Não perca a exposição virtual do arquivo Edgard Leuenroth com fotos e cartazes extraídos da coleção da própria instituição, referentes ao movimento pela anistia, ditadura militar, repressão, etc.Trata-se de uma mostra comemorativa aos 30 anos da anistia política brasileira, e as imagens são preciosidades que merecem ser vistas. Segue o link:
Exposição no antigo Deops mostra luta política na ditadura. No ano em que se comemora os 30 anos da Lei da Anistia, Memorial da Resistência relembra anos de chumbo
SÃO PAULO - Até 18 de outubro, o Memorial da Resistência, no antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Deops), na região central de São Paulo, expõe a mostra "A luta pela Anistia - 1964 - ?". A interrogação representa três lacunas que ainda persistem, passados 30 anos da anistia política: os arquivos da ditadura ainda não foram abertos, os corpos de ex-presos e perseguidos políticos continuam na obscuridade, sem identificação e sem serem devolvidos às famílias e, ao contrário de Argentina e Chile, não houve punição dos responsáveis por torturas, prisões não autorizadas, sequestros, assassinatos, ocultação de cadáveres, entre outros crimes. As reflexões, com fotografias, textos e até celas (na exposição permanente do Memorial da Resistência) reconstituídas tal como eram no período, relembram a anistia, marcada por um acordo que pôs fim às perseguições políticas e ao cerceamento da liberdade.
Na mostra, podem ser vistos materiais de imprensa como jornais, folhetos, cartazes, cartilhas, livros, fotos e documentos gerados pelos órgãos de repressão política que mostram como se deu a perseguição a todo cidadão que insinuasse algum tipo de ameaça àquele regime.
A seleção dos materiais foi feita pelo curador da mostra, o jornalista e ex-preso político, Alipio Freire. De acordo com ele, apesar de passados 24 anos que a ditadura acabou, com a eleição do primeiro presidente civil, o Brasil ainda hoje não conta com uma democracia legítima, já que sem a abertura de todos os arquivos da ditadura, a entrega de todos os corpos de desaparecidos e a punição dos responsáveis, a sociedade ainda continua respaldando uma era em que o uso da força foi a prática mais comum.
Durante os cinco anos em que esteve preso em presídios como o Tiradentes e o Carandiru, ambos extintos, o próprio Deops, e DOI-Codi na Rua Tutóia, Freire sofreu todo o tipo de tortura. Além disso, havia aqueles torturadores que sentiam prazer e eram estimulados pelos superiores a usar técnicas de tortura. "As atrocidades continuam sendo praticadas, só nos resta lutar por um mundo mais justo e humano", diz, em referência ao fato de os presos comuns continuarem sendo torturados nas prisões brasileiras.
O poder dado a cada militar, irrestritamente, pode ter ocasionado o enfraquecimento do regime, afirma o professor de Ética da USP, Renato Janine Ribeiro. "O Jornalista Elio Gaspari, autor de uma série de livros sobre o regime, defende a tese da anarquia militar, na qual cada torturador, sargento ou coronel fazia o que queria", diz. Com isso, o controle do poder central sobre esses grupos ficava fragilizado. "Cada um interpretava do seu jeito. Ninguém prestava contas dos seus atos", reforça. Desaparecer com um desafeto era o mais comum.
Celas reconstituídas
O período militar também pode ser conhecido ou relembrado na mostra permanente do Memorial da Resistência. O prédio, hoje reformado, que foi construído por Ramos de Azevedo, inaugurado em 1914, abrigou o antigo Deops, reformado na década de 90. Com as modificações na construção, as condições em que os presos eram mantidos não podem ser conhecidas em sua totalidade.
Para aproximar o visitante à realidade do período militar, uma das celas reproduz o espaço físico tal como foi na época. O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe) e ex-preso político, Ivan Seixas, conta que a peça foi reformada para retratar ao máximo o cárcere original, já que as condições originais do edifício não foram preservadas, a fim de manter a história do local. Uma maquete do antigo prédio no Memorial mostra como os espaços foram modificados.
Ivan foi preso aos 16 anos e permaneceu 6 anos detido, sem existir legalmente na relação dos presos. O pai, Joaquim Seixas, operário e membro do Movimento Revolucionário Tiradentes, foi morto ao ser torturado. "Vivíamos um período que vigoravam três leis em que qualquer cidadão podia ser enquadrado: a de greve, de imprensa e a eleitoral", relembra.
Na inha do tempo - um espaço do Memorial que já abrigou celas - constam os principais acontecimentos do século XX e começo do XXI. Lá é possível observar as datas e as propostas dos Atos Institucionais que começaram a ditar o tom militar, a começar pelo primeiro - que previa eleições indiretas, suspensão de funcionamento de estabelecimentos públicos e imunidade parlamentar - e culminou com o número cinco - o AI-5, de 1968, que suspendeu as garantias constitucionais e foi considerado o maior ato repressivo do governo da época, dirigido pelo general Garrastazu Médici.
Recursos audiovisuais também são utilizados para reavivar a memória dos que viveram à época, e mostrar aos que não viveram um pouco da coerção pela força praticada pelo regime.
A exposição custa R$ 6 e R$ 3 para estudantes. A entrada é gratuita a grupos escolares. O agendamento de visita é feito pelo (011) 3324-0943 e 3324-0944. Para aproximar os alunos daquela realidade os monitores criam hipóteses e situações para os estudantes entenderem como se dava a limitação de ação e comunicação dos perseguidos.
De sábado a entrada é gratuita para todos. O horário de funcionamento é das (10h às 17h30), de terça-feira a domingo.
A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsede Bauru, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Cultura realizam, de 24 a 29 de agosto, a “Semana de Direitos Humanos: Lutas Históricas e Contemporâneas”, no auditório da Casa do Advogado e Cidadania. As inscrições já podem ser realizadas e o evento é aberto à toda comunidade.
No dia 24, o evento tem início com palestras de Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), e de Luiz Gonzaga Dantas, ouvidor-geral da Polícia do Estado de São Paulo. O tema é “Direitos Humanos na Atualidade”. Já no dia 25, os convidados João Jabbour, gerente de produtos editoriais do JC, Alípio Freire, jornalista e escritor, e ainda Juliano Maurício, professor da pós-graduação em TV Digital da Unesp-Bauru, vão discutir a “Imprensa e os Direitos Humanos”.
Os “30 anos da Lei da Anistia” serão debatidos no dia 26 por José Ibrahim, líder metalúrgico de Osasco, e Raphael Martinelli, presidente do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo. No dia 27, Gilberto Truijo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Clodoaldo Meneguello, professor da Unesp, e o vereador Roque Ferreira, que preside comissão no Legislativo, discutem sobre o tema “Bauru e os Direitos Humanos”.
No dia de encerramento, a OAB e a Cultura vão entregar prêmios a bauruenses que atuaram na causa em suas trajetórias. No sábado, às 10 horas, haverá palestra com João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart. A premiação da OAB será composta por dois momentos: o troféu Gastão de Moura Maia Filho, juiz aposentado pela ditadura militar, destinado à pessoa física, e o troféu Sérgio Vieira de Mello, embaixador brasileiro morto no Iraque, destino à pessoa jurídica. Os premiados ainda serão escolhidos por comissão.
Já o Prêmio Cultura dos Direitos Humanos será entregue para Antonio Pedroso Júnior, Milton Dota e Clovis Petit, que foram escolhidos pela Secretaria Municipal de Cultura.
De 24 a 29 de agosto, as 19 horas;.no Auditório da OAB-Bauru
Inscrições abertas na secretaria, Av. Nações Unidas, 30-30 - Fone (14) 3227-3636
Programa:
24 - Direitos Humanos na Atualidade
Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).
Luiz Gonzaga Dantas, ouvidor-geral da Polícia do Estado de São Paulo.
25 - Imprensa e os Direitos Humanos
João Jabbour, gerente de produtos editoriais do Jornal da Cidade (Bauru).
Alípio Freire, jornalista e escritor
Juliano Maurício, professor da pós-graduação em TV Digital da Unesp-Bauru.
26 - 30 anos da Lei da Anistia
José Ibrahim, líder metalúrgico de Osasco.
Raphael Martinelli, presidente do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo.
27 - Bauru e os Direitos Humanos
Gilberto Truijo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Bauru.
Clodoaldo Meneguello, professor da Unesp.
Roque Ferreira, vereador e presidente da Comissão de Direitos Himanos da Câmara Municipal de Bauru.
28 - Encerramento
Entregar prêmios a bauruenses que atuaram na causa em suas trajetórias.
29 - às 10 horas Palestra com João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart.