Rendimentos Anuais dos anistiados e tudo indica que esse documento chegará junto com o prazo final para entrega da declaração do imposto de renda.

No entanto,  caso a informação do Planejamento  não chegue dentro do prazo, sua Declaração  deve seguir com  todas as  informações referentes à exata receita que você auferiu no período de 2005 com base em todos os seus extratos bancários de 2005  provenientes  da rubrica  “proventos”  sendo perfeitamente possível eventual retificação futura como abaixo exposto. O importante é não deixar de entregar a Declaração na data aprazada, 28 de abril de 2006.

Para quem não sabe é dever da fonte pagadora prestar essa informação, mas a falta desta  não impede  que o contribuinte faça sua declaração com base na receita que percebeu  em dois  mil  e  cinco  e  eventual  diferença  seja  corrigida por meio de retificação.

A Declaração Retificadora entregue após o prazo final estipulado para a entrega da Declaração de Ajuste deverá ser entregue no mesmo modelo utilizado para a Declaração original, isto é, completo ou simplificado devendo o número do recibo da Declaração anterior ser informado obrigatoriamente.

Esse número pode ser obtido:

a) na parte inferior do recibo ou por meio do menu Declaração, opção Abrir, caso a declaração anterior tenha sido entregue mediante a utilização do programa;

b) na parte inferior do recibo, caso a declaração anterior tenha sido apresentada pelo sistema on-line;

c) ao  final  da ligação,  caso  a  declaração  anterior  tenha sido  apresentada por telefone;d) na etiqueta afixada pelos Correios na parte superior central da página 1, se o modelo  da declaração foi o simplificado, ou da página 1 do Recibo de Entrega, se foi  o completo,  caso a declaração  anterior  tenha sido entregue em formulário, informando, neste caso, os nove números constantes na referida etiqueta, desprezando-se as letras.





                                                           18/ABRIL/2006

                     Inclusão de Dependentes no Ministério do Planejamento

A  UNAA,  preocupada  com a  inclusão  de  dependentes  ( pai, mãe, filho, esposa, etc, ), pois não houve campo adequado para tal no recadastramento dos anistiados que  recebem benefícios pelo Ministério do Planejamento, entrou em contato com o setor  responsável  e obteve  a informação que o assunto será discutido em reunião com  o  SERPRO  com a finalidade  de se  criar rubrica específica, obtendo-se desta forma  o campo  apropriado para a devida inclusão dos dependentes dos anistiados políticos.

Informaremos a todos tão logo tenhamos um posicionamento sobre esta questão.

                                                  RECADASTRAMENTO

Reiteramos  que  todos  do  nosso  grupo  foram  devidamente  recadastrados  e solicitamos desconsiderarem avisos solicitando novo recadastramento.



                                       INFORMATIVO DE 16 DE ABRIL DE 2006


                                                     EM COMPASSO DE ESPERA

                         MAIS DE 800 ANISTIADOS COMPARECEM A AUDIÊNCIA PÚBLICA


MINISTRO PAULO BERNARDO FALA EM AUDIÊNCIA SOBRE ANISTIADOS

Brasília, 12/4/2006 -   O  ministro  do  Planejamento,  Orçamento e  Gestão, Paulo Bernardo, esteve nesta quarta-feira, 12.04, no Congresso Nacional, na Comissão do Trabalho,  para,  juntamente com representantes do Ministério da Justiça, atender às solicitações de informações dos parlamentares sobre o andamento dos processos de indenização de anistiados políticos.  Num auditório repleto de anistiados,  o  Ministério da Justiça  e  o  Ministério  do Planejamento fizeram um balanço dos processos já deferidos e do estoque a analisar, garantindo maior agilidade na avaliação dos casos restantes.

O principal ponto apresentado ao governo por parlamentares e representantes dos anistiados foi com relação ao pagamento do passivo, um valor de R$ 2 bilhões.

O ministro  do  Planejamento  declarou  que o governo já teria condições de apresentar uma proposta de escalonamento dos pagamentos dos passivos em 30 ou 40 dias e enviar ao Congresso Nacional Projeto de Lei sobre a matéria.

A Lei 10.559 de 13 de novembro de 2002, chamada  de  Lei da Anistia teve o motivo de reparar aqueles que foram punidos por motivação exclusivamente política no período da ditadura militar. Trata-se de reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal permanente e continuada.

O valor  da  prestação  mensal  é  estabelecido  tendo  em  vista  provas oferecidas pelo requerente e por informações de órgãos oficiais, empresas públicas ou privadas, tendo-se por base a categoria profissional do anistiado.

A prestação única consiste no pagamento de 30 salários mínimos por ano de punição, limitado a R$ 100.000,00 e será devida a anistiados políticos que não puderem comprovar vínculos com a atividade laboral.

A anistia é concedia depois de julgada por Comissão Especial constituída no âmbito do Ministério da Justiça.



MINISTRO PROPÕE PAGAMENTO PARCELADO DE ANISTIA

O  ministro  do  Planejamento,  Paulo Bernardo,  propôs  na  Audiência  Pública  o pagamento parcelado dos retroativos para todos os anistiados.  De  acordo com essa proposta, que o ministro considera a mais justa,  seria fixado um valor total mínimo. Assim, os anistiados que têm crédito menor receberiam em menos tempo, e vice-versa.  Os pagamentos iriam sendo feitos imediatamente após a concessão da anistia.

A  proposta  de  Bernardo  foi  apresentada  em  reunião  da  Comissão  de Trabalho, de  Administração  e  Serviço  Público  que  discute  a  demora no andamento dos processos de indenização dos anistiados políticos. Participam também o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Marcello Lavenère.

Paulo Bernardo fez a proposta depois de questionado pelas deputadas Laura Carneiro (PFL-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) sobre o atraso do pagamento das indenizações devidas pelo Estado aos militantes que foram perseguidos pela ditadura.
Como proposta alternativa, o ministro sugeriu que o Executivo, a Comissão de Trabalho e representantes dos anistiados firmem protocolo em 30 dias para adoção de uma forma viável de pagamento.

DESPESAS

Atualmente,  o  governo  gasta  R$ 27  milhões  por  mês  com  as  indenizações concedidas. A estimativa é  de  que  essa  despesa chegue a R$ 40 milhões, depois  da  concessão  das anistias  pendentes. O governo não tem pago os retroativos,  e  o  passivo hoje atinge  R$ 2,1 bilhões,  com a perspectiva de chegar a R$ 4,5 bilhões.
O Orçamento  deste  ano destina  o total de  R$ 600 milhões para o pagamento dos anistiados. A proposta original do governo, que era de R$ 400 milhões, foi acrescida em R$ 200 milhões pela Comissão Mista de Orçamento. (fonte: Agência Câmara)

COMISSÃO DE ANISTIA

O Presidente da Comissão de anistia,  Marcelo Lavenére,  se  comprometeu a  criar um  "canal aberto"  com  as  instituições das diversas categorias de anistiados para tentar solucionar as diversas pendências de processos existentes.

      NOSSAS CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DAS ATIVIDADES EM BRASÍLIA

Embora esperançosos e trabalhando com afinco  para  a  solução  amigável,  temos forte  receio de  que  o  que  o  governo planeja  é  uma  manobra política  que permita  uma  campanha  "reeleitoral"  mais pacífica,  afinal,  os  anistiados  estão organizados,  unidos  e  dispostos  a  lutar  por  seus  direitos e isso significa fazer barulho.

Disso o governo está correndo! Para se ter idéia, o Ministro da Justiça foi breve em suas  colocações  e  se  permitiu tentar deixar  a  Audiência  Pública  antes de seu encerramento,  permanecendo  no recinto  após ser  lembrado por um importante e antigo  parlamentar,  que muito  tem lutado  por  nossa  causa,  de  que  havia sido convocado e não convidado, portanto, não podia deixar a sessão antes de seu término.

A impressão primeira que temos acima não paira no campo do "achismo" apenas e tão somente, mas sim como conseqüência do  que  vimos  acompanhando de perto no judiciário, senão vejamos.  Atualmente as decisões são favoráveis no STJ , porque este acata a lei, faz justiça.  Ocorre  que  os  pedidos  de  liminares acabam não sendo deferidos e o STJ manda aguardar o trânsito em julgado de sua decisão  dando  início  ao  devido  processo  legal  constitucionalmente garantido. O governo,  através  da  AGU  embarga  de  declaração,  depois recorre ao STF, nova decisão..... 

Tudo  isso  é legal,  o  direito  é  assim  mesmo. Portanto, uma forma de protelar  perfeitamente  legítima.  Isso  faz  parte  desse  ambiente  e  o  que interessa  é a preservação do direito e afastamento da caducidade das Portarias vigentes.  Como as pressões políticas  e  administrativas continuam fortes, agora,  o  Ministro Paulo Bernardo apresenta essa proposta de escalonamento/parcelamento que na verdade sempre foi a proposta dos anistiados, sempre dispostos a encontrar soluções para as sucessivas e injustificadas dificuldades criadas pelo governo.   Então elaboram o Projeto de  Lei de  escalonamento,  encaminham  para  o  Congresso,  espera-se  a inclusão em pauta, e nisso acabou-se o ano.

É o que nos parece, embora queiramos e trabalhamos contra essa sorte.

Estamos atentos  no compasso para as eventuais ações e não nos deslumbraremos com  os  encantamentos  políticos, mas sim, com o verdadeiro interesse de resolver, com a efetiva vontade política manifestada.

Estamos atentos! Um olho no peixe e o outro no gato.

Dúvidas, entre em contato com a Coordenação.




                                               INFORMATIVO DE 10 DE ABRIL DE 2006


                                       AUDIÊNCIA PÚBLICA EM 12 DE ABRIL DE 2006

COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO
52ª Legislatura - 4ª Sessão Legislativa Ordinária

LOCAL: Auditório Nereu Ramos
HORÁRIO: 10h  


PAUTA DE REUNIÃO ORDINÁRIA
AUDIÊNCIA PÚBLICA
DIA 12/04/06


Tema:

"OS MOTIVOS DA DEMORA NO ANDAMENTO DOS PROCESSOS DE INDENIZAÇÕES DOS ANISTIADOS POLÍTICOS OU DE SEUS DEPENDENTES".


PARTICIPANTES:

MÁRCIO THOMAZ BASTOS
Ministro de Estado da Justiça

PAULO BERNARDO SILVA
Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão

MARCELLO LAVENÈRE MACHADO
Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça




                                        INFORMATIVO DE 07 DE ABRIL 2006

                                BRASÍLIA - AUSÊNCIA PÚBLICA

 "A revolta do homem, olhando a vida tal qual é, imperiosamente se eleva, estrebucha   e  impõe   seus  feitos  destruidores,  ante  a  sordidez   desse capitalismo   atrofiador,  desse mercantilismo  desbocado e  rapace,  ante a arrogância dos néscios, a vanglória dos imbecis, o maquiavelismo insultante dos audaciosos, o triunfo do parasitismo, a insensatez dos nefastos  políticos, a  hipocrisia dos  vendilhões  de  consciências  enfatuados  de  moralistas,  o impudor  das   que  se  poluem e prostituem, neste caos assombroso em que deambulamos e nos debatemos e ao qual a fatalidade histórica nos manieta, arrastando-nos na sua larga cauda de destruição, de miséria, de perdição e de desgraça.

                                                                                 " Orlando Marçal,
                                                                                 in "Da Imputabilidade Criminal",
                                                                                Lisboa - Livraria Clássica Editora
                                                                                             de A. M. Teixeira - (1919)
 


A abertura deste informativo nada mais é do que a demonstração de nosso sentimento   em  relação a   viagem a   Brasília para participar da Audiência Pública com o Ministro da Justiça e do Planejamento convocada para o dia 04 de abril. Pela quarta vez sem o    comparecimento dos convocados estamos diante  de  uma  verdadeira  "Ausência Pública",  onde  nota-se  a  falta  de respeito e disposição do  governo em solucionar o problema dos anistiados políticos. 

Anistiados  de   diversos setores, mais de 300, compareceram ao Plenário 02 da   Câmara  dos  Deputados  e  ali,   mais  uma  vez,  ouviram  os  discursos inflamados  de  diversos  deputados  ( Pompeo de Mattos (PDT-RS),  Arnaldo Faria  de Sá  (PTB-SP),   Mauro Passos  (PT-SC),  Laura  Carneiro  (PFL-RJ), Vicentinho  (PT-SP),  Baba (PSOL-PA),  Luiz  Eduardo  Grenhalg  (PT-SP), Jamil Murad (PCdoB-SP) e outros)  em  apóio  e  solidariedade  a  causa  dos anistiados. 

Nossa representação procurou pelo deputado Valter Barelli (PSDB-SP), pois foi  ele  quem assinou  grande parte  dos  ofícios de  concessão de Anistia aos aeronautas enquanto Ministro  do  Trabalho,  para  que  se  empenhasse na luta em defesa de nossos direitos.

O deputado  compareceu  ao  Plenário  e  garantiu  também  o seu empenho a nossa causa. A manifestação acabou tornando-se expressiva e a ameaça de "apitaço" (foram distribuidos apitos a todos os anistiados ) dentro da Câmara dos Deputados,  culminou  por  forçar  a  presença  do  Presidente da Câmara, Deputado  Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Resultados práticos desta manifestação:

1) O encontro marcado, no mesmo dia as 18:00hs, com o secretário adjunto do Ministro do Planejamento, Luis Inácio Lucena Adams, e a garantia que no dia 12/04 (nova data marcada para a audiência), estarão presentes os dois Ministros e o Presidente da Comissão para responder aos questionamentos.

2)   A Bancada do PT  designou  dois  parlamentares  para   acompanhamento dos trabalhos referentes a Anistia Política.

3)    A formação de  uma  Sub  Comissão  para contatos e  encaminhamentos diretos  junto  aos Ministérios.

4)   O   Compromisso  de  diversos  Parlamentares,  bem como do Presidente  da  Câmara,  no  empenho de  solucionar  as  questões  relativas  a   Anistia Política.          




AÇÕES JUDICIAIS  

               Como  já informado,  o  Presidente  da  Câmara,   comprometeu-se pessoalmente  em  resolver  ou  dar  rumo  ao  pagamento  dos  nossos retroativos  perante  mais de  trezentos  anistiados, no  dia 04/04/2006, no plenário 2 do Congresso.

               Também deu sua palavra que os ministros  comparecerão  no dia 12 de abril. Por isso,  por cautela,  embora bem  montada a estratégia jurídica, ficará esta sobrestada ao resultado da audiência pública do dia 12/04/2006, onde, improrrogavelmente, deverão comparecer os Ministros da Justiça e do Planejamento para as devidas considerações e definição do pagamento dos retroativos.

                Contudo,  se   dessa  reunião  não  colhermos resultados  concretos, seguimos em frente como previsto.

                Quase todos já enviaram suas procurações. Se você ainda não enviou a sua, envie-nos                                                                       

               Paralelamente  aos  trabalhos  na área   política e administrativa, vimos mantendo  contato   com  os advogados   que  poderão  nos    representar em Brasília.   Antes de efetivamente  ajuizarmos  qualquer ação,  faremos a bsoluta  questão de levar ao conhecimento de todos, os nomes dos advogados, bem como  suas  qualificações,  aptidões e  todas informações relevantes sobre o cenário em que atuarão, e outras que se fizerem necessárias à contratação dos mesmos.

Portanto, por estratégia política e cautela jurídica, aguardaremos após o dia 12/04/06 para agirmos. Enquanto isso vamos preparando o “terreno” nessa área, bem conduzida pelo nosso  Dr. Alexandre. 

Você receberá via e-mail boletim específico sobre esse “plano de vôo judiciário”. Aguarde.




DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - ATENÇÃO

O  Ministério  do  Planejamento  iniciou  nesta sexta  feira, 07 de abril, o envio dos  informes  de   rendimentos   referentes  ao  exercício  de  2005  já  com  a devida correção.   O Planejamento informa que devido ao número elevado de beneficiários  será  usado  o  critério de ordem  alfabética  para  o  envio  e  tudo  será  feito de maneira a respeitar o prazo limite para a entrega da declaração de renda.   






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